As saias curtas da fantasia

Geral


  • Alessandra Negrini é rainha!

 

Rian Santos 
riansantos@jornaldodiase.com.br
O folião caga regra 
foi o grande desta-
que dos últimos carnavais. Índios de apartamento, mulheres de barba na cara, os nativos da fuzarca foram tomados para Cristo, apanharam feito um boneco de Judas sob a chuva dos confetes biodegradáveis. Chegada a quarta-feira de cinzas, os autoritários recolhem os panos de bunda e folheiam o calendário, ansiosos pela próxima oportunidade de reivindicar a própria superioridade moral.
A mim, pouco me importa se o Zezé da marchinha é ou não é. Segredos de alcova só interessam a pessoas tristes, sem pecados e arrependimentos para dizerem seus. As perucas coloridas, as fantasias improvisadas pelos anônimos decididos a colocar o bloco na rua, ao contrário, afirmam em alto e bom som, para quem quiser ouvir, que a alegria pode sim ser a única norma. E azar de quem não tiver o coração forte para bater no ritmo da brincadeira.
Pobre de quem é capaz de se levar a sério em pleno Carnaval. Os ruins da cabeça, contudo, apontam o dedo duro, advogam sobre o que pode e o que não pode, adivinham pulsões enrustidas nas saias curtas das fantasias. Depõem, inadvertidos, sobre si mesmos, os coitados, vigilantes do certo e do errado, voluntários do lado certo da história, um duplo bizarro dos homens de bem.
Felizmente, o Carnaval é ainda o território do indomável, apoteose de uma sensibilidade essencialmente alheia às pautas do dia. Nas palavras do colega Milton Ribeiro, um suspiro de lucidez que chega lá do sul: "As campanhas contra as fantasias no carnaval são campanhas contra o carnaval. O carnaval pressupõe, historicamente, a troca de papéis sociais. Suspender isso é voltar à rotina".
Ou, trocando em miúdos: Alessandra Negrini é rainha. Se não transborda, extrapola e perde a linha, pode até ser desfile/protesto de escola de samba, espetáculo, mas não faz jus ao nome de folia. Nem aqui, nem na China.

Rian Santos

O folião caga regra  foi o grande desta- que dos últimos carnavais. Índios de apartamento, mulheres de barba na cara, os nativos da fuzarca foram tomados para Cristo, apanharam feito um boneco de Judas sob a chuva dos confetes biodegradáveis. Chegada a quarta-feira de cinzas, os autoritários recolhem os panos de bunda e folheiam o calendário, ansiosos pela próxima oportunidade de reivindicar a própria superioridade moral.
A mim, pouco me importa se o Zezé da marchinha é ou não é. Segredos de alcova só interessam a pessoas tristes, sem pecados e arrependimentos para dizerem seus. As perucas coloridas, as fantasias improvisadas pelos anônimos decididos a colocar o bloco na rua, ao contrário, afirmam em alto e bom som, para quem quiser ouvir, que a alegria pode sim ser a única norma. E azar de quem não tiver o coração forte para bater no ritmo da brincadeira.
Pobre de quem é capaz de se levar a sério em pleno Carnaval. Os ruins da cabeça, contudo, apontam o dedo duro, advogam sobre o que pode e o que não pode, adivinham pulsões enrustidas nas saias curtas das fantasias. Depõem, inadvertidos, sobre si mesmos, os coitados, vigilantes do certo e do errado, voluntários do lado certo da história, um duplo bizarro dos homens de bem.
Felizmente, o Carnaval é ainda o território do indomável, apoteose de uma sensibilidade essencialmente alheia às pautas do dia. Nas palavras do colega Milton Ribeiro, um suspiro de lucidez que chega lá do sul: "As campanhas contra as fantasias no carnaval são campanhas contra o carnaval. O carnaval pressupõe, historicamente, a troca de papéis sociais. Suspender isso é voltar à rotina".
Ou, trocando em miúdos: Alessandra Negrini é rainha. Se não transborda, extrapola e perde a linha, pode até ser desfile/protesto de escola de samba, espetáculo, mas não faz jus ao nome de folia. Nem aqui, nem na China.

 


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