É verdade que o esquema de horário de trabalho dos policiais militares é um verdadeiro pandemônio, motivado inclusive por omissões na legislação. Mas nada que justifique submeter a população a uma nova operação Tolerância Zero para conseguir as atenções do governo para o problema. Ano passado, os militares utilizaram-se do mesmo expediente para conseguir do governo um bom reajuste salarial. Conseguiram aumento dos soldos que chegaram a 80%, pagos de forma escalonada. Para quem não se lembra, a operação Tolerância Zero foi aquele movimento segundo o qual os militares passaram a atuar sob estrita observância do conjunto de normas, a seu favor claro. Pelo movimento, um policial que não tenha feito o curso de direção defensiva recusa-se a dirigir a patrulha, se uma operação policial extrapolar o seu horário de trabalho, idem. Também se recusaram a substituir delegados ou escrivões em plantões. Algumas delegacias até fecharam as portas por falta de efetivo. Os policiais militares não costumam ser tão legalistas quando é o seu interesse que está em questão. A cessão do governo às pressões da categoria acabou por criar uma casta dentro da estrutura administrativa do Estado. Não que os policiais, civis e militares, não mereçam ser bem remunerados. Mas o fato é que hoje, quase todas as demais categorias, como médicos, professores, engenheiros, contadores, enfermeiros, etc, recebem remunerações bem inferiores. Não foram contemplados com recuperações de defasagens salariais. Agora, conhecendo o caminho das pedras, novamente os PM´s ameaçam fazer “greve branca”, sem sequer iniciar processo de negociação, de conversa com o governo. A grande vítima será novamente a população. Se há dúvida quanto à legalidade desta ou daquela escala de plantão – 12 por 36, 24 por 96 ou qualquer outra que exista – que se discuta o assunto e analise a legalidade para que uma solução venha a ser encontrada. Inclusive envolvendo a Procuradoria Geral do Estado (PGE) e a Assembleia Legislativa quanto à possível mudança ba lei, se for o caso. Não pode é, com tantos problemas de violência no Estado, a população ficar refém desta ou daquela categoria e o governo não adotar as providências necessárias.