Deputados suspeitos

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Publicada em 06/10/2019 às 11:19:00

 

A Assembleia Legislativa de Ser-
gipe é uma casa de homens sus-
peitos. Fosse diferente, não estaria o tempo inteiro na mira dos órgãos de fiscalização. O caso das verbas de subvenção foi, até agora, o mais escandaloso. Mas, tudo indica, a sua grande repercussão não bastou para convencer os deputados a andar na linha.
O Ministério Público Estadual (MPSE) abriu dois inquéritos civis relacionados à nomeação de cargos comissionados na Alese. O primeiro deles apura indícios de nomeação de servidores fantasmas para gabinetes de deputados estaduais, ou seja, funcionários que constariam na folha de pagamento da casa, embora não batam um prego. O segundo caso apura a denúncia de que servidores desses gabinetes seriam obrigados a repassar parte dos salários para os deputados que os indicaram ou contrataram - prática que ficou conhecida como "rachadinha".
A suspeita é grave, mas ninguém em sã consciência seria capaz de botar a mão no fogo pelos deputados. Em matéria de escândalo, Sergipe não deve nada ao primeiro escalão da República. Desvios milionários e chicanas jurídicas são cometidas também em âmbito local. A última legislatura, por exemplo, só rendeu manchetes negativas. 
Os inquéritos mencionados tramitam sob sigilo. Espera-se, no entanto, que os fatos sejam apurados com rigor extremo. Agraciados com salários polpudos, depositados sempre em dia, os senhores deputados estão entre os poucos servidores públicos que não sofreram na pele os efeitos da crise econômica em curso no estado. Apesar da recompensa vultosa, contudo, ainda não mostraram serviço.

A Assembleia Legislativa de Ser- gipe é uma casa de homens sus- peitos. Fosse diferente, não estaria o tempo inteiro na mira dos órgãos de fiscalização. O caso das verbas de subvenção foi, até agora, o mais escandaloso. Mas, tudo indica, a sua grande repercussão não bastou para convencer os deputados a andar na linha.
O Ministério Público Estadual (MPSE) abriu dois inquéritos civis relacionados à nomeação de cargos comissionados na Alese. O primeiro deles apura indícios de nomeação de servidores fantasmas para gabinetes de deputados estaduais, ou seja, funcionários que constariam na folha de pagamento da casa, embora não batam um prego. O segundo caso apura a denúncia de que servidores desses gabinetes seriam obrigados a repassar parte dos salários para os deputados que os indicaram ou contrataram - prática que ficou conhecida como "rachadinha".
A suspeita é grave, mas ninguém em sã consciência seria capaz de botar a mão no fogo pelos deputados. Em matéria de escândalo, Sergipe não deve nada ao primeiro escalão da República. Desvios milionários e chicanas jurídicas são cometidas também em âmbito local. A última legislatura, por exemplo, só rendeu manchetes negativas. 
Os inquéritos mencionados tramitam sob sigilo. Espera-se, no entanto, que os fatos sejam apurados com rigor extremo. Agraciados com salários polpudos, depositados sempre em dia, os senhores deputados estão entre os poucos servidores públicos que não sofreram na pele os efeitos da crise econômica em curso no estado. Apesar da recompensa vultosa, contudo, ainda não mostraram serviço.