O sacramento da grande viagem

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 07/11/2019 às 00:26:00

 

* Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB
Diz Marcos em seu Evangelho, cap. 6, ver. 12ss: "Partindo (os doze), pregavam que todos se convertessem. E expulsavam muitos demônios, e curavam muitos enfermos, ungindo-os com o óleo". Esse texto insinua, é prelúdio ou esboço carismático, do sacramento da Unção dos Enfermos - diz o teólogo Padre Penido. O mesmo referem Mateus, 10,8 e Lucas 9,1: os apóstolos recebem de Jesus o poder de curar os enfermos e o realizam com a unção do óleo.
Em meu livrinho "Direitos e Deveres dos Cristãos", escrevi: "O dever dos fiéis cristãos, relativamente à Unção dos Enfermos, é que os parentes dos doentes em estado grave cuidem diligentemente que eles sejam confortados com esse sacramento, em tempo oportuno, possivelmente ainda com o uso da razão, para que possam também confessar-se. 'Com o uso da razão' significa que o enfermo esteja ainda na posse de suas faculdades mentais e possa conhecer os sacramentos que recebe. Esse é o ideal, que infelizmente nem sempre acontece em virtude do medo, pouco cristão, de que o doente vá assustar-se com a presença pastoral e benévola do sacerdote. O fiel tem esse dever grave para com seus entes queridos, pais, filhos, cônjuge e outros, e não deve ter o receio pagão de que vai amedrontá-lo com a recepção dos santos sacramentos da Igreja: Confissão, Comunhão e a Santa Unção".
E continuo: "Todo fiel que, tendo atingido o uso da razão, começa a estar em perigo de vida, por motivo de saúde ou de idade, deve receber este sacramento da Unção dos Enfermos. O sacramento pode ser repetido se, depois da convalescença, recair em outra doença grave ou se, durante a mesma doença, houver novo perigo de vida. E pode receber este sacramento o doente inconsciente que, enquanto estava no uso da razão, ao menos implicitamente, como bom cristão, tornou manifesto o desejo de receber esse sacramento, quando oportuno".
E ainda: "Não pode receber o sacramento dos enfermos o doente que, no uso da razão, permanece obstinadamente em pecado grave manifesto e recusa-se terminantemente a receber o sinal do perdão de Deus. Não é o caso - acrescento e é muito importante - de quem viveu maritalmente com um segundo cônjuge, sem o sacramento do Matrimônio, e o padre saberá convidá-lo a um sincero arrependimento desse erro, com as outras faltas de sua vida passada". Esse, é claro, pode e deve receber, juntamente com o perdão do sacramento da Penitência, a Unção dos enfermos e a Sagrada Comunhão, contanto que ele se disponha a, caso recobre a saúde, resolver sua situação irregular e não voltar a uma vida conjugal errada.
Ensina ainda o Catecismo da Igreja Católica em seu número 1524: "A Penitência, a Sagrada Unção e a Eucaristia, recebida como viático, constituem, quando a vida cristã chega ao seu termo, os sacramentos que preparam para a Pátria, ou os sacramentos que consumam a peregrinação". Já o Concílio de Trento ensinara que a Unção dos Enfermos (chamada, na época, Extrema Unção) é o sacramento dos que partem. E a partida não é o fim, é um começo. Diz o prefácio da Missa dos defuntos: "Para os que crêem em vós, Senhor, a vida não é tirada, mas transformada".
A mãe do teólogo Padre Penido disse para o filho na hora da morte, com um suave e sereno sorriso: "Confessei-me, comunguei, recebi a Unção dos Enfermos, estou prontinha para o céu".
Esse é o sacramento da grande viagem...
* Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB é Arcebispo Emérito de Maceió (foi Bispo Auxiliar de Aracaju - 1975 a 1980) dedvaldo@salesianoreceife.com.br

* Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB

Diz Marcos em seu Evangelho, cap. 6, ver. 12ss: "Partindo (os doze), pregavam que todos se convertessem. E expulsavam muitos demônios, e curavam muitos enfermos, ungindo-os com o óleo". Esse texto insinua, é prelúdio ou esboço carismático, do sacramento da Unção dos Enfermos - diz o teólogo Padre Penido. O mesmo referem Mateus, 10,8 e Lucas 9,1: os apóstolos recebem de Jesus o poder de curar os enfermos e o realizam com a unção do óleo.
Em meu livrinho "Direitos e Deveres dos Cristãos", escrevi: "O dever dos fiéis cristãos, relativamente à Unção dos Enfermos, é que os parentes dos doentes em estado grave cuidem diligentemente que eles sejam confortados com esse sacramento, em tempo oportuno, possivelmente ainda com o uso da razão, para que possam também confessar-se. 'Com o uso da razão' significa que o enfermo esteja ainda na posse de suas faculdades mentais e possa conhecer os sacramentos que recebe. Esse é o ideal, que infelizmente nem sempre acontece em virtude do medo, pouco cristão, de que o doente vá assustar-se com a presença pastoral e benévola do sacerdote. O fiel tem esse dever grave para com seus entes queridos, pais, filhos, cônjuge e outros, e não deve ter o receio pagão de que vai amedrontá-lo com a recepção dos santos sacramentos da Igreja: Confissão, Comunhão e a Santa Unção".
E continuo: "Todo fiel que, tendo atingido o uso da razão, começa a estar em perigo de vida, por motivo de saúde ou de idade, deve receber este sacramento da Unção dos Enfermos. O sacramento pode ser repetido se, depois da convalescença, recair em outra doença grave ou se, durante a mesma doença, houver novo perigo de vida. E pode receber este sacramento o doente inconsciente que, enquanto estava no uso da razão, ao menos implicitamente, como bom cristão, tornou manifesto o desejo de receber esse sacramento, quando oportuno".
E ainda: "Não pode receber o sacramento dos enfermos o doente que, no uso da razão, permanece obstinadamente em pecado grave manifesto e recusa-se terminantemente a receber o sinal do perdão de Deus. Não é o caso - acrescento e é muito importante - de quem viveu maritalmente com um segundo cônjuge, sem o sacramento do Matrimônio, e o padre saberá convidá-lo a um sincero arrependimento desse erro, com as outras faltas de sua vida passada". Esse, é claro, pode e deve receber, juntamente com o perdão do sacramento da Penitência, a Unção dos enfermos e a Sagrada Comunhão, contanto que ele se disponha a, caso recobre a saúde, resolver sua situação irregular e não voltar a uma vida conjugal errada.
Ensina ainda o Catecismo da Igreja Católica em seu número 1524: "A Penitência, a Sagrada Unção e a Eucaristia, recebida como viático, constituem, quando a vida cristã chega ao seu termo, os sacramentos que preparam para a Pátria, ou os sacramentos que consumam a peregrinação". Já o Concílio de Trento ensinara que a Unção dos Enfermos (chamada, na época, Extrema Unção) é o sacramento dos que partem. E a partida não é o fim, é um começo. Diz o prefácio da Missa dos defuntos: "Para os que crêem em vós, Senhor, a vida não é tirada, mas transformada".
A mãe do teólogo Padre Penido disse para o filho na hora da morte, com um suave e sereno sorriso: "Confessei-me, comunguei, recebi a Unção dos Enfermos, estou prontinha para o céu".
Esse é o sacramento da grande viagem...

* Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB é Arcebispo Emérito de Maceió (foi Bispo Auxiliar de Aracaju - 1975 a 1980) dedvaldo@salesianoreceife.com.br