CRISE PROLONGADA

Rômulo Rodrigues

 

* Rômulo Rodrigues
O governo Bolsonaro, como um núcleo coeso de governança, constituído numa aliança entre a direita e a extrema direita, ou seja, o excremento social mais perigoso formado em toda a história do País durou tão somente 480 dias, 100 dias a menos que Lula suportou em cárcere privado, e veio a se romper na sexta feira, 24 de Abril, dando início a uma declarada guerra pelo controle do espólio do que há de pior em se tratando de pensamento político: o Fascismo.
Passados 6 dias do racha os números indicam que há uma queda grande na avaliação positiva de Bolsonaro, rompendo a barreira dos 30% de bom e ótimo, chegando a 27%, o seu pior nível.
No período, saltou de 42% para 49% os que avaliam o governo como ruim ou péssimo e a turma do deixa como está para ver como é que fica com 24%.
E tem mais: 46% acham que vai piorar,30% ainda tem esperança de melhora e 24 em cima do muro, sendo esta a quarta pesquisa seguida que apura  o derretimento do governo.
Alheio a tudo, Bolsonaro voltou a dar seu showzinho particular no domingo, em frente ao Palácio do Planalto, para sua clientela de imbecis, assistindo e incentivando agressões contra profissionais da imprensa e insuflando a plebe ignara contra o STF e o Congresso Nacional.
No auge de sua bestialidade disse que tinha irrestrito apoio das Forças Armadas para passar por cima da Constituição Federal e se auto proclamou o próprio Estado.
Totalmente distanciado da Sociedade Civil Organizada, que se posicionou contra qualquer retrocesso na Ordem Constitucional, já segunda feira, Bolsonaro leva um chega par lá de advertência do Alto Comando das Forças Armadas e, assim como ele esbravejou no domingo, vai ter a semana mais difícil pela frente.
Na disputa acirrada pelo comando do Fascismo, Moro aparece com alguma vantagem, à frente do oponente, podendo até dar o golpe final, a depender das provas que tenha apresentado no depoimento, no esboço de contra ofensiva em cima de Bolsonaro.
O governo Bolsonaro enfrenta uma crise prolongada desde o início, assim como enfrentou o segundo governo Vargas. Alguns seguimentos sociais continuam presentes, só que com papéis diferentes nas crise, entre eles, a classe média, os trabalhadores e as Forças Armadas.
Por questões ideológicas, a classe média apoiava as manifestações golpistas contra Getúlio por estar contaminada pelo discurso da corrupção e pelo medo do Comunismo. A Classe Trabalhadora, vindo de Três períodos de inflação sem reposição - 11% em 1950, 11% em 1951 e 21% em 1952 - se reaproximou do Presidente após o aumento de 100% no Salário Mínimo proposto por João Goulart e aprovado por Getúlio Vargas.
Os militares, enfurecidos pelo aumento do Salário Mínimo, lançaram um manifesto assinado por 82 Coronéis e Tenentes Coronéis, atacando Vagas e prenunciando um Golpe Militar.
Os golpistas não conseguiram dar o golpe de imediato, devido ao suicídio de Vargas, mas deixaram claro seu caráter anti-trabalhadores e só conseguiram o intento quando muitos já eram Generais e puderam por em prática o desejo de massacrar a Classe Trabalhadora, como serventia ao Patronato.
Diferente do que fez Carlos Lacerda com toda a sua UDN e aliados contra Getúlio Vargas, inconformados com a derrota do Brigadeiro Eduardo Gomes e de Aécio Neves com o seu PSDB e aliados contra Dilma Rousseff após a derrota de 2014; o PT, PC do B e PSOL não ergueram nenhuma barreira para impedir a governabilidade de Bolsonaro e suas milícias na sequência do desastroso governo.
Muito pelo contrário, o próprio Capitão e seus três filhotes amestrados são quem estão dando veracidade ao que se sabia da direita e da extrema direita, quando se unem e perdem uma eleição fazem de tudo para destruir o País. Quando conseguem vencer, mesmo com fraude, destroem.
Entre a eleição de Getúlio Vargas e o golpe militar de 1964, houve eleições para renovar dois terços do Senado e o preenchimento das 409 vagas da Câmara dos Deputados.
O destaque foi que os EUA, através do Embaixador Lincoln Gordon, desembolsou cinco milhões de dólares para eleger uma bancada de 111 parlamentares, sob a coordenação do pai de Aécio Neves, para atuarem no golpe contra João Goulart, fenômeno que se repetiu na eleição de 2014, sob a coordenação de Eduardo Cunha, para derrubar Dilma Rousseff.
Na derrubada de Dilma ficou muito claro o que disse o então Senador Romero Jucá: é para estancar a sangria da Lava jato e está tudo combinado com os chefes militares, com o Supremo, com tudo e só será possível se tirar a Dilma.
O enigma da crise do atual governo é que não tem nenhuma semelhança, nem identificação com todas as outras crises que já existiram; sendo o governo quem se constitui na própria crise que o envolve e o destrói.
Entretanto, o prolongamento da crise, estará diretamente subordinado ao comportamento das forças democráticas e progressistas e a contensão do Fascismo se dará mediante a constatação de uma realidade que salta aos olhos e que vai ser preciso muita coragem para enfrentá-la, que é; para quê afinal servem as Forças Armadas, com um orçamento da ordem de 200 bilhões de Reais e não protege, sequer, a soberania do País?
* Rômulo Rodrigues é militante político

* Rômulo Rodrigues

O governo Bolsonaro, como um núcleo coeso de governança, constituído numa aliança entre a direita e a extrema direita, ou seja, o excremento social mais perigoso formado em toda a história do País durou tão somente 480 dias, 100 dias a menos que Lula suportou em cárcere privado, e veio a se romper na sexta feira, 24 de Abril, dando início a uma declarada guerra pelo controle do espólio do que há de pior em se tratando de pensamento político: o Fascismo.
Passados 6 dias do racha os números indicam que há uma queda grande na avaliação positiva de Bolsonaro, rompendo a barreira dos 30% de bom e ótimo, chegando a 27%, o seu pior nível.
No período, saltou de 42% para 49% os que avaliam o governo como ruim ou péssimo e a turma do deixa como está para ver como é que fica com 24%.
E tem mais: 46% acham que vai piorar,30% ainda tem esperança de melhora e 24 em cima do muro, sendo esta a quarta pesquisa seguida que apura  o derretimento do governo.
Alheio a tudo, Bolsonaro voltou a dar seu showzinho particular no domingo, em frente ao Palácio do Planalto, para sua clientela de imbecis, assistindo e incentivando agressões contra profissionais da imprensa e insuflando a plebe ignara contra o STF e o Congresso Nacional.
No auge de sua bestialidade disse que tinha irrestrito apoio das Forças Armadas para passar por cima da Constituição Federal e se auto proclamou o próprio Estado.
Totalmente distanciado da Sociedade Civil Organizada, que se posicionou contra qualquer retrocesso na Ordem Constitucional, já segunda feira, Bolsonaro leva um chega par lá de advertência do Alto Comando das Forças Armadas e, assim como ele esbravejou no domingo, vai ter a semana mais difícil pela frente.
Na disputa acirrada pelo comando do Fascismo, Moro aparece com alguma vantagem, à frente do oponente, podendo até dar o golpe final, a depender das provas que tenha apresentado no depoimento, no esboço de contra ofensiva em cima de Bolsonaro.
O governo Bolsonaro enfrenta uma crise prolongada desde o início, assim como enfrentou o segundo governo Vargas. Alguns seguimentos sociais continuam presentes, só que com papéis diferentes nas crise, entre eles, a classe média, os trabalhadores e as Forças Armadas.
Por questões ideológicas, a classe média apoiava as manifestações golpistas contra Getúlio por estar contaminada pelo discurso da corrupção e pelo medo do Comunismo. A Classe Trabalhadora, vindo de Três períodos de inflação sem reposição - 11% em 1950, 11% em 1951 e 21% em 1952 - se reaproximou do Presidente após o aumento de 100% no Salário Mínimo proposto por João Goulart e aprovado por Getúlio Vargas.
Os militares, enfurecidos pelo aumento do Salário Mínimo, lançaram um manifesto assinado por 82 Coronéis e Tenentes Coronéis, atacando Vagas e prenunciando um Golpe Militar.
Os golpistas não conseguiram dar o golpe de imediato, devido ao suicídio de Vargas, mas deixaram claro seu caráter anti-trabalhadores e só conseguiram o intento quando muitos já eram Generais e puderam por em prática o desejo de massacrar a Classe Trabalhadora, como serventia ao Patronato.
Diferente do que fez Carlos Lacerda com toda a sua UDN e aliados contra Getúlio Vargas, inconformados com a derrota do Brigadeiro Eduardo Gomes e de Aécio Neves com o seu PSDB e aliados contra Dilma Rousseff após a derrota de 2014; o PT, PC do B e PSOL não ergueram nenhuma barreira para impedir a governabilidade de Bolsonaro e suas milícias na sequência do desastroso governo.
Muito pelo contrário, o próprio Capitão e seus três filhotes amestrados são quem estão dando veracidade ao que se sabia da direita e da extrema direita, quando se unem e perdem uma eleição fazem de tudo para destruir o País. Quando conseguem vencer, mesmo com fraude, destroem.
Entre a eleição de Getúlio Vargas e o golpe militar de 1964, houve eleições para renovar dois terços do Senado e o preenchimento das 409 vagas da Câmara dos Deputados.
O destaque foi que os EUA, através do Embaixador Lincoln Gordon, desembolsou cinco milhões de dólares para eleger uma bancada de 111 parlamentares, sob a coordenação do pai de Aécio Neves, para atuarem no golpe contra João Goulart, fenômeno que se repetiu na eleição de 2014, sob a coordenação de Eduardo Cunha, para derrubar Dilma Rousseff.
Na derrubada de Dilma ficou muito claro o que disse o então Senador Romero Jucá: é para estancar a sangria da Lava jato e está tudo combinado com os chefes militares, com o Supremo, com tudo e só será possível se tirar a Dilma.
O enigma da crise do atual governo é que não tem nenhuma semelhança, nem identificação com todas as outras crises que já existiram; sendo o governo quem se constitui na própria crise que o envolve e o destrói.
Entretanto, o prolongamento da crise, estará diretamente subordinado ao comportamento das forças democráticas e progressistas e a contensão do Fascismo se dará mediante a constatação de uma realidade que salta aos olhos e que vai ser preciso muita coragem para enfrentá-la, que é; para quê afinal servem as Forças Armadas, com um orçamento da ordem de 200 bilhões de Reais e não protege, sequer, a soberania do País?

* Rômulo Rodrigues é militante político

 


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