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Opinião
1/8/2009 09:25:01
O IPHAN em Lagarto

* Claudefranklin Monteiro Santos

A posse da Profª. Drª Terezinha Alves de Oliva na Superintendência do IPHAN em Sergipe dá novo ânimo às questões que envolvem o patrimônio cultural sergipano. A julgar por sua prodigiosa trajetória, não só como docente e como pesquisadora, mas também quando esteve Diretora do Museu do Homem Sergipano, certamente novos e bons ares vêm por aí pela frente. Há muito que fazer e mudar, mas a capacidade administrativa da historiadora riachãoense renderá frutos incomensuráveis para a nossa cultura tão combalida.

No último dia 27 de julho do corrente ano, esteve em visita oficial a Lagarto o arqueólogo do IPHAN-SE, Dr. Roberto Ribeiro. Durante uma manhã e parte da tarde, sua estada pode deixar uma boa impressão aos lagartenses, sobretudo para aqueles que se dedicam à pesquisa da história e da cultura local. Além disso, parece inaugurar uma nova postura do IPHAN, que pretende dar maior atenção a outros centros de cultura, como a tricentenária cidade de Lagarto.

Ao visitar os subterrâneos da Maternidade Monsenhor Daltro (hoje um Centro de Especialidades Médicas), o arqueólogo constatou o que já havíamos concluído meses antes. A construção encontrada trata-se de uma fossa, estilo vestuário, com galerias, típica dos anos 60 e 70. Notamos que o Prefeito Valmir Monteiro continua firme com a idéia de construir no local um Memorial Subterrâneo que marcará o início das atividades alusivas ao Centenário de Falecimento de João Batista de Carvalho Daltro (1910-2010).

Em passagem pelo antigo Largo do Rosário, constatamos, com pesar, o estado de abandono em que se encontra o antigo Grupo Sílvio Romero, fundado nos anos 20, no então Governo de Graccho Gardoso. O prédio é o único bem cultural tombado pelo patrimônio estadual no município. Não fosse o funcionamento da Biblioteca Municipal José Vicente de Carvalho, a situação seria de total descaso. O Grupo precisa urgentemente de cuidados, pois corre o risco de desabamento.

Nas proximidades do marco fundador e da capela do Povoado Santo Antônio, o arqueólogo pode constatar, preliminarmente, a existência de aldeamento indígena na região e missões religiosas católicas por volta de meados do século XVI. Apesar de a história assim se expressar, o pesquisador do IPHAN afirmou que somente um trabalho mais acurado de arqueologia histórica poderia desvendar novas informações sobre os primórdios de Lagarto.

De qualquer sorte, a visita do Dr. Roberto Ribeiro, como dizem os indianos, foi auspiciosa, pois cria uma ponte entre o IPHAN e o interior do Estado, principalmente os mais desassistidos, como Lagarto, que a exemplo de outros, importantes historicamente, podem contribuir muito ainda em termos de patrimônio cultural.

* Professor-Mestre do DHI-UFS

 
 
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