Uma data que não deve ser esquecida

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Publicada em 23/10/2019 às 21:16:00

 

* Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB
Outubro - mês de muitas celebrações im-
portantes, tanto que, uma data que 
deve ser sempre comemorada e jamais esquecida, acaba passando um pouco despercebida. Trata-se do "Dia do Idoso", comemorado no Brasil em 1.º de outubro, tendo como principal objetivo a valorização das pessoas idosas e o alerta sobre o papel do idoso para o equilíbrio da sociedade.
Ainda dentro do mês, trago para meus leitores uma breve reflexão sobre o assunto.
O poeta chileno Pablo Neruda (1904-1973) deixou como obra póstuma seu famoso livro de memórias "Confieso que he vivido" (1974), que teve aceitação universal, retratando a vida como uma tarefa arriscada e exigente.
O Reitor-Mor Emérito dos Salesianos de Dom Bosco, Padre Pascual Chávez, deu como programa-lembrança para 2007 este pensamento: "Deixemo-nos guiar pelo amor que Deus tem pela vida". E convidou - naquela oportunidade - os membros da Família Salesiana a assumir a vida como dom inviolável e promovê-la como serviço responsável.
O Papa Emérito Bento XVI convidava o clero de Roma na Quaresma de 2006 a refletir: "Creio que é esse o núcleo central de nossa pastoral - ajudar a fazer uma verdadeira opção pela vida, renovar nosso relacionamento com Deus como relação que nos dá vida e nos mostra o caminho para a vida".
Já o sempre querido São João Paulo II - cuja festa litúrgica celebramos nesta terça ultima (22/10) - em sua encíclica "Evangelium Vitae" (O Evangelho da Vida) afirmava categoricamente: "A vida do homem é um dom pelo qual Deus participa algo de si com a criatura humana" (n.º 34).
Da primeira à última página, a Bíblia nos apresenta o Senhor como o Deus da vida. Esse Deus da vida é o Deus dos pobres, o Deus da justiça, o defensor dos fracos. Esse Deus da vida encarnou-se em Jesus, a "Palavra da Vida" (1Jo 1,1). Para Jesus, a vida é dom precioso, mais que o alimento (Mt 6,25), mais que o sábado (Mc 3,4). Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos (Mt 12,27). Jesus é o Pão da vida, a luz da vida, caminho, verdade e vida, ressurreição e vida.
Esta vida crucificada é, para os que crêem, a revelação suprema do amor de Deus pelo homem e da sua estima pela vida humana: é o Evangelho da Vida! É São João quem nos adverte em sua primeira epístola: "Sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama, permanece na morte" (Cap. 3, versículo 13).
Vivemos uma cultura da morte. São as guerras. É o aborto. A eutanásia. É a fome e as doenças endêmicas que dizimam as populações pobres da África subsaariana. Contra essa cultura da morte, a Igreja de Jesus brada: Não à morte, Sim à vida!
Ser velho significa, então, ter vivido. Ser velho é ter recebido, com abundância e generosidade divina, o supremo dom da vida.
Mas, como o poeta chileno, o velho tem que reconhecer que viveu, isto é, que tem a grande responsabilidade de ter vivido. A vida é dom, tarefa e exigência. A vida é uma tarefa, e tarefa difícil e exigente, da qual devemos prestar estritas contas a Deus.
Aos 92 anos de idade, ao tempo em que rendo infinitas graças ao bom Deus que me concedeu tantos anos de vida, peço perdão de minhas fraquezas, de minhas omissões, de minhas faltas de coragem e dedicação, de meus momentos de orgulho e presunção. Olho para trás e vejo tantos que me fizeram chegar até aqui, os amigos que estiveram sempre ao meu lado. Penso na responsabilidade, nas contas que devo dar ao Deus da vida por tudo que recebi dele, pelo que fiz e pelo que não fiz, pelos erros cometidos.
Confesso que vivi…
* Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB é Arcebispo Emérito de Maceió (foi Bispo Auxiliar de Aracaju - 1975 a 1980)
dedvaldo@salesianorecife.com.br

* Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB

Outubro - mês de muitas celebrações im- portantes, tanto que, uma data que  deve ser sempre comemorada e jamais esquecida, acaba passando um pouco despercebida. Trata-se do "Dia do Idoso", comemorado no Brasil em 1.º de outubro, tendo como principal objetivo a valorização das pessoas idosas e o alerta sobre o papel do idoso para o equilíbrio da sociedade.
Ainda dentro do mês, trago para meus leitores uma breve reflexão sobre o assunto.O poeta chileno Pablo Neruda (1904-1973) deixou como obra póstuma seu famoso livro de memórias "Confieso que he vivido" (1974), que teve aceitação universal, retratando a vida como uma tarefa arriscada e exigente.
O Reitor-Mor Emérito dos Salesianos de Dom Bosco, Padre Pascual Chávez, deu como programa-lembrança para 2007 este pensamento: "Deixemo-nos guiar pelo amor que Deus tem pela vida". E convidou - naquela oportunidade - os membros da Família Salesiana a assumir a vida como dom inviolável e promovê-la como serviço responsável.
O Papa Emérito Bento XVI convidava o clero de Roma na Quaresma de 2006 a refletir: "Creio que é esse o núcleo central de nossa pastoral - ajudar a fazer uma verdadeira opção pela vida, renovar nosso relacionamento com Deus como relação que nos dá vida e nos mostra o caminho para a vida".
Já o sempre querido São João Paulo II - cuja festa litúrgica celebramos nesta terça ultima (22/10) - em sua encíclica "Evangelium Vitae" (O Evangelho da Vida) afirmava categoricamente: "A vida do homem é um dom pelo qual Deus participa algo de si com a criatura humana" (n.º 34).
Da primeira à última página, a Bíblia nos apresenta o Senhor como o Deus da vida. Esse Deus da vida é o Deus dos pobres, o Deus da justiça, o defensor dos fracos. Esse Deus da vida encarnou-se em Jesus, a "Palavra da Vida" (1Jo 1,1). Para Jesus, a vida é dom precioso, mais que o alimento (Mt 6,25), mais que o sábado (Mc 3,4). Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos (Mt 12,27). Jesus é o Pão da vida, a luz da vida, caminho, verdade e vida, ressurreição e vida.
Esta vida crucificada é, para os que crêem, a revelação suprema do amor de Deus pelo homem e da sua estima pela vida humana: é o Evangelho da Vida! É São João quem nos adverte em sua primeira epístola: "Sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama, permanece na morte" (Cap. 3, versículo 13).
Vivemos uma cultura da morte. São as guerras. É o aborto. A eutanásia. É a fome e as doenças endêmicas que dizimam as populações pobres da África subsaariana. Contra essa cultura da morte, a Igreja de Jesus brada: Não à morte, Sim à vida!
Ser velho significa, então, ter vivido. Ser velho é ter recebido, com abundância e generosidade divina, o supremo dom da vida.
Mas, como o poeta chileno, o velho tem que reconhecer que viveu, isto é, que tem a grande responsabilidade de ter vivido. A vida é dom, tarefa e exigência. A vida é uma tarefa, e tarefa difícil e exigente, da qual devemos prestar estritas contas a Deus.
Aos 92 anos de idade, ao tempo em que rendo infinitas graças ao bom Deus que me concedeu tantos anos de vida, peço perdão de minhas fraquezas, de minhas omissões, de minhas faltas de coragem e dedicação, de meus momentos de orgulho e presunção. Olho para trás e vejo tantos que me fizeram chegar até aqui, os amigos que estiveram sempre ao meu lado. Penso na responsabilidade, nas contas que devo dar ao Deus da vida por tudo que recebi dele, pelo que fiz e pelo que não fiz, pelos erros cometidos.
Confesso que vivi…

* Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB é Arcebispo Emérito de Maceió (foi Bispo Auxiliar de Aracaju - 1975 a 1980)dedvaldo@salesianorecife.com.br