Quilombolas de Brejo Grande comemoram alta produção de arroz

Economia

Os quilombolas que vivem na região de Resina, no município de Brejo Grande, tiveram suas vidas transformadas depois de dezembro de 2010, quando passaram a ser oficialmente os donos das terras onde, por diversas gerações, já viviam suas famílias. A decisão corrige um erro histórico, já que a área dessas populações tradicionais era, até então, ocupada de maneira irregular por um grupo de fazendeiros, que exploravam as terras e as famílias quilombolas.

Quase três anos depois, as lembranças de ameaças, humilhações, destruição das plantações e violência sofridas pela população local ficaram para trás. Hoje, os quilombolas e agricultores da região comemoram a mais alta produção de arroz já registrada na região: 450 toneladas, o equivalente a 7 mil e quinhentos sacos do grão.

Para a deputada estadual Ana Lúcia (PT), que acompanhou e encampou a luta das comunidades de Brejo Grande pelo acesso à terra, "a alta produção comprovou que as terras passaram a ter uso e valor não apenas de mercado, mas modificaram profundamente vida das famílias que nelas vivem e sempre viveram, gerando renda e lhes resgatando a dignidade".

O líder quilombola José Francisco Procidônio dos Santos, conhecido como Chicão, conta que as 29 famílias que vivem na região plantaram em nove das onze lagoas existentes no município. A quantidade de arroz produzido foi tão grande, que possibilitou os rizicultores consumir parte do que foi colhido, vender a maior parcela e ainda produzir sementes com o excedente, já pensando nas próximas safras.

Cada alqueire produzido, equivalente a 240 quilos de arroz, foi vendido a cerca de R$ 150, valor superior à safra anterior, que chegou a uma média de R$ 110. O aumento comprova que a qualidade do arroz da última safra foi superior ao da anterior e é resultado de diversos fatores como a qualidade das sementes utilizadas e o investimento em assessoria técnica, fornecido pela Secretaria de Estado da Agricultura e com o apoio da deputada Ana Lúcia (PT).

O lucro da venda possibilitou aos quilombolas outros investimentos, como o plantio de novas culturas, a exemplo da mandioca, do amendoim, do milho, do coco e do feijão e até mesmo a aquisição de animais. "Com o lucro desta safra alguns compraram porcos, outros cabras, outros investiram em bezerros. O mais importante é que agora nós temos condições de arcar com os custos da criação destes animais", conta o agricultor Pedro Procidônio.

A produção diversificada foi um passo importante para os quilombolas, pois antes de terem acesso à terra, eles dependiam apenas da pesca, atividade sazonal, e do seguro-defeso, pago uma vez por ano no período em que a pesca não é permitida. "Antigamente, ou a gente tinha a pesca, de ano em ano, ou não tinha mais nada. Com o Rio São Francisco morrendo, tinha ficado ainda mais difícil pescar e viver", contou Pedro, ao recordar as dificuldades passadas pela sua comunidade antes de ter acesso à terra.


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