NITROFÉRTIL PRODUZIU MAIS QUE FERTILIZANTES

Rômulo Rodrigues

 

* Rômulo Rodrigues
A esquerda em Sergipe ganhou um poderoso aliado nas lutas sociais com a chegada de grandes empreendimentos no início da década de 1980.
A expansão das atividades da Petrobrás e, em consequência, a implantação de grandes projetos industriais, trouxeram para nosso Estado uma torrente de técnicos e operários especializados e, junto, uma vanguarda de militantes políticos e sindicais experimentados nas lutas, em outros estados.
A NITORFÉRTIL e a PETROMISA (mas não só) são os melhores exemplos. Logo ao se instalarem aqui os operários dessas Fábricas iniciaram seus processos de organização que tiveram origens como Associações Corporativas, mas que já extrapolavam as limitações dessas entidades e fizeram surgir várias redes de solidariedade e apoio às lutas de tantas outras categorias.
O Brasil vivia o seu despertar democrático na medida em que as forças reacionárias que tomaram a República se mostravam mais e mais desgastadas e fragilizadas pela resistência sistemática do povo em suas diversas formas de luta e de novas e velhas consignas.
No caso específico da NITROFÉRTIL, seu operariado faz fervilhar todo um debate político dentro da Fábrica, em seus diversos turnos de trabalho. A sua Associação Profissional de Trabalhadores Petroquímicos-APEQ  logo se viu influenciando não somente o movimento sindical bem como movimentos por terra, moradias, ocupação de espaços para moradias e outros tantos quanto a procurassem.
No meio da turbulência veio a campanha das Diretas-Já de 1984 e a APEQ com sua Bandeira Amarela, com letras pretas, destaca-se dando o tom dos comícios e passeatas, firmando-se como norte para os trabalhadores do Campo e da Cidade.
Em seguida, 1985, eleição para Prefeitos das Capitais, a primeira depois da reconquista da Democracia, os Petroquímicos são força motriz na indicação e condução da campanha do seu jovem Advogado Marcelo Deda a Prefeito de Aracaju, numa das mais lindas e empolgantes campanhas eleitorais.
Dois anos depois de criada a Associação conquista o "status" de Sindicato passando a denominar-se SINDIQUUÍMICA/SE, homônimo do seu similar na Bahia, SINDIQUÍMICA/BA.
Já como Sindicato e no comando da recém-criada Central Única dos Trabalhadores, unificou as lutas históricas da classe nas conquistas da Barra da Onça em 1985 e Borda da Mata em 1986, ano em que Marcelo Deda, filho das lutas, abriu os espaços de ocupação para os trabalhadores, no Poder Político, com sua eleição e de Marcelo Ribeiro para a Assembleia Legislativa.
Em 1989 o Brasil elege o presidente Fernando Collor e abre as porta para o Neoliberalismo destruidor das Empresas e riquezas Estatais, decretando o fechamento imediato da PETROMISA.
O Plano Collor que foi um verdadeiro assalto à popança da classe média que havia votado nele, achatou violentamente os salários, provocou demissões em massa com os PDV'S e atacou com violência a cadeia produtiva dos Fertilizantes Nitrogenados, pondo em risco a vida das nossas Fábricas de Laranjeiras e Camaçari.
A resposta imediata dos Petroquímicos foi intensificar o potencial de organização e luta que teve como ponto alto a criação de uma CPMI para denunciar a rede de corrupção na ofensiva de privatizações do Governo Collor.
A frente de luta da CPMI teve o importante apoio do Deputado Federal por Sergipe Pedrinho Valadares, que cedeu seu Gabinete no Anexo IV da Câmara para que fosse o Quartel General, que desmascarou a podridão da Corrupção nas privatizações da cadeia estatal dos fertilizantes e, através das revelações ocasionou elaboração do decreto que fez o Presidente Itamar Franco, por Lei, incorporar as duas NITROFÉRTIL à Petrobras em Junho de 1993, como FAFEN.
Para que fosse possível a incorporação, aconteceu um fatomuito fundamental; estava marcada uma reunião plena da Direção da Petrobras e, o Prefeito de Aracaju Jackson Barreto, a nosso pedido, se deslocou até Brasília e, em audiência com o então Ministro das Minas e Energia, Paulino Cícero, abriu espaço para que relatássemos todo o processo em que a categoria era vitoriosa numa causa trabalhista, já transitada em julgado e aguardando execução, num valor de 220 milhões de Dólares e, pediu-lhe que tirasse a privatização das Fábricas da pauta, no que foi prontamente atendido. O fato teve muita relevância para a categoria Petroquímica.
Criou-se um impasse quando a Petrobras contestou os direitos trabalhistas e disse que só aprovaria o acordo se os trabalhadores renunciassem à ação. A contra proposta dos trabalhadores foi que isso só seria possível mediante cláusula expressa de que aFAFEN jamais seria privatizada ou fechada e aí, virou impasse de infinita grandeza.
Foi então que abrimos uma frente de pressão com Aureliano Chaves, com muita influência junto a Itamar e após uma semana de negociações com assessores dele no Rio de janeiro, no dia 02 de Dezembro de 1993, sentamos para discutir o caso e ele se encantou com nosso espírito de renúncia em prol da economia do Estado de Sergipe, orientando que fossemos entregar o documento ao Presidente Itamar, naquele mesmo dia, e disse os passos a serem dados.
E, foi nesse dia, que entrou uma pedra no meio do caminho e o processo foi interrompido contra os interesses patrióticos dos trabalhadores, com a assinatura contestável de um acordo paralelo.
Hoje, a FAFEN está com a expectativa de voltar a operar em breve; mas, não podemos esquecer que houve uma quebra de acordo. Ela operará para o Capital privado. E os direitos dos trabalhadores, onde estão? Como fica aquele processo?
* Rômulo Rodrigues é militante político

* Rômulo Rodrigues

A esquerda em Sergipe ganhou um poderoso aliado nas lutas sociais com a chegada de grandes empreendimentos no início da década de 1980.
A expansão das atividades da Petrobrás e, em consequência, a implantação de grandes projetos industriais, trouxeram para nosso Estado uma torrente de técnicos e operários especializados e, junto, uma vanguarda de militantes políticos e sindicais experimentados nas lutas, em outros estados.
A NITORFÉRTIL e a PETROMISA (mas não só) são os melhores exemplos. Logo ao se instalarem aqui os operários dessas Fábricas iniciaram seus processos de organização que tiveram origens como Associações Corporativas, mas que já extrapolavam as limitações dessas entidades e fizeram surgir várias redes de solidariedade e apoio às lutas de tantas outras categorias.
O Brasil vivia o seu despertar democrático na medida em que as forças reacionárias que tomaram a República se mostravam mais e mais desgastadas e fragilizadas pela resistência sistemática do povo em suas diversas formas de luta e de novas e velhas consignas.
No caso específico da NITROFÉRTIL, seu operariado faz fervilhar todo um debate político dentro da Fábrica, em seus diversos turnos de trabalho. A sua Associação Profissional de Trabalhadores Petroquímicos-APEQ  logo se viu influenciando não somente o movimento sindical bem como movimentos por terra, moradias, ocupação de espaços para moradias e outros tantos quanto a procurassem.
No meio da turbulência veio a campanha das Diretas-Já de 1984 e a APEQ com sua Bandeira Amarela, com letras pretas, destaca-se dando o tom dos comícios e passeatas, firmando-se como norte para os trabalhadores do Campo e da Cidade.
Em seguida, 1985, eleição para Prefeitos das Capitais, a primeira depois da reconquista da Democracia, os Petroquímicos são força motriz na indicação e condução da campanha do seu jovem Advogado Marcelo Deda a Prefeito de Aracaju, numa das mais lindas e empolgantes campanhas eleitorais.
Dois anos depois de criada a Associação conquista o "status" de Sindicato passando a denominar-se SINDIQUUÍMICA/SE, homônimo do seu similar na Bahia, SINDIQUÍMICA/BA.
Já como Sindicato e no comando da recém-criada Central Única dos Trabalhadores, unificou as lutas históricas da classe nas conquistas da Barra da Onça em 1985 e Borda da Mata em 1986, ano em que Marcelo Deda, filho das lutas, abriu os espaços de ocupação para os trabalhadores, no Poder Político, com sua eleição e de Marcelo Ribeiro para a Assembleia Legislativa.
Em 1989 o Brasil elege o presidente Fernando Collor e abre as porta para o Neoliberalismo destruidor das Empresas e riquezas Estatais, decretando o fechamento imediato da PETROMISA.
O Plano Collor que foi um verdadeiro assalto à popança da classe média que havia votado nele, achatou violentamente os salários, provocou demissões em massa com os PDV'S e atacou com violência a cadeia produtiva dos Fertilizantes Nitrogenados, pondo em risco a vida das nossas Fábricas de Laranjeiras e Camaçari.
A resposta imediata dos Petroquímicos foi intensificar o potencial de organização e luta que teve como ponto alto a criação de uma CPMI para denunciar a rede de corrupção na ofensiva de privatizações do Governo Collor.
A frente de luta da CPMI teve o importante apoio do Deputado Federal por Sergipe Pedrinho Valadares, que cedeu seu Gabinete no Anexo IV da Câmara para que fosse o Quartel General, que desmascarou a podridão da Corrupção nas privatizações da cadeia estatal dos fertilizantes e, através das revelações ocasionou elaboração do decreto que fez o Presidente Itamar Franco, por Lei, incorporar as duas NITROFÉRTIL à Petrobras em Junho de 1993, como FAFEN.
Para que fosse possível a incorporação, aconteceu um fatomuito fundamental; estava marcada uma reunião plena da Direção da Petrobras e, o Prefeito de Aracaju Jackson Barreto, a nosso pedido, se deslocou até Brasília e, em audiência com o então Ministro das Minas e Energia, Paulino Cícero, abriu espaço para que relatássemos todo o processo em que a categoria era vitoriosa numa causa trabalhista, já transitada em julgado e aguardando execução, num valor de 220 milhões de Dólares e, pediu-lhe que tirasse a privatização das Fábricas da pauta, no que foi prontamente atendido. O fato teve muita relevância para a categoria Petroquímica.
Criou-se um impasse quando a Petrobras contestou os direitos trabalhistas e disse que só aprovaria o acordo se os trabalhadores renunciassem à ação. A contra proposta dos trabalhadores foi que isso só seria possível mediante cláusula expressa de que aFAFEN jamais seria privatizada ou fechada e aí, virou impasse de infinita grandeza.
Foi então que abrimos uma frente de pressão com Aureliano Chaves, com muita influência junto a Itamar e após uma semana de negociações com assessores dele no Rio de janeiro, no dia 02 de Dezembro de 1993, sentamos para discutir o caso e ele se encantou com nosso espírito de renúncia em prol da economia do Estado de Sergipe, orientando que fossemos entregar o documento ao Presidente Itamar, naquele mesmo dia, e disse os passos a serem dados.
E, foi nesse dia, que entrou uma pedra no meio do caminho e o processo foi interrompido contra os interesses patrióticos dos trabalhadores, com a assinatura contestável de um acordo paralelo.
Hoje, a FAFEN está com a expectativa de voltar a operar em breve; mas, não podemos esquecer que houve uma quebra de acordo. Ela operará para o Capital privado. E os direitos dos trabalhadores, onde estão? Como fica aquele processo?

* Rômulo Rodrigues é militante político

 


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