Até onde a vista alcança

Rian Santos


  • Sensualidade latente

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Embora a responsabi-
lidade documental 
não faça nenhuma falta aos artistas visuais dos quatro cantos do mundo, há muito libertos para tratar apenas do que bem entendem, uma investigação subjetiva das paisagens vira e mexe é objeto de experiências orientadas pelos desígnios misteriosos da plástica. Edidelson Silva é desses. Pinta o que conhece, até onde a vista alcança. E assim revela.
Quem conferiu a individual 'Coisas do chão da minha terra', abrigada pela Sociedade Semear, há alguns anos, foi obrigado a enfiar os pés na lama do lugar. O traço malicioso de Edidelson, um artista que vislumbra na sensualidade latente da gente simples de seu povo uma demonstração da força e do caráter do sergipano, belisca o músculo anestesiado de certa percepção afetiva, delimitando um espaço simbólico de reconhecimento que se sobrepõe ao discurso e age por força da própria forma. Feirantes, catadoras de caranguejo e lavadeiras corpulentas. Curvas e feições que refletem culturas inteiras, à revelia de qualquer entendimento.
Pessoas e lugares. Cores e memórias. Há, nos trabalhos já trazidos a conhecimento público pelo artista, uma energia muito particular, identificada em traços vigorosos e em uma paleta dominada por tons primários (o escriba quase arrisca os adjetivos "crus" e "primitivos"). Sugere uma consciência de tribo, um pendor para a ancestralidade. Como que finca as raízes na terra. 
Nos momentos menos felizes, Edidelson resvala num esforço figurativo que fica muito aquém de suas possibilidades criativas e sensíveis. Quando acerta a mão, entretanto, empresta um significado especial à paisagem de todos os dias. 
É este artista revelador, espera-se, que volta à carga com 'Estado de ritmo e cor'. A mostra promovida pela Fundação Aperipê será inaugurada hoje, às 14 horas, no Corredor Cultural Irmão(sede da antiga Secult) - um espaço muito acanhado, até impróprio, para um artista de tanto talento.

Rian Santos

Embora a responsabi- lidade documental  não faça nenhuma falta aos artistas visuais dos quatro cantos do mundo, há muito libertos para tratar apenas do que bem entendem, uma investigação subjetiva das paisagens vira e mexe é objeto de experiências orientadas pelos desígnios misteriosos da plástica. Edidelson Silva é desses. Pinta o que conhece, até onde a vista alcança. E assim revela.
Quem conferiu a individual 'Coisas do chão da minha terra', abrigada pela Sociedade Semear, há alguns anos, foi obrigado a enfiar os pés na lama do lugar. O traço malicioso de Edidelson, um artista que vislumbra na sensualidade latente da gente simples de seu povo uma demonstração da força e do caráter do sergipano, belisca o músculo anestesiado de certa percepção afetiva, delimitando um espaço simbólico de reconhecimento que se sobrepõe ao discurso e age por força da própria forma. Feirantes, catadoras de caranguejo e lavadeiras corpulentas. Curvas e feições que refletem culturas inteiras, à revelia de qualquer entendimento.
Pessoas e lugares. Cores e memórias. Há, nos trabalhos já trazidos a conhecimento público pelo artista, uma energia muito particular, identificada em traços vigorosos e em uma paleta dominada por tons primários (o escriba quase arrisca os adjetivos "crus" e "primitivos"). Sugere uma consciência de tribo, um pendor para a ancestralidade. Como que finca as raízes na terra. 
Nos momentos menos felizes, Edidelson resvala num esforço figurativo que fica muito aquém de suas possibilidades criativas e sensíveis. Quando acerta a mão, entretanto, empresta um significado especial à paisagem de todos os dias. 
É este artista revelador, espera-se, que volta à carga com 'Estado de ritmo e cor'. A mostra promovida pela Fundação Aperipê será inaugurada hoje, às 14 horas, no Corredor Cultural Irmão(sede da antiga Secult) - um espaço muito acanhado, até impróprio, para um artista de tanto talento.

 


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