Mar à vista!

Geral


  • No litoral sul de Sergipe, o barulho do mar não cede um segundo.

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Quem chega à Praia 
da Caueira e procu-
ra a sombra dos coqueiros,além das estradas de barro e das casas de veraneio, à esquerda do calçadão,termina por dar com os pés na água.Ao insistir em tal rumo, sempre em direção ao norte, o forasteirotalvez descubra sem querer onde o meu amigo Marcelo se esconde. Na primeira oportunidade, maré baixa, maré alta,quando a burocracia e os compromissos da vida assim permitem, um biólogo apaixonado por Guimarães Rosa foge do barulho incessante do mundo e anuncia para si mesmo, navegante pelo avesso: Mar à vista!
Último fim de semana, enquanto Aracaju fervia sob o repique ensandecido dos bloquinhos de Carnaval, Marcelo reuniu um pequeno comitê noseu refúgio tropical- tudo gente fina, elegante e sincera. Muito se bebeu, falou-se de tudo. O ronco grave dooceano não cedeu um segundo.A respiração morna da imensidãoainda reverbera em meus ouvidos.
Marcelo garante que não hospeda qualquer um. Embora a fama doÉdenpreservadono litoral sul de Sergipetenha chegado na outra banda do mundo, como atestam os gringos com pouso certo na Caueira, o candidato a um quarto precisa se submeter a uma avalição criteriosa. Eu não sei nem como fui admitido. Eu, a artista visual Gabi Etinger, o escritor Djenal Gonçalves Filho, a chefe Roberta Nascimento, o casal Ricardo e Rebeca Vieira, além dajovem GeisaAzevedo. Via de regra, gente barulhenta e sem modosnão passa nem do portão.
O sentimento chega a ser piegas, mas faz tempo que não vejo tanta estrela no céu. Pela manhã, o canto bucólico dos pássaros anuncia a alvorada, a plenos pulmões. Marcelodá nome aos solistas, um por um. Eu não atentei paraa assinatura singular dos compositores, incapaz de distinguir entre o virtuoso João de Barro e um humilde pardal. O marulho, no entanto, a palpitação revolta do universo, permanecerá sempre comigo.

Rian Santos

Quem chega à Praia  da Caueira e procu- ra a sombra dos coqueiros,além das estradas de barro e das casas de veraneio, à esquerda do calçadão,termina por dar com os pés na água.Ao insistir em tal rumo, sempre em direção ao norte, o forasteirotalvez descubra sem querer onde o meu amigo Marcelo se esconde. Na primeira oportunidade, maré baixa, maré alta,quando a burocracia e os compromissos da vida assim permitem, um biólogo apaixonado por Guimarães Rosa foge do barulho incessante do mundo e anuncia para si mesmo, navegante pelo avesso: Mar à vista!
Último fim de semana, enquanto Aracaju fervia sob o repique ensandecido dos bloquinhos de Carnaval, Marcelo reuniu um pequeno comitê noseu refúgio tropical- tudo gente fina, elegante e sincera. Muito se bebeu, falou-se de tudo. O ronco grave dooceano não cedeu um segundo.A respiração morna da imensidãoainda reverbera em meus ouvidos.
Marcelo garante que não hospeda qualquer um. Embora a fama doÉdenpreservadono litoral sul de Sergipetenha chegado na outra banda do mundo, como atestam os gringos com pouso certo na Caueira, o candidato a um quarto precisa se submeter a uma avalição criteriosa. Eu não sei nem como fui admitido. Eu, a artista visual Gabi Etinger, o escritor Djenal Gonçalves Filho, a chefe Roberta Nascimento, o casal Ricardo e Rebeca Vieira, além dajovem GeisaAzevedo. Via de regra, gente barulhenta e sem modosnão passa nem do portão.
O sentimento chega a ser piegas, mas faz tempo que não vejo tanta estrela no céu. Pela manhã, o canto bucólico dos pássaros anuncia a alvorada, a plenos pulmões. Marcelodá nome aos solistas, um por um. Eu não atentei paraa assinatura singular dos compositores, incapaz de distinguir entre o virtuoso João de Barro e um humilde pardal. O marulho, no entanto, a palpitação revolta do universo, permanecerá sempre comigo.

 


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