7/2/2010 00:32:26 EUA e UE duvidam de aceno do Irã para acordo nuclear
Nova York - Os Estados Unidos e a União Europeia responderam com ceticismo à declaração iraniana, neste sábado, de que estaria próximo um acordo entre o Irã e as potências ocidentais em relação ao programa nuclear iraniano. A declaração otimista do ministro dos Negócios Estrangeiros do Irã, Manouchehr Mottaki, foi recebida com ceticismo pelos porta-vozes dos países ocidentais. O ministro iraniano falava, em uma conferência na Alemanha, sobre o que disse ser a iminência de um acordo pelo qual o urânio iraniano seria enriquecido no exterior e só então devolvido ao país para uso não-militar. Nas atuais condições, creio que estamos nos aproximando de um acordo final que possa ser aceito por todas as partes, disse Mottaki, em uma entrevista coletiva. A República Islâmica do Irã demonstrou que é séria em relação a isto (a possibilidade de acordo), e no mais alto nível. Entretanto, porta-vozes de países envolvidos nas discussões - incluindo o EUA e a Alemanha - mostraram ceticimo em relação à boa-vontade iraniana na questão. Eu não tenho a sensação de que estamos próximos de um acordo, reagiu o secretário americano de Defesa, Robert Gates, que está em Ancara, na Turquia. Ele disse que, se o Irã estivesse realmente disposto a seguir o plano, que começou a ser alinhavado em outubro, teria levado sua mensagem à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle, também expressou sua visão negativa em relação às declarações do ministro iraniano. Estamos mantendo nossa mão estendida para o Irã, mas até agora não estamos alcançando nada, disse o chanceler, durante a conferência de Munique. Não vi nada desde ontem (sexta-feira) que me faça querer mudar minha visão. Na mesma conferência, a chefe de Relações Exteriores da União Europeia, Catherine Ashton, disse que ainda falta diálogo para restaurar a confiança na natureza pacífica do programa nuclear iraniano. Já o conselheiro para Segurança Nacional dos EUA, general James Jones, advertiu que ainda podem ser tomadas medidas para punir e isolar o Irã. As declarações do ministro iraniano podem ser apenas uma nova tentativa de protelar sanções internacionais contra o país. A base para o acordo seria o entendimento fechado em outubro entre o Irã, a AIEA e o chamado grupo P5+1, formado pelos cinco países do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha e França) mais a Alemanha. A negociação previa o envio de cerca de 70% do urânio iraniano com baixo índice de enriquecimento (3,5%) para a Rússia e para a França, onde seria processado e transformado em combustível para um reator nuclear, com enriquecimento de 20%. Mas em janeiro, diplomatas informaram que o Irã havia rejeitado os termos do acordo, pedindo uma troca simultânea entre o urânio e o combustível em seu próprio território. Dias depois, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse que não haveria problema em enriquecer o urânio de seu país no exterior - declaração que foi recebida com cautela no ocidente. Entre as idas e vindas do regime iraniano, EUA, a Grã-Bretanha e a França passaram a discutir abertamente novas medidas de pressão. Já a China, que se opôe a novas sanções, afirmou que é preciso paciência nas negociações, neste momento crucial.