Pabllo Vittar foi longe demais

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Sem blá, blá, blá
Sem blá, blá, blá

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Publicada em 14/10/2019 às 22:14:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
A cantora Pabllo Vit
tar foi eleita uma 
das líderes da próxima geração pela revista Time. A lista divulgada pela publicação gringa reúne dez jovens que colaboram para mudanças mundiais relacionadas à política, moda, esportes, cultura comportamento. E por aí vai.
"Nos últimos quatro anos, a drag queen e pop star brasileira de 24 anos se consolidou como alguém a ser notada em vários aspectos, integrando perfeitamente sua vida pessoal ao cultural e político e usando seu alcance de estrela musical para exigir igualdade para as comunidades LGBT do Brasil e de outros países", diz a revista.
Cá para nós, modéstia à parte, para o leitor habitual do Jornal do Dia, a Time não comunica novidade nenhuma. Faz tempo que esta página avisa, reproduzindo a ironia fina das redes sociais: Agora a Pabllo Vittar foi longe demais.
Pabllo Vittar não é melhor nem pior, em comparação com a média do pop globalizado made in Brasil. Pretende uma carreira de sucessos descartáveis, ancorados na produção de clipes bombados no Youtube, destinados ao consumo ligeiro e a satisfação imediata. Lógica fast food. Sem ímpeto de originalidade. E, no entanto, é forçoso admitir, a face da cantora vem sobressaindo, cada vez mais distinta, no mar de feições em tudo parecidas que povoam a sub cultura da celebridade.
A atitude lacradora de Vittar não difere em nada da persona ostentada por tantas cantoras do gênero. Figurino, maquiagem, coreografias, gestos e declarações públicas seguem à risca o manual das poderosas. Se a música e a trajetória da artista é a mais conformada, e não justifica o volume do "oba, oba" celebrando a aparição, a explicação para o assombro computado em shares e views nas plataformas de streaming deve ser procurada nela própria - Pablo Vittar em carne e osso.
Vittar é talvez a encarnação mais pronta e acabada dos valores emergentes aqui e agora. Tentativas anteriores, mais ou menos frustradas, falharam onde a drag acerta em cheio, sem fazer esforço: Ao invés de formulações elaboradas e, muitas vezes, francamente desastradas (vide o lamentável episódio Hooker X Matogrosso), no lugar de discursos em favor da diversidade e muito blá, blá, blá, Pabllo Vittar diz tudo com o próprio corpo, empenhada em rebolar.
Goste-se ou não da música de Vittar, refrões pegajosos, dos quais ninguém lembrará em poucos meses, o seu rebolado é mais que um poema. E é sambando na cara da sociedade que ela se afirma artisticamente.
Isso tudo eu já disse e repeti, em mais de uma oportunidade. Mas a moça segue causando, em momento sensível para as liberdades individuais, as mais caras à militância LGBTQ+. Sim, ela assina um trabalho artístico de gosto duvidoso. Mas se servir para aborrecer os simpatizantes do projeto de poder neopetencostal, de inspiração fascista, pra mim está muito bem.

A cantora Pabllo Vit tar foi eleita uma  das líderes da próxima geração pela revista Time. A lista divulgada pela publicação gringa reúne dez jovens que colaboram para mudanças mundiais relacionadas à política, moda, esportes, cultura comportamento. E por aí vai.
"Nos últimos quatro anos, a drag queen e pop star brasileira de 24 anos se consolidou como alguém a ser notada em vários aspectos, integrando perfeitamente sua vida pessoal ao cultural e político e usando seu alcance de estrela musical para exigir igualdade para as comunidades LGBT do Brasil e de outros países", diz a revista.
Cá para nós, modéstia à parte, para o leitor habitual do Jornal do Dia, a Time não comunica novidade nenhuma. Faz tempo que esta página avisa, reproduzindo a ironia fina das redes sociais: Agora a Pabllo Vittar foi longe demais.
Pabllo Vittar não é melhor nem pior, em comparação com a média do pop globalizado made in Brasil. Pretende uma carreira de sucessos descartáveis, ancorados na produção de clipes bombados no Youtube, destinados ao consumo ligeiro e a satisfação imediata. Lógica fast food. Sem ímpeto de originalidade. E, no entanto, é forçoso admitir, a face da cantora vem sobressaindo, cada vez mais distinta, no mar de feições em tudo parecidas que povoam a sub cultura da celebridade.
A atitude lacradora de Vittar não difere em nada da persona ostentada por tantas cantoras do gênero. Figurino, maquiagem, coreografias, gestos e declarações públicas seguem à risca o manual das poderosas. Se a música e a trajetória da artista é a mais conformada, e não justifica o volume do "oba, oba" celebrando a aparição, a explicação para o assombro computado em shares e views nas plataformas de streaming deve ser procurada nela própria - Pablo Vittar em carne e osso.
Vittar é talvez a encarnação mais pronta e acabada dos valores emergentes aqui e agora. Tentativas anteriores, mais ou menos frustradas, falharam onde a drag acerta em cheio, sem fazer esforço: Ao invés de formulações elaboradas e, muitas vezes, francamente desastradas (vide o lamentável episódio Hooker X Matogrosso), no lugar de discursos em favor da diversidade e muito blá, blá, blá, Pabllo Vittar diz tudo com o próprio corpo, empenhada em rebolar.
Goste-se ou não da música de Vittar, refrões pegajosos, dos quais ninguém lembrará em poucos meses, o seu rebolado é mais que um poema. E é sambando na cara da sociedade que ela se afirma artisticamente.
Isso tudo eu já disse e repeti, em mais de uma oportunidade. Mas a moça segue causando, em momento sensível para as liberdades individuais, as mais caras à militância LGBTQ+. Sim, ela assina um trabalho artístico de gosto duvidoso. Mas se servir para aborrecer os simpatizantes do projeto de poder neopetencostal, de inspiração fascista, pra mim está muito bem.