7/2/2010 00:36:21 Declaração de Shannon é ´intromissão grosseira´, diz Venezuela
Caracas - A Venezuela qualificou como ingerencistas e irrespeituosas as declarações do novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, que afirmou que o governo de Hugo Chávez deveria dialogar com seus opositores. Esta declaração significa uma nova e grosseira intromissão de seu governo (dos Estados Unidos) nos assuntos internos, da Venezuela, diz um comunicado emitido pelo Ministério de Relações Exteriores no final da noite desta sexta-feira. O embaixador Shannon deveria dedicar-se a sua missão de promover as relações entre Estados Unidos e Brasil e não utilizar o território brasileiro para agredir ou intervir nos assuntos internos de nossa pátria, afirma o documento. Na nota, a chancelaria venezuelana retoma a acusação feita na quinta-feira, ao afirmar que há uma articulação entre o governo de Washington e a oposição venezuelana para derrocar o atual governo. Shannon está fazendo parte e evidenciando uma sincronização de setores de seu país e grupos de poder tradicionais no nosso país em uma campanha que pretende gerar uma situação de instabilidade com os mais torpes fins antidemocráticos. Ao assumir a embaixada norte-americana em Brasília, na quinta-feira, Shannon aconselhou o governo da Venezuela a não reprimir e sim abrir espaço e escutar ao povo venezuelano, em referência as manifestações de opositores realizadas nos últimos dias. A chancelaria venezuelana, por sua vez, disse que o diplomata americano não pode pretender dar lições de democracia à Venezuela, que realizou mais de dez eleições desde 1999 e que se encaminha para as eleições legislativas em setembro. Nos próximos meses o povo venezuelano poderá avaliar todas as ofertas políticas e expressar-se com toda liberdade nas urnas, diz o comunicado. Desde que Chávez chegou ao poder, as relações diplomáticas entre Caracas e Washington têm sido marcadas por permanente conflito. A última crise entre os dois países está marcada pela presença de tropas norte-americanas em sete bases militares na vizinha Colômbia. Para Chávez, a presença dos Estados Unidos na Colômbia representa uma ameaça à paz regional e à sua revolução.