Contaminação das praias e rios continua avançando

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IBAMA TAMBÉM ABRE FRENTE DE TRABALHO EM SERGIPE PARA AGILIZAR NO RECOLHIMENTO DO ÓLEO; NA PRAIA DE ARUANA, ADEMA RECOLHEU UMA REDE COM GALÕES DE PLÁSTICOS AMARRADOS
IBAMA TAMBÉM ABRE FRENTE DE TRABALHO EM SERGIPE PARA AGILIZAR NO RECOLHIMENTO DO ÓLEO; NA PRAIA DE ARUANA, ADEMA RECOLHEU UMA REDE COM GALÕES DE PLÁSTICOS AMARRADOS

As praias de Aracaju foram muito atingidas pelo óleo, inclusive a praia dos Artistas
As praias de Aracaju foram muito atingidas pelo óleo, inclusive a praia dos Artistas

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Publicada em 09/10/2019 às 21:58:00

 

Milton Alves Júnior
A foz do Rio São Fran
cisco começa a apre
sentar indícios de mancha de óleo. Um levantamento realizado na manhã de ontem pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), indica que o dano ao meio ambiente foi oficialmente registrado no município de Piaçabuçu, no litoral do Estado de Alagoas. Depois de ter identificado a presença do petróleo em 132 praias distribuídas por 61 cidades dos nove estados da região, essa foi a primeira vez que um rio é atingido pelo produto tóxico. Prevendo a possibilidade de as manchas atingirem os rios, em Sergipe técnicos ambientalistas trabalham com a perspectiva de minimizar os efeitos.
Ainda essa semana a perspectiva por parte da Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema), é que boias - enviadas dos estados de Pernambuco e Maranhão - sejam instaladas em pontos estratégicos já definidos pelos técnicos a fim de evitar que esses resíduos vazados se espalhem e prejudiquem ainda mais a natureza. É de conhecimento oficial que este produto foi descarregado irregularmente por navios de grande porte, os quais transitavam pela costa nordestina. Se mostrando parcialmente precavido sobre a real origem dessas camadas de óleo/petróleo, o Governo Federal, por meio do presidente Jair Bolsonaro (PSL), diz desconfiar que o vazamento tenha ocorrido de navios de propriedade venezuelana. Essa possibilidade também tem sido defendida pela direção geral da Petrobras.
Em entrevista coletiva concedida no início da tarde de ontem, em Brasília, Bolsonaro voltou a enaltecer desconfiança quanto ao suposto ato criminoso com fins ainda desconhecidos. "Estamos investigando de forma sigilosa para saber a origem e as causas. Como não descartamos a possibilidade de ser um produto da Venezuela, também não podemos deixar de investigar se esse caso foi criminoso, provocado propositalmente", declarou Bolsonaro. Segundo análise da Petrobras, foi possível atestar por meio da observação de moléculas específicas, que a família de compostos orgânicos do material encontrada não é compatível com a dos óleos produzidos e comercializados pela companhia. Investigações ainda sigilosas indicam 'marca' de produção óleo com origem venezuelana na refinaria de Abreu e Lima.
Parte desse material indisponível à população tem sido encaminhada ao Ibama, órgão ligado ao Ministério do Meio Ambiente, e que segue contribuindo com as investigações. A princípio, as equipes de perícia se resumem em informar que não é possível dizer que todo o vazamento que atinge praias tem a mesma origem. Em Sergipe, o 'gabinete de crise' - coordenado pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade, e criado para monitorar o problema - enaltece que o posicionamento das boias, em parceria com o próprio Governo Federal, tem como objetivo proteger toda a extensão dos rios: Piauí, Piauitinga, Japaratuba, Real, Sergipe, Vaza-Barris e São Francisco, presente no território sergipano.
 "O Gabinete de Crise criado pelo Governo do Estado realizou mais uma reunião e, entre as decisões tomadas, acionamos os órgãos e empresas que possuem maior expertise no assunto para a contenção e não contaminação dos nossos rios, uma vez que envolve o abastecimento humano. Em breve serão instaladas boias absorventes a fim de que a substância não adentre nos nossos rios, a exemplo do Vaza Barris, Sergipe, São Francisco, Japaratuba e do Rio Real", explica o secretário Estadual do Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade, Ubirajara Barreto. Desde o dia 30 de agosto, quando os primeiros pontos de mancha foram registrados por banhistas e pescadores nos estados de Pernambuco e Paraíba, Sergipe é a unidade federativa mais atingida pelo petróleo cru.
A capital, Aracaju, segue como a cidade que registro o maior bloco da camada oleosa registrada este ano. Os estudos acompanhados também pela Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco (CPRH), e pela Polícia Federal, levam estudiosos a crer que este impacto seja o mais representativo da vida marinha na região Nordeste do Brasil. Até o final da tarde de ontem o número de tartarugas marinhas encontradas mortas e com manchas de óleo subiu para 30. Outros dois casos foram oficializados na manhã de ontem em Alagoas, e mais um, no Rio Grande do Norte. Há ainda registros de aves e peixes encontrados com os mesmos sinais.
Conforme o JORNAL DO DIA vem destacando ao longo dos últimos 15 dias, o Ibama teme que o óleo avance e também atinja a reserva ecológica de Santa Isabel, localizada no município sergipano de Pirambu, onde o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) desenvolve há décadas um projeto de preservação de tartarugas-marinhas. Nesta cidade do Litoral Norte de Sergipe vários pontos de mancha foram identificados pelos peritos. "Nossas equipes estão em todo o litoral desde cedo monitorando e observam em todos os locais que há continuidade dessa substância na nossa zona costeira. De forma emergencial essas boias vão nos trazer um alento momentâneo", relatou Gilvan Dias, que concluiu dizendo:  "o Vaza-Barris faz conexão com outros rios importantes, como o Rio Real, o Rio Jacareí, que são usados para consumo humano. Então, a gente se preocupa muito. Por isso, precisamos fazer a contenção." Até o início da semana que vem todas as boias devem ter sido instaladas em Sergipe.

Milton Alves Júnior

A foz do Rio São Fran cisco começa a apre sentar indícios de mancha de óleo. Um levantamento realizado na manhã de ontem pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), indica que o dano ao meio ambiente foi oficialmente registrado no município de Piaçabuçu, no litoral do Estado de Alagoas. Depois de ter identificado a presença do petróleo em 132 praias distribuídas por 61 cidades dos nove estados da região, essa foi a primeira vez que um rio é atingido pelo produto tóxico. Prevendo a possibilidade de as manchas atingirem os rios, em Sergipe técnicos ambientalistas trabalham com a perspectiva de minimizar os efeitos.
Ainda essa semana a perspectiva por parte da Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema), é que boias - enviadas dos estados de Pernambuco e Maranhão - sejam instaladas em pontos estratégicos já definidos pelos técnicos a fim de evitar que esses resíduos vazados se espalhem e prejudiquem ainda mais a natureza. É de conhecimento oficial que este produto foi descarregado irregularmente por navios de grande porte, os quais transitavam pela costa nordestina. Se mostrando parcialmente precavido sobre a real origem dessas camadas de óleo/petróleo, o Governo Federal, por meio do presidente Jair Bolsonaro (PSL), diz desconfiar que o vazamento tenha ocorrido de navios de propriedade venezuelana. Essa possibilidade também tem sido defendida pela direção geral da Petrobras.
Em entrevista coletiva concedida no início da tarde de ontem, em Brasília, Bolsonaro voltou a enaltecer desconfiança quanto ao suposto ato criminoso com fins ainda desconhecidos. "Estamos investigando de forma sigilosa para saber a origem e as causas. Como não descartamos a possibilidade de ser um produto da Venezuela, também não podemos deixar de investigar se esse caso foi criminoso, provocado propositalmente", declarou Bolsonaro. Segundo análise da Petrobras, foi possível atestar por meio da observação de moléculas específicas, que a família de compostos orgânicos do material encontrada não é compatível com a dos óleos produzidos e comercializados pela companhia. Investigações ainda sigilosas indicam 'marca' de produção óleo com origem venezuelana na refinaria de Abreu e Lima.
Parte desse material indisponível à população tem sido encaminhada ao Ibama, órgão ligado ao Ministério do Meio Ambiente, e que segue contribuindo com as investigações. A princípio, as equipes de perícia se resumem em informar que não é possível dizer que todo o vazamento que atinge praias tem a mesma origem. Em Sergipe, o 'gabinete de crise' - coordenado pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade, e criado para monitorar o problema - enaltece que o posicionamento das boias, em parceria com o próprio Governo Federal, tem como objetivo proteger toda a extensão dos rios: Piauí, Piauitinga, Japaratuba, Real, Sergipe, Vaza-Barris e São Francisco, presente no território sergipano.
 "O Gabinete de Crise criado pelo Governo do Estado realizou mais uma reunião e, entre as decisões tomadas, acionamos os órgãos e empresas que possuem maior expertise no assunto para a contenção e não contaminação dos nossos rios, uma vez que envolve o abastecimento humano. Em breve serão instaladas boias absorventes a fim de que a substância não adentre nos nossos rios, a exemplo do Vaza Barris, Sergipe, São Francisco, Japaratuba e do Rio Real", explica o secretário Estadual do Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade, Ubirajara Barreto. Desde o dia 30 de agosto, quando os primeiros pontos de mancha foram registrados por banhistas e pescadores nos estados de Pernambuco e Paraíba, Sergipe é a unidade federativa mais atingida pelo petróleo cru.
A capital, Aracaju, segue como a cidade que registro o maior bloco da camada oleosa registrada este ano. Os estudos acompanhados também pela Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco (CPRH), e pela Polícia Federal, levam estudiosos a crer que este impacto seja o mais representativo da vida marinha na região Nordeste do Brasil. Até o final da tarde de ontem o número de tartarugas marinhas encontradas mortas e com manchas de óleo subiu para 30. Outros dois casos foram oficializados na manhã de ontem em Alagoas, e mais um, no Rio Grande do Norte. Há ainda registros de aves e peixes encontrados com os mesmos sinais.
Conforme o JORNAL DO DIA vem destacando ao longo dos últimos 15 dias, o Ibama teme que o óleo avance e também atinja a reserva ecológica de Santa Isabel, localizada no município sergipano de Pirambu, onde o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) desenvolve há décadas um projeto de preservação de tartarugas-marinhas. Nesta cidade do Litoral Norte de Sergipe vários pontos de mancha foram identificados pelos peritos. "Nossas equipes estão em todo o litoral desde cedo monitorando e observam em todos os locais que há continuidade dessa substância na nossa zona costeira. De forma emergencial essas boias vão nos trazer um alento momentâneo", relatou Gilvan Dias, que concluiu dizendo:  "o Vaza-Barris faz conexão com outros rios importantes, como o Rio Real, o Rio Jacareí, que são usados para consumo humano. Então, a gente se preocupa muito. Por isso, precisamos fazer a contenção." Até o início da semana que vem todas as boias devem ter sido instaladas em Sergipe.