Aos conterrâneos

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 24/10/2019 às 23:24:00

 

* Hermano Penna
Desde que essa mancha negra atingiu o litoral e os rios  sergipanos meu coração sofre. É um duro golpe. O sertão e o mar de Sergipe, e suas gentes fazem  parte da minha alma. Diante da dimensão dessa tragédia nos deparamos com a pequenez das nossas forças. O que fazer? Como ajudar? Só resta a solidariedade de estar  junto nesse momento de  tristeza para todos e aflição para tantos que vivem das coisas do mar, dos rios e dos mangues. Minha manifestação vem do afeto e do sentimento de pertencimento. Não gostaria de falar nada fora disso. Por respeito ao tamanho da dor. Mas não posso calar  a minha revolta com a ausência e a omissão. Para nós não há Gabinete de Crise. O silêncio do governo  nos deixa perplexos. Quando fala, é  para fazer proselitismo político e deixar tudo à sua própria sorte. Foi a Venezuela!  Querem sabotar o leilão do Pré-Sal! Pobre lógica de inventar inimigos e não apresentar soluções! A pergunta pode ser ingênua para quem desconhece a questão técnica. Por que  não estão no litoral do Nordeste 1,5,10,20,30 navios tanques vazios bombeando o óleo antes que chegue as praias? Não acredito que essas enormes manchas negras ao entrar na plataforma continental não possam ser detectadas. Os tais sonares, espectrógrafos, radares de calor, etc,..; tudo isso sumiu?  A preocupação  do sensacionalismo midiático foi ficar no "de onde vem?". A academia também se interessou pelo assunto. Claro, que tem de se saber de onde vem. Mas, o mais importante é  deter  o luto que cobre as nossas  praias e ameaça a  vida de tanta gente que no mar tem seu único sustento. Por que não pedir, se não temos os instrumentos adequados, socorro ao mundo? Os EUA enfrentou algo parecido, por que não se foi buscar ajuda e  know-how? Quantos países já sofreram o mesmo? Temos vergonha? Ou, será que nossa tragédia não comove?  Quanto tempo já passou sem resposta e ação? O quê nos paralisa? A omissão e o silêncio ficarão na memória. Como também ficará a luta do povo simples lutando contra a morte de seu mundo. Limpando suas praias com as próprias mãos, mesmo sabendo que a mancha negra voltará amanhã. 
* Hermano Penna é cineasta

* Hermano Penna

Desde que essa mancha negra atingiu o litoral e os rios  sergipanos meu coração sofre. É um duro golpe. O sertão e o mar de Sergipe, e suas gentes fazem  parte da minha alma. Diante da dimensão dessa tragédia nos deparamos com a pequenez das nossas forças. O que fazer? Como ajudar? Só resta a solidariedade de estar  junto nesse momento de  tristeza para todos e aflição para tantos que vivem das coisas do mar, dos rios e dos mangues. Minha manifestação vem do afeto e do sentimento de pertencimento. Não gostaria de falar nada fora disso. Por respeito ao tamanho da dor. Mas não posso calar  a minha revolta com a ausência e a omissão. Para nós não há Gabinete de Crise. O silêncio do governo  nos deixa perplexos. Quando fala, é  para fazer proselitismo político e deixar tudo à sua própria sorte. Foi a Venezuela!  Querem sabotar o leilão do Pré-Sal! Pobre lógica de inventar inimigos e não apresentar soluções! A pergunta pode ser ingênua para quem desconhece a questão técnica. Por que  não estão no litoral do Nordeste 1,5,10,20,30 navios tanques vazios bombeando o óleo antes que chegue as praias? Não acredito que essas enormes manchas negras ao entrar na plataforma continental não possam ser detectadas. Os tais sonares, espectrógrafos, radares de calor, etc,..; tudo isso sumiu?  A preocupação  do sensacionalismo midiático foi ficar no "de onde vem?". A academia também se interessou pelo assunto. Claro, que tem de se saber de onde vem. Mas, o mais importante é  deter  o luto que cobre as nossas  praias e ameaça a  vida de tanta gente que no mar tem seu único sustento. Por que não pedir, se não temos os instrumentos adequados, socorro ao mundo? Os EUA enfrentou algo parecido, por que não se foi buscar ajuda e  know-how? Quantos países já sofreram o mesmo? Temos vergonha? Ou, será que nossa tragédia não comove?  Quanto tempo já passou sem resposta e ação? O quê nos paralisa? A omissão e o silêncio ficarão na memória. Como também ficará a luta do povo simples lutando contra a morte de seu mundo. Limpando suas praias com as próprias mãos, mesmo sabendo que a mancha negra voltará amanhã. 
* Hermano Penna é cineasta