Greve e protestos

Geral


  • Professores do estado fazem greve a partir de terça-feira

Milton Alves Júnior

Por tempo indeterminado, professores da rede estadual de ensino estarão de braços cruzados a partir da próxima terça-feira, 26, em todas as unidades administradas pelo Governo de Sergipe, por meio da Secretaria de Estado da Educação e Cultura (Seduc). A infomração foi oficializada ainda no final da tarde de ontem após a categoria participar de uma assembleia geral e extraordinária no Instituto Histórico de Sergipe, situado na região central de Aracaju. Conforme contabilidade apresentada pela direção do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica do Estado de Sergipe (Sintese), a greve deve contar com o apoio direto de aproximadamente 10 mil docentes e inviabilizar a sequencia de aulas em 354 escolas.

Desta vez retirando do foco a questão do reajuste salarial, a classe trabalhadora delibera paralisação das atividades em virtude dos Projetos de Leis Complementar PLC 16, e PLC 17, os quais visam, na prática, retirar direitos historicamente conquistados a exemplo dos triênio e da redução da carga horária por tempo de serviço. Os dois projetos, elaborados pelo poder executivo estadual, estão em posse da Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe (Alese), desde a última segunda-feira, 18, para apreciação por parte dos deputados estaduais. Ainda no último mês de setembro o JORNAL DO DIA já havia publicado o interesse da classe educacional em suspender os serviços públicos caso o Palácio Governador Augusto Franco continuasse com a proposta de aprovação das PLCs.
De acordo com a presidente do Sintese, Ivonete Cruz, ao longo dos últimos meses a categoria tem buscado o Governador Bellivaldo Chagas para discutir estes assuntos, mas, conforme enaltecido pela sindicalista, as observações apresentadas pelos professores não foram atendidas. "A greve tem tempo determinado se o governo quiser. Pode se encerrar na terça mesmo se o governo retirar de pauta projetos de lei que ele encaminhou a partir da única e exclusiva vontade dele, sem discutir com ninguém, e que retiram direitos dos professores como o plano de carreira e do estatuto da categoria. Os professores têm o entendimento que a única categoria que o governo resolveu massacrar foi o magistério", declarou.

Já no primeiro dia de mobilizações os professores se concentram em frente à sede da Alese, no Centro da capital sergipana, com a perspectiva de se reunir com deputados e reivindicar, em mais uma ocasião, o voto contrário aos projetos apresentados pelo Governo do Estado. Durante o encontro estadual a presidente do Sintese enalteceu a necessidade de conquistar o apoio, também, de pais e alunos. "Apenas unindo nossas forças será possível combater esse absurdo que o Governador Belivaldo Chagas e seus assessores diretos da educação pública estão aplicando de forma impiedosa com o magistério. Se essa proposta continuar em tramitação, nossa greve vai continuar. Foi isso que os colegas deliberaram, e é dessa forma que iremos proceder", concluiu Ivonete Cruz.

Contraponto - Em resposta às alegações e críticas dos professores, por meio de nota o Governo de Sergipe informou que: "nenhum dos projetos há discussão sobre retirada de triênio dos professores ou diminuição de salários dos servidores da educação. Atualmente, basta o professor permanecer em sala de aula pelos últimos três anos da carreira para que possa levar para a aposentadoria gratificações como: dedicação exclusiva, regência de classe e gratificação técnica pedagógica I e II. Isso vem provocando um afastamento natural do professor da sala de aula no decorrer de sua carreira. O que o Governo propõe é uma mudança na regra de incorporação de gratificações. A partir de agora, com a aprovação do novo projeto, para incorporar as citadas gratificações, o professor necessita permanecer, no mínimo, 15 anos em sala de aula".


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