De alma presente

Geral


  • Bruna e Saulinho entrarão em campo com o jogo ganho

Rian Santos
riancalangodoido@yahoo.com.br
Bruna Ribeiro e Saulo
Ferreira vão me desculpar, mas a realização do show Retos Versos é uma oportunidade imperdível para jogar flores aos pés de Henrique Teles. Bruna é uma cantora excelente, não desafina nunca. Saulinho é um verdadeiro monstro das seis cordas. Um e outro já receberam todos os aplausos, como bem merecem. Mas, não fosse Henrique Teles e o seu modo particular de falar da vida, de si mesmo e dos outros, o repertório a ser desfiado no auditório do Sesc

Centro, na forma de um duo de voz e violão, teria de ser outro.
Para mim, Henrique Teles é o maior dos compositores em atividade na terrinha. Há quem prefira Fulanos ou Cicranos, naturalmente. Gosto é como braço, tem gente com mais de um. Ninguém será capaz de lhe negar, entretanto, o valor de um poeta com os pés descalços, por assim dizer, enterrados bem fundo no chão nativo, certo de seu lugar no mundo.

A bem da verdade, Bruna e Saulinho entrarão em campo com o jogo ganho. Quem esteve no Parque dos Cajueiros quando a Maria Scombona se apresentou no palco improvisado do Blend Burguer, há poucos meses, certamente não passou batido pelo entusiasmo generalizado. Henrique não cantava com os companheiros de banda há muitos anos, mas nem assim as suas canções foram esquecidas. Tal poder de comunicação, entre um artista e o seu público, só é possível quando a identificação ultrapassa as razões de natureza lógica, uma questão de pulso e de sangue que reverbera na tal da memória afetiva de um dado lugar.

Henrique é um só, desde 'Grão', álbum de estreia da Maria, ancorado em um blues rasgado, com algo de folclórico, como se ele pretendesse aproximar a guitarra elétrica e os pandeiros da feira (ninguém cita 'Chiclete com banana' de Jackson do Pandeiro à toa). Em termos formais, a sua música evoluiu sensivelmente a partir do disco seguinte, em favor da simplificação. As letras assinadas pelo dito cujo, no entanto, jamais perderam algo de calejado, mesmo quando evocam asfalto, avenida, os ponteiros apressados da vida urbana, o relógio lento de uma relação infeliz.
No show 'Retos versos', Bruna Ribeiro e Saulo Ferreira não subirão ao palco sozinhos. Contra todas as aparências, digno das maiores reverências, o Compositor estará ali.
Retos Versos:
Sexta-feira, 13 de dezembro, em duas sessões: às 19h00 e 20h30.

Bruna Ribeiro e Saulo  Ferreira vão me des- culpar, mas a realização do show Retos Versos é uma oportunidade imperdível para jogar flores aos pés de Henrique Teles. Bruna é uma cantora excelente, não desafina nunca. Saulinho é um verdadeiro monstro das seis cordas. Um e outro já receberam todos os aplausos, como bem merecem. Mas, não fosse Henrique Teles e o seu modo particular de falar da vida, de si mesmo e dos outros, o repertório a ser desfiado no auditório do Sesc Centro, na forma de um duo de voz e violão, teria de ser outro.
Para mim, Henrique Teles é o maior dos compositores em atividade na terrinha. Há quem prefira Fulanos ou Cicranos, naturalmente. Gosto é como braço, tem gente com mais de um. Ninguém será capaz de lhe negar, entretanto, o valor de um poeta com os pés descalços, por assim dizer, enterrados bem fundo no chão nativo, certo de seu lugar no mundo.

A bem da verdade, Bruna e Saulinho entrarão em campo com o jogo ganho. Quem esteve no Parque dos Cajueiros quando a Maria Scombona se apresentou no palco improvisado do Blend Burguer, há poucos meses, certamente não passou batido pelo entusiasmo generalizado. Henrique não cantava com os companheiros de banda há muitos anos, mas nem assim as suas canções foram esquecidas. Tal poder de comunicação, entre um artista e o seu público, só é possível quando a identificação ultrapassa as razões de natureza lógica, uma questão de pulso e de sangue que reverbera na tal da memória afetiva de um dado lugar.

Henrique é um só, desde 'Grão', álbum de estreia da Maria, ancorado em um blues rasgado, com algo de folclórico, como se ele pretendesse aproximar a guitarra elétrica e os pandeiros da feira (ninguém cita 'Chiclete com banana' de Jackson do Pandeiro à toa). Em termos formais, a sua música evoluiu sensivelmente a partir do disco seguinte, em favor da simplificação. As letras assinadas pelo dito cujo, no entanto, jamais perderam algo de calejado, mesmo quando evocam asfalto, avenida, os ponteiros apressados da vida urbana, o relógio lento de uma relação infeliz.
No show 'Retos versos', Bruna Ribeiro e Saulo Ferreira não subirão ao palco sozinhos. Contra todas as aparências, digno das maiores reverências, o Compositor estará ali.

Retos Versos:
Sexta-feira, 13 de dezembro, em duas sessões: às 19h00 e 20h30.





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