A tal da selfie

Geral


  • Três boêmios em uma Aracaju de sonhos

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Em quarenta anos, 
quando um desocu-
pado fuçar as nossas lembranças, encontrará algo diferente de tanta pose, as caras e bocas compartilhadas nas redes sociais? Desconfio que não e temo pela brevidade das tais "selfies", a imagem que resta do tempo presente.
Há algo de muito errado na sociabilidade contemporânea. Os amigos ainda se encontram, claro, falam alto e bebem como mesmo entusiasmo de sempre. A julgar pelo registro das melhores farras, contudo, não passamos de um bando de mariposas atraídas pelo brilho efêmero do flash.A mesma postura rígida, o mesmo sorriso paspalho na cara de toda a gente.
A consciência da imagem projetada em ambiente digital acabou com os brindes comovidos dos pinguços. Há exceções, naturalmente. Mas, via de regra, quem passa os olhos nos posts dos amigos encontra tudo, menos a vibração singular de um momento. 
As fotografias amareladas dos mais velhos ensinam um comportamento diferente. Outro dia, o poeta Amaral Cavalcante postou o instantâneo de um encontro ocorrido em mil novecentos e bolinha, fim dos anos 60, início dos 70, sabe-se lá onde, em uma Aracaju de sonhos, talvez. Ele, Sérgio Botto e ClínioCarvalho Guimarães. Nenhum dos três olha para a câmera, entronados em si mesmos, concentrados como estavam nas notas derramadas por um violão.
O ícone do Instagram é uma máquina fotográfica estilizada. Estilizados, no entanto, fomos todos nós - homens e mulheres simplificados, figuras de aspecto decorativo, um ser humano inteiro, amor e fúria, mudado em um contorno, reduzido em linhas gerais.

Rian Santos

Em quarenta anos,  quando um desocu- pado fuçar as nossas lembranças, encontrará algo diferente de tanta pose, as caras e bocas compartilhadas nas redes sociais? Desconfio que não e temo pela brevidade das tais "selfies", a imagem que resta do tempo presente.
Há algo de muito errado na sociabilidade contemporânea. Os amigos ainda se encontram, claro, falam alto e bebem como mesmo entusiasmo de sempre. A julgar pelo registro das melhores farras, contudo, não passamos de um bando de mariposas atraídas pelo brilho efêmero do flash.A mesma postura rígida, o mesmo sorriso paspalho na cara de toda a gente.
A consciência da imagem projetada em ambiente digital acabou com os brindes comovidos dos pinguços. Há exceções, naturalmente. Mas, via de regra, quem passa os olhos nos posts dos amigos encontra tudo, menos a vibração singular de um momento. 
As fotografias amareladas dos mais velhos ensinam um comportamento diferente. Outro dia, o poeta Amaral Cavalcante postou o instantâneo de um encontro ocorrido em mil novecentos e bolinha, fim dos anos 60, início dos 70, sabe-se lá onde, em uma Aracaju de sonhos, talvez. Ele, Sérgio Botto e ClínioCarvalho Guimarães. Nenhum dos três olha para a câmera, entronados em si mesmos, concentrados como estavam nas notas derramadas por um violão.
O ícone do Instagram é uma máquina fotográfica estilizada. Estilizados, no entanto, fomos todos nós - homens e mulheres simplificados, figuras de aspecto decorativo, um ser humano inteiro, amor e fúria, mudado em um contorno, reduzido em linhas gerais.

 


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