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Opinião
28/2/2010 02:13:21
50 ANOS DA EMPRESA SENHOR DO BOMFIM

Um relance do olhar em busca do passado fará erguer um totem de homenagens a figuras de empresários, com suas projeções, mas sem a garantia de que os seus empreendimentos sobreviveram em Sergipe.

Luiz Antonio Barreto
institutotobiasbarreto@infonet.com.br
 
Poucas empresas sergipanas dobraram 50 anos de existência, evoluindo, crescendo, procurando adaptar-se às exigências do tempo. Um relance do olhar em busca do passado fará erguer um totem de homenagens a figuras de empresários, com suas projeções, mas sem a garantia de que os seus empreendimentos sobreviveram em Sergipe. Os fundadores e administradores de A. Fonseca, Sabino Ribeiro, Bastos Coelho, José Alcides Leite, e centenas de empresários e empresas, desde os usineiros, beneficiadores de algodão, modernizadores do comércio, que fizeram a riqueza do Estado e a prosperidade do povo sergipano, são boas e exemplares evocações.
Os exemplos mais novos, dos irmãos Paes Mendonça e de João Carlos Paes Mendonça, Augusto do Prado Franco e seus filhos, de Oviêdo Teixeira e seus filhos, de Gentil Barbosa e de Noel Barbosa, de José Silva, João Alves, o pai e o Filho, e mais recentemente José Augusto Vieira, demonstram uma espécie de seletividade de capitais e investimentos, em parte decorrentes do potencial que a classe média sergipana tem acumulado como consumidora, com quantias generosas, mensais, para gastar. Inclui-se, nesse contexto, a presença da PETROBRÁS e de outros grandes agentes do processo do desenvolvimento, que oferecem garantia ao desempenho da classe média pujante e bem disposta.
No setor dos transportes a Empresa Senhor do Bomfim é o melhor exemplo e José Lauro Menezes Silva o melhor testemunho de trabalho. Tudo começou há 50 anos, quando Oviêdo Teixeira, pai de Gilza e sogro de José Lauro, teve a idéia de comprar três velhas marinetes (nome que era dado aos ônibus com bagageiro na parte superior externa) de propriedade de Marinho Tavares. Oviêdo Teixeira queria que a filha casada permanecesse em Aracaju, deixando de morar no município de Riachão do Dantas, na Fazenda Maxixe, de propriedade de Zeca Barbosa, pai de José Lauro. O negócio foi feito e de criador de gado José Lauro Menezes Silva, nascido em Lagarto, passou a organizar uma empresa – Firma Individual – para tocar a nova atividade: nascia a moderna Empresa Senhor do Bomfim, no dia 24 de fevereiro de 1960.
José Lauro Menezes Silva assumiu a empresa com a garra de quem tinha uma meta determinada, um objetivo seguro, uma disposição férrea para levar adiante um dos mais requeridos e, naquele tempo, complicados serviços. Sergipe e principalmente Aracaju guardavam memória dos vários tipos de transporte que serviram à população: barcos com viagens pelo rio Sergipe, atendendo aos portos de Laranjeiras, Maroim, Riachuelo, Santo Amaro das Brotas, secundados por Saveiros, que transportavam açúcar e outras mercadorias, e conduzia passageiros; bondes, à tração animal; trens, unindo Bahia e Sergipe e cortando Sergipe, do sul ao norte, com seus trilhos cortando as cidades, ao longo da rota. Dois trens Suburbanos ligavam Salgado e Capela a Aracaju, o que incluía passageiros de várias estações. Depois surgiram as marinetes, os bondes elétricos, os caminhões “pau de arara” que transportavam feirantes e outros viajantes, os carros de praça (táxis), os aviões, que desciam no leito do rio Sergipe e, mais tarde, pousavam no Campo de Aviação do Aero Clube de Sergipe. Por último surgiu o veículo utilitário Kombi, transportando passageiros entre o centro e os bairros da capital.
Foi diante de um quadro degradado dos transportes públicos, que José Lauro Menezes Silva preparou a Empresa Senhor do Bomfim para modernizar os serviços de transportes de passageiros, entre Aracaju e algumas cidades do interior, Aracaju e Salvador e outros destinos fora do Estado, até que em 1969 o então Prefeito José Aloísio de Campos abriu procedimento legal para exploração das linhas de transporte entre o centro de Aracaju e os bairros. Com a experiência do transporte intermunicipal e interestadual, a Bomfim ganhou a concorrência e deu início a uma nova era, comprando ônibus novos, confortáveis e seguros, superando o atraso que, por quase um século, marcou o serviço de transporte de passageiros em Sergipe.
Em 50 anos a Empresa Senhor do Bomfim multiplicou seus serviços, suas linhas, seus ônibus, tornando-se uma grande empresa, viajando em sete Estados, atendendo a diversos municípios do interior sergipano, com presença em Salvador, através da Barramar, e com serviços de turismo. Seus moderníssimos carros, que fazem a linha Aracaju-Salvador, em várias horários por dia, são carinhosamente conhecidos como “aviões da Bomfim”, o que sugere conforto, rapidez, segurança, e tudo o mais que é próprio das companhias aéreas.
José Lauro Menezes Silva, que conta com a colaboração do filho Lauro Antonio Teixeira Menezes, na expansão e na direção empresarial, continua na luta diária e aos 74 anos, feitos na semana passada (17 de fevereiro), esbanja juventude, administra como se estivesse começando um novo negócio, e tem a consciência de que deu sua parcela de contribuição ao desenvolvimento de Sergipe e ao bem estar dos sergipanos. Por isto mesmo iguala-se aos maiores empresários do Estado, com uma biografia toda ela de trabalho e de exemplaridade para as novas gerações de empreendedores sergipanos.
 
 
 
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