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30/7/2010 08:20:43
Julgado o último réu do assassinato de promotor em Cedro

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

O Tribunal do Júri da Comarca de Japaratuba promoveu ontem o julgamento do bacharel em Direito Kléber Gonçalves de Melo, último dos oito réus no caso do assassinato do promotor Valdir de Freitas Dantas, morto a tiros no dia 19 de março de 1998, em Cedro de São João, norte do estado. Na época do crime, Kléber era assessor jurídico da prefeitura local e foi acusado de intermediar a contratação dos homens que executaram o crime, a mando do então prefeito Luiz Delfino de Souza - já condenado a 19 anos de prisão como mandante do homicídio.  
O julgamento começou por volta das 9h de ontem e ocorreu no Fórum de Japaratuba a pedido dos advogados de defesa, que não quiseram a realização do júri em Aracaju, onde os outros réus foram condenados. Kléber não sentou no banco dos réus, pois pela lei, tem direito de auxiliar a sua própria defesa por ser formado em Direito. Todas as testemunhas foram dispensadas de prestar depoimentos e a principal parte do julgamento foi o debate entre acusação e defesa. Mesmo assim, o resultado não foi divulgado até às 21h30, hora em que esta edição foi fechada.
O advogado de defesa, Joaquim Gonçalves, sustentou que não há provas da participação do bacharel na morte de Valdir e que esta acusação já foi julgada improcedente pelo Tribunal de Justiça. Já o promotor Rogério Ferreira baseou-se nas provas levantadas contra Kléber no inquérito policial do caso e pediu a condenação dele por crime de homicídio qualificado, o que renderia ao acusado uma pena de até 20 anos de prisão.
A denúncia do Ministério Público apontou o réu como amigo íntimo de Delfino e do juiz aposentado Francisco de Melo Novais, outro acusado de ser mandante do crime, que chegou a ser condenado, em 2002, a 18 anos de cadeia, mas conseguiu anular o julgamento. Esta decisão forçou o MPE a impetrar recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, onde o processo está parado desde junho de 2008.
Enquanto fazia uma corrida matinal na estrada de acesso à Cedro de São João, Valdir Dantas foi atingido com cinco tiros, sendo três na cabeça, por meio de uma emboscada armada por cinco homens. O promotor investigava denúncias de corrupção contra Delfino e Novais e movia ações na Justiça pedindo o afastamento deles de seus cargos. Os cinco executores do crime, Rui Oliveira dos Anjos, José Honório Rodrigues Neto, Ricardo Luiz Santos Costa, Nilton Félix e Enock Pedro da Silva, já foram condenados por homicídio e dois deles, Nilton e Enock, ainda cumprem pena.
Até o fechamento desta edição o júri ainda não havia acabado.
 
 
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