Deso garante que óleo não afetará abastecimento de água

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A PETROBRAS NÃO ENTREGOU AS BOIAS PROMETIDAS AO GOVERNO DE SERGIPE PARA EVITAR AVANÇO DO ÓLEO NOS RIOS QUE CORTAM O ESTADO; ONTEM, A CELSE CENTRAIS ELÉTRICAS INSTALOU BOIAS PROTETORAS NO RIO SERGIPE
A PETROBRAS NÃO ENTREGOU AS BOIAS PROMETIDAS AO GOVERNO DE SERGIPE PARA EVITAR AVANÇO DO ÓLEO NOS RIOS QUE CORTAM O ESTADO; ONTEM, A CELSE CENTRAIS ELÉTRICAS INSTALOU BOIAS PROTETORAS NO RIO SERGIPE

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Publicada em 10/10/2019 às 22:14:00

 

Milton Alves Júnior
Mesmo sem capta-
ção de recursos 
hídricos na foz do Rio São Francisco, a Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso), oficializou no final da tarde de ontem que está monitorando a presença de óleo/petróleo cru em Sergipe. Essa medida tem como objetivo garantir à população sergipana que o produto tóxico não corre o risco - ao menos nesse momento - de atingir os reservatórios utilizados para abastecimento dos 75 municípios. Paralelo aos testes para assegurar a qualidade e descartar a toxicidade, a companhia está promovendo o isolamento das captações flutuantes, em Brejo Grande e Ilha das Flores, municípios onde estão as captações  mais próximas das manchas encontradas. Essa barreira ocorre por meio de telas.
Enquanto a Deso segue reafirmando a inexistência do óleo em seus reservatórios ambientais, nos mais de dez pontos onde o produto foi registrado a sensação por parte do Ministério Público Federal (MPF), é que o Governo Federal apresenta postura de menosprezo diante do dano à natureza. Em audiência pública realizada na manhã de ontem na sede do órgão federal de fiscalização, em Aracaju, o promotor da república, Rodrigo Rockenbach, afirmou que a gestão do presidente Bolsonaro não tem agido como deveria diante de uma situação grave. Para o promotor, apesar de o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles ter visitado Sergipe na última segunda-feira,  até o momento recursos financeiros e nem humanos foram liberados.
"É absolutamente inconcebível empresas estarem aqui no Estado com todo aparato, com toda tecnologia para fazer a proteção de nossos rios, e simplesmente isso não ocorre por falta de determinação do Governo Federal. É importante ressaltar o engajamento de servidores públicos estaduais, federais e municipais, e da população, mas sem a ordem de quem pode dá-las e sem os recursos financeiros nada pode ser feito. O Governo Federal não está cumprindo seu papel na velocidade necessária, ai fica difícil a gente poder avançar com essa questão que fica cada dia mais urgente", avaliou Rockenbach. Enquanto o MPF criticava a conduta do poder executivo federal, a Petrobras informou por meio de nota que disponibilizou barreiras de contenção para a Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema).
- Acontece que, em contraponto, a equipe técnica do órgão estadual negou que essa ajuda esteja realmente disponível. Essas bóias possuem o dever de filtrar o óleo e intensificar o trabalho de combate ao avanço das manchas que atingiram todo o litoral sergipano. Com um estado de emergência decretado pelo Governo de Sergipe há cinco dias, a perspectiva é que o Estado necessite investir em caráter imediato cerca de 100 mil reais para comprar equipamentos os quais possam conter avanço das camadas de petróleo cru. Até a tarde de ontem o problema foi registrado em: Aracaju - praias de Atalaia e Mosqueiro; Barra dos Coqueiros - Atalaia Nova, Barra, Costa, Jatobá e Porto; Estância - Abaís, Caueira e Saco; Pacatuba - Porto dos Mangues; Pirambu - Praia de Pirambu; e Indiaroba, no Povoado Terra Caída.
Empréstimo - Havia a expectativa de o Estado de Sergipe receber o empréstimo de bóias encaminhadas pelos governos dos estados de Pernambuco e Paraíba. Esses equipamentos deveriam ter chegado ainda na última quarta-feira, 09, mas não ocorreu. Segundo Gilvan Dias, presidente da Adema: "Elas [boias] seriam transferidas, mas, além desses estados possivelmente estarem precisando delas, as boias não são de fácil desmonte para serem trazidas. É melhor que se compre outras, uma vez que esperávamos que tivessem mais. Não sabemos quando vão chegar, então precisamos fazer a compra e isso deve custar cerca de R$ 100 mil para o estado."
A princípio, o gabinete de crise informou que os 200 metros de boias a serem comprados junto à uma empresa especializada, e com sede no Estado do Espírito Santo, serão colocadas em pontos estratégicos do Rio Vaza Barris e terão a função de conter as manchas de avançar para outros rios, a exemplo do Real e do Jacareí, que têm suas águas utilizadas para consumo humano. Com postura semelhante a direção da Deso, o setor técnico da Adema também reforça que ainda não há a possibilidade das manchas afetarem o abastecimento de água em Sergipe. "Nosso trabalho intensificado ocorre justamente na missão de diminuir os efeitos negativos que essas manchas já provocaram ao meio ambiente, como também evitar ao máximo que o produto atinja reservatórios utilizados para consumo humano", concluiu Gilvan Dias.
Investigações - Segundo análise da Petrobras, foi possível atestar por meio da observação de moléculas específicas, que a família de compostos orgânicos do material encontrada não é compatível com a dos óleos produzidos e comercializados pela companhia. Investigações ainda sigilosas indicam 'marca' de produção óleo com origem venezuelana na refinaria de Abreu e Lima. Navios que supostamente tenham atravessado a costa nordestina do Brasil são apontados como suspeitos de terem contribuído para o dano ambiental. A capital, Aracaju, segue como a cidade que registro o maior bloco da camada oleosa registrada este ano. Os estudos acompanhados também pela Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco (CPRH), e pela Polícia Federal, levam estudiosos a crer que este impacto seja o mais representativo da vida marinha na região Nordeste do Brasil.
Animais marinhos - Até o final da tarde da quarta-feira, 09, o número de tartarugas marinhas encontradas mortas e com manchas de óleo havia subiu para 30. Outros dois casos foram oficializados em Alagoas, e mais um, no Rio Grande do Norte. Há ainda registros de aves e peixes encontrados com os mesmos sinais. Em Sergipe, na manhã de ontem outra tartaruga marinha foi encontrada morta com manchas de óleo no casco. A reserva ecológica de Santa Isabel, em Pirambu, onde atua há décadas o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o trabalho de soltura de filhotes de tartarugas segue suspenso. Todas as praias de Sergipe também seguem impróprias para banho e pesca.

Milton Alves Júnior

Mesmo sem capta- ção de recursos  hídricos na foz do Rio São Francisco, a Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso), oficializou no final da tarde de ontem que está monitorando a presença de óleo/petróleo cru em Sergipe. Essa medida tem como objetivo garantir à população sergipana que o produto tóxico não corre o risco - ao menos nesse momento - de atingir os reservatórios utilizados para abastecimento dos 75 municípios. Paralelo aos testes para assegurar a qualidade e descartar a toxicidade, a companhia está promovendo o isolamento das captações flutuantes, em Brejo Grande e Ilha das Flores, municípios onde estão as captações  mais próximas das manchas encontradas. Essa barreira ocorre por meio de telas.
Enquanto a Deso segue reafirmando a inexistência do óleo em seus reservatórios ambientais, nos mais de dez pontos onde o produto foi registrado a sensação por parte do Ministério Público Federal (MPF), é que o Governo Federal apresenta postura de menosprezo diante do dano à natureza. Em audiência pública realizada na manhã de ontem na sede do órgão federal de fiscalização, em Aracaju, o promotor da república, Rodrigo Rockenbach, afirmou que a gestão do presidente Bolsonaro não tem agido como deveria diante de uma situação grave. Para o promotor, apesar de o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles ter visitado Sergipe na última segunda-feira,  até o momento recursos financeiros e nem humanos foram liberados.
"É absolutamente inconcebível empresas estarem aqui no Estado com todo aparato, com toda tecnologia para fazer a proteção de nossos rios, e simplesmente isso não ocorre por falta de determinação do Governo Federal. É importante ressaltar o engajamento de servidores públicos estaduais, federais e municipais, e da população, mas sem a ordem de quem pode dá-las e sem os recursos financeiros nada pode ser feito. O Governo Federal não está cumprindo seu papel na velocidade necessária, ai fica difícil a gente poder avançar com essa questão que fica cada dia mais urgente", avaliou Rockenbach. Enquanto o MPF criticava a conduta do poder executivo federal, a Petrobras informou por meio de nota que disponibilizou barreiras de contenção para a Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema).
- Acontece que, em contraponto, a equipe técnica do órgão estadual negou que essa ajuda esteja realmente disponível. Essas bóias possuem o dever de filtrar o óleo e intensificar o trabalho de combate ao avanço das manchas que atingiram todo o litoral sergipano. Com um estado de emergência decretado pelo Governo de Sergipe há cinco dias, a perspectiva é que o Estado necessite investir em caráter imediato cerca de 100 mil reais para comprar equipamentos os quais possam conter avanço das camadas de petróleo cru. Até a tarde de ontem o problema foi registrado em: Aracaju - praias de Atalaia e Mosqueiro; Barra dos Coqueiros - Atalaia Nova, Barra, Costa, Jatobá e Porto; Estância - Abaís, Caueira e Saco; Pacatuba - Porto dos Mangues; Pirambu - Praia de Pirambu; e Indiaroba, no Povoado Terra Caída.

Empréstimo - Havia a expectativa de o Estado de Sergipe receber o empréstimo de bóias encaminhadas pelos governos dos estados de Pernambuco e Paraíba. Esses equipamentos deveriam ter chegado ainda na última quarta-feira, 09, mas não ocorreu. Segundo Gilvan Dias, presidente da Adema: "Elas [boias] seriam transferidas, mas, além desses estados possivelmente estarem precisando delas, as boias não são de fácil desmonte para serem trazidas. É melhor que se compre outras, uma vez que esperávamos que tivessem mais. Não sabemos quando vão chegar, então precisamos fazer a compra e isso deve custar cerca de R$ 100 mil para o estado."
A princípio, o gabinete de crise informou que os 200 metros de boias a serem comprados junto à uma empresa especializada, e com sede no Estado do Espírito Santo, serão colocadas em pontos estratégicos do Rio Vaza Barris e terão a função de conter as manchas de avançar para outros rios, a exemplo do Real e do Jacareí, que têm suas águas utilizadas para consumo humano. Com postura semelhante a direção da Deso, o setor técnico da Adema também reforça que ainda não há a possibilidade das manchas afetarem o abastecimento de água em Sergipe. "Nosso trabalho intensificado ocorre justamente na missão de diminuir os efeitos negativos que essas manchas já provocaram ao meio ambiente, como também evitar ao máximo que o produto atinja reservatórios utilizados para consumo humano", concluiu Gilvan Dias.

Investigações - Segundo análise da Petrobras, foi possível atestar por meio da observação de moléculas específicas, que a família de compostos orgânicos do material encontrada não é compatível com a dos óleos produzidos e comercializados pela companhia. Investigações ainda sigilosas indicam 'marca' de produção óleo com origem venezuelana na refinaria de Abreu e Lima. Navios que supostamente tenham atravessado a costa nordestina do Brasil são apontados como suspeitos de terem contribuído para o dano ambiental. A capital, Aracaju, segue como a cidade que registro o maior bloco da camada oleosa registrada este ano. Os estudos acompanhados também pela Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco (CPRH), e pela Polícia Federal, levam estudiosos a crer que este impacto seja o mais representativo da vida marinha na região Nordeste do Brasil.

Animais marinhos - Até o final da tarde da quarta-feira, 09, o número de tartarugas marinhas encontradas mortas e com manchas de óleo havia subiu para 30. Outros dois casos foram oficializados em Alagoas, e mais um, no Rio Grande do Norte. Há ainda registros de aves e peixes encontrados com os mesmos sinais. Em Sergipe, na manhã de ontem outra tartaruga marinha foi encontrada morta com manchas de óleo no casco. A reserva ecológica de Santa Isabel, em Pirambu, onde atua há décadas o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o trabalho de soltura de filhotes de tartarugas segue suspenso. Todas as praias de Sergipe também seguem impróprias para banho e pesca.