O governador Marcelo Déda (PT) pode estar cometendo um erro ao tentar a unanimidade para o seu projeto de reeleição. Em política, como bem sabe o governador, isso não existe. Em 1998, ainda no século passado, Albano Franco (PSDB) foi o primeiro governador no exercício do mandato favorecido com o instituto da reeleição. De caixa cheio em função da venda da Energipe, Albano saiu fazendo a festa, município por município, atraindo todos para o seu palanque. Em algumas cidades era preciso fazer mais de um comício na mesma noite para prestigiar todos os aliados. A busca pela unanimidade foi tanta que conseguiu atrair até o apoio do deputado federal Jackson Barreto (PMDB), derrotado por ele na eleição de 1994 e inimigo histórico desde o movimento estudantil, na década de 60. Albano foi reeleito, mas teve que disputar, mais uma vez, um incômodo segundo turno. Marcelo Déda foi eleito governador em 2006, no primeiro turno, derrotando não apenas João Alves Filho, que estava no exercício do governo, mas toda a máquina administrativa do Estado usada escancaradamente durante a campanha eleitoral e todas as tradicionais lideranças da política sergipana. Tinha ao seu lado um bloco de centro-esquerda, construído exatamente a partir da campanha eleitoral de 1994, com Jackson e o senador Antonio Carlos Valadares (PSB). Eleito, Déda montou uma equipe privilegiando todos os partidos da chamada base aliada e, antes mesmo de assumir o mandato, construiu uma folgada maioria na Assembleia Legislativa, mesmo tendo conseguido eleger menos da metade da casa. Hoje, dos 24 deputados, apenas cinco fazem oposição ao governo. Somente no período da ditadura militar, quando os governadores eram nomeados, os chefes do executivo estadual possuíam tamanha maioria no legislativo. Desde o início da sua vida pública, Marcelo Déda sempre demonstrou um pragmatismo muito grande, destoando das correntes mais progressistas do PT, inclusive no Estado. Foi assim em 1987, quando, na condição de o deputado estadual mais votado da história, costurou uma aliança com o então governador Valadares e a partir de 1995, quando chegou à liderança do PT na Câmara dos Deputados. Como prefeito de Aracaju e, principalmente governador do Estado, esse pragmatismo chegou ao extremo. Uma coisa foi construir uma aliança como a de 2006, quando foi necessário buscar apoios em todos os rincões para viabilizar o projeto de mudança política no Estado e garantir a participação de todos os aliados na administração estadual. Outra, muito distinta, é a busca desenfreada por novos aliados que vem sendo adotada agora pelo governador, que chega a causar constrangimentos a quem esteve ao seu lado desde a primeira hora. O bordão adotado em seu novo discurso – “Eu quero ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar”, verso de uma música de Roberto Carlos – cria um viés perigoso. Políticos adversários e inimigos históricos podem até dividir o mesmo palanque em torno de uma causa maior, como a campanha das diretas, em 1984, nunca em torno de uma candidatura. Fica mal na fita e o povo, aquele que vota, não entende. E ainda reforça o velho discurso de que todos os políticos são iguais.
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A busca desenfreada por novos aliados que vem sendo adotada agora pelo governador, chega a causar constrangimentos a quem esteve ao seu lado desde a primeira hora. E ainda reforça o velho discurso de que todos os políticos são iguais
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Chapa
Déda passou a considerar o senador Almeida Lima (PMDB) como um dos postulantes de uma vaga na chapa majoritária a ser apresentada para as eleições de outubro. Aumenta a disputa, que já tem o senador Valadares, os deputados federais Jackson Barreto e Eduardo Amorim (PSC), o vice-governador Belivaldo Chagas (PSB) e o presidente da Assembleia, deputado Ulices Andrade (PDT). Como na vaga de governador ninguém mexe, Déda tem cinco nomes para três vagas. E uma boa confusão pela frente.
Almeida
Mais novo integrante da tropa de choque do governo, Almeida Lima está tentando se recompor com antigos companheiros, inclusive com o primo Jackson Barreto, que o lançou na política. Na sexta-feira, durante a posse do novo diretor do DNOCS no Estado, Almeida disse que levantou a bandeira branca e que está tentando corrigir equívocos anteriores.
Tranquilo
Apesar de estar em final de mandato, Almeida não demonstra desespero com a perspectiva de ficar uma temporada sem mandato. Da mesma forma que ocorreu em 1996, quando deixou a Prefeitura de Aracaju, após cumprir o mandato-tampão, surgido a partir da renúncia de Jackson para disputar o governo estadual, em 1994. Se houver chance de integrar a chapa majoritária aceita de bom grado. Se não, aguarda a próxima eleição.
Ministro
Se for confirmado como um dos ministros do PMDB na etapa final do Governo Lula, Almeida terminaria o mandato com chave de ouro. Foi execrado pela imprensa nacional por sua excessiva vaidade, discursos sem sentido e pela defesa de todos os escândalos envolvendo os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e José Sarney (PMDB-AP).
Prefeitura
Almeida Lima tenta pavimentar um caminho tranquilo para disputar a sucessão do prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB) em 2012, sem adversários de peso. Por isso, não parece demonstrar esforço em pleitear uma vaga na chapa de Déda.
Bases
Albano Franco e Jackson Barreto desmontaram toda a rede de apoio que tiveram nas eleições para deputado federal em 2006. Sinal de que os dois pretendem mesmo disputar o Senado.
Convenção
O senador Almeida Lima e o secretário da Administração, Jorge Alberto, foram eleitos ontem membros titulares do diretório nacional do PMDB. Almeida, ao menos até o início da tarde de ontem, quando esta coluna foi fechada, não havia chegada a Brasília para a convenção do partido. Dos delegados sergipanos, apenas Jorge Alberto e Jackson Barreto estavam presentes.
Composição
Jorge Alberto não soube explicar a razão de Jackson ter ficado de fora do diretório nacional. Disse que ele mesmo foi convidado a integrar a chapa na semana passada pelo presidente da Fundação Ulisses Guimarães, Eliseu Padilha. Informou que o diretório estadual não discutiu a indicação de nomes.
Força
Jorge Alberto ficou impressionado com a força demonstrada pelo presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), que foi reeleito para o terceiro mandato e aclamado como candidato do partido a vice-presidente na chama da ministra Dilma Roussef. Todos os governadores – a exceção de Luiz Henrique, de Santa Catarina – e lideranças expressivas compareceram a convenção.
Cautela
Depois das inúmeras entrevistas concedidas no período do Pré-Caju, o senador Valadares voltou a se recolher. Tem evitado atender jornalistas, até para evitar comentários sobre as declarações do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), pré-candidato do PSB a presidente da República. Ciro disse que Valadares é um dos poucos no PSB contrário a sua candidatura a presidente, em função de dificuldades eleitorais em Sergipe. Segundo Ciro, Valadares depende de uma aliança com o PT para garantir a sua reeleição.
Não muda
Com o fim da verticalização, a aliança do PT com o PSB em Sergipe não tem relação com a candidatura de Ciro Gomes a presidente. A não ser que o diretório nacional baixasse uma resolução proibindo coligações com o PT, o que não deve acontecer. Até porque Valadares é líder do partido no Senado e tem força no diretório nacional.
Satisfeito
O governador Marcelo Déda saiu satisfeito, ontem à noite da Barra dos Coqueiros, depois de inaugurar uma série de obras no município. O prefeito Gilson dos Anjos, eleito pela oposição, fez um discurso que soou como adesão. “Quero agradecer em nome do município e dos seus cidadãos pelo volume de obras que este governo tem trazido à nossa cidade. Esta é uma prova de que a administração é conduzida sem preconceitos e visando o bem do povo, sobretudo, os mais carentes”, avaliou o prefeito.
Prefeitura
Nesta segunda-feira, o prefeito de Aracaju em exercício, Silvio Santos, devolverá o cargo a Edvaldo Nogueira, que retorna às atividades depois de 15 dias de férias. A solenidade acontece às 16 horas no auditório do Centro Administrativo. No período em que Edvaldo esteve afastado, Silvio Santos deu continuidade às ações iniciadas no município em diversas áreas. Entre outras atividades, ele visitou obras, participou de reuniões com gestores municipais e representantes de sindicatos e acompanhou de perto os preparativos para o Projeto Verão e para o Carnaval 2010.