Adolescente morre baleada em abordagem da PRF

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Publicada em 07/10/2019 às 22:57:00

 

Gabriel Damásio
A Polícia Federal vai in-
vestigar a morte da es-
tudante Bianca da Cunha, 15 anos, que foi baleada na tarde deste sábado, durante uma abordagem feita por agentes da Polícia Rodoviária Federal. O fato aconteceu na tarde deste sábado, no quilômetro 107 da BR-235, em Carira (Agreste do estado). A menina estava como passageira de um carro Polo Sedan preto conduzido por seu companheiro, Ronison dos Santos, 19 anos, que acabou preso em flagrante por descumprimento de medida protetiva concedida à vítima. De acordo com a polícia, Ronison fugiu da abordagem e, durante a perseguição, um tiro foi disparado contra o veículo e acertou a cabeça de Bianca. 
O caso está sendo apurado em duas instâncias diferentes. O primeiro será em nível de polícia judiciária, que se desdobrou do registro da ocorrência na Delegacia Regional de Itabaiana. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) encaminhou os autos e registros da ocorrência, incluindo a prisão de Ronilson, à PF, que também recebeu a comunicação oficial da PRF, com o relato detalhado da ocorrência. A assessoria do órgão informou em nota que, neste inquérito, cujos trabalhos correrão sob sigilo, "serão feitas as diligências necessárias para o esclarecimento dos fatos como a coleta de oitivas e a realização de exames periciais".
A outra linha de investigação será a da esfera administrativa-disciplinar, que irá apurar se houve algum erro ou desvio de conduta por parte dos agentes que participaram da abordagem. Esta apuração é de competência da corregedoria da PRF, mas também com base nas investigações da Polícia Federal. A superintendência estadual do órgão divulgou nota lamentando a morte da menina e informando que um procedimento foi instaurado para apurar o fato. 
Segundo o Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais em Sergipe (SinPRF), a equipe que estava de plantão naquela tarde fazia um bloqueio de fiscalização e agiu quando o condutor do Polo, ao visualizar a viatura, deu uma volta e seguiu na contramão, gerando a suspeita e o acompanhamento dos agentes para abordar o veículo. Segundo a entidade, o autor não obedeceu a ordem de parada por diversas vezes e, que em um determinado momento, a equipe visualizou o condutor expondo um objeto reluzente, semelhante a arma de fogo, o que motivou o disparo. 
Assim que o carro parou, na estrada de acesso ao povoado Baixa Grande, os policiais perceberam que Bianca foi atingida na altura da cabeça. Ela foi retirada do carro e levada para o pronto-socorro do Hospital Pedro Garcia Moreno, em Itabaiana, mas morreu durante o trajeto. Ronison, por sua vez, foi detido e levado para a Delegacia Regional. A princípio, ele foi autuado por conduzir o veículo sem a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), mas ele acabou recebendo voz de prisão em flagrante, após os policiais constatarem que o condutor descumpriu uma medida protetiva de urgência que o impedia de se aproximar de Bianca. Segundo a polícia, ele já respondia a um processo por violência doméstica. Ontem, o condutor teve sua prisão preventiva decretada pelo juiz plantonista Gaspar Feitosa de Gouveia Filho.
A família de Bianca está bastante abalada com a morte precoce da garota e exige uma investigação isenta e transparente do fato. Em uma mensagem de áudio divulgada ontem pela TV Atalaia, a madrinha da adolescente, Kelly Venâncio, questionou a versão dos policiais. "Todos estão culpando o condutor do carro por não ter atendido à voz de parada [dos agentes. Eu seu que o motorista teve a parcela de culpa, mas o que não entendemos, e não dá pra entender, é o porquê desse disparo, se não tinham certeza sobre quem estava conduzindo o carro, se não tinha nenhum perigo contra a vida dos policiais. Que despreparo foi esse? Por quê não atiraram contra o pneu do carro? Nós queremos a verdade dos fatos, sem maquiagem, sem mexerem na cena do crime", cobrou ela. O corpo de Bianca foi sepultado no cemitério do povoado Altos Verdes, em Carira. 

Gabriel Damásio

A Polícia Federal vai in- vestigar a morte da es- tudante Bianca da Cunha, 15 anos, que foi baleada na tarde deste sábado, durante uma abordagem feita por agentes da Polícia Rodoviária Federal. O fato aconteceu na tarde deste sábado, no quilômetro 107 da BR-235, em Carira (Agreste do estado). A menina estava como passageira de um carro Polo Sedan preto conduzido por seu companheiro, Ronison dos Santos, 19 anos, que acabou preso em flagrante por descumprimento de medida protetiva concedida à vítima. De acordo com a polícia, Ronison fugiu da abordagem e, durante a perseguição, um tiro foi disparado contra o veículo e acertou a cabeça de Bianca. 
O caso está sendo apurado em duas instâncias diferentes. O primeiro será em nível de polícia judiciária, que se desdobrou do registro da ocorrência na Delegacia Regional de Itabaiana. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) encaminhou os autos e registros da ocorrência, incluindo a prisão de Ronilson, à PF, que também recebeu a comunicação oficial da PRF, com o relato detalhado da ocorrência. A assessoria do órgão informou em nota que, neste inquérito, cujos trabalhos correrão sob sigilo, "serão feitas as diligências necessárias para o esclarecimento dos fatos como a coleta de oitivas e a realização de exames periciais".
A outra linha de investigação será a da esfera administrativa-disciplinar, que irá apurar se houve algum erro ou desvio de conduta por parte dos agentes que participaram da abordagem. Esta apuração é de competência da corregedoria da PRF, mas também com base nas investigações da Polícia Federal. A superintendência estadual do órgão divulgou nota lamentando a morte da menina e informando que um procedimento foi instaurado para apurar o fato. 
Segundo o Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais em Sergipe (SinPRF), a equipe que estava de plantão naquela tarde fazia um bloqueio de fiscalização e agiu quando o condutor do Polo, ao visualizar a viatura, deu uma volta e seguiu na contramão, gerando a suspeita e o acompanhamento dos agentes para abordar o veículo. Segundo a entidade, o autor não obedeceu a ordem de parada por diversas vezes e, que em um determinado momento, a equipe visualizou o condutor expondo um objeto reluzente, semelhante a arma de fogo, o que motivou o disparo. 
Assim que o carro parou, na estrada de acesso ao povoado Baixa Grande, os policiais perceberam que Bianca foi atingida na altura da cabeça. Ela foi retirada do carro e levada para o pronto-socorro do Hospital Pedro Garcia Moreno, em Itabaiana, mas morreu durante o trajeto. Ronison, por sua vez, foi detido e levado para a Delegacia Regional. A princípio, ele foi autuado por conduzir o veículo sem a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), mas ele acabou recebendo voz de prisão em flagrante, após os policiais constatarem que o condutor descumpriu uma medida protetiva de urgência que o impedia de se aproximar de Bianca. Segundo a polícia, ele já respondia a um processo por violência doméstica. Ontem, o condutor teve sua prisão preventiva decretada pelo juiz plantonista Gaspar Feitosa de Gouveia Filho.
A família de Bianca está bastante abalada com a morte precoce da garota e exige uma investigação isenta e transparente do fato. Em uma mensagem de áudio divulgada ontem pela TV Atalaia, a madrinha da adolescente, Kelly Venâncio, questionou a versão dos policiais. "Todos estão culpando o condutor do carro por não ter atendido à voz de parada [dos agentes. Eu seu que o motorista teve a parcela de culpa, mas o que não entendemos, e não dá pra entender, é o porquê desse disparo, se não tinham certeza sobre quem estava conduzindo o carro, se não tinha nenhum perigo contra a vida dos policiais. Que despreparo foi esse? Por quê não atiraram contra o pneu do carro? Nós queremos a verdade dos fatos, sem maquiagem, sem mexerem na cena do crime", cobrou ela. O corpo de Bianca foi sepultado no cemitério do povoado Altos Verdes, em Carira.