O Papel da UNCTAD na Economia Mundial

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Publicada em 06/10/2019 às 11:17:00

 

Saumíneo Nascimento
A UNCTAD - Conferência das Na
ções Unidas para o Comércio e 
Desenvolvimento é um órgão intergovernamental permanente estabelecido pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 1964. A sua sede está localizada em Genebra, na Suíça. Além disso, a UNCTAD faz parte do Secretariado da Organização das Nações Unidas (ONU) e reporta-se à Assembléia Geral da ONU.
A UNCTAD apoia os países em desenvolvimento no acesso aos benefícios de uma economia globalizada de maneira mais justa e eficaz. Também busca ajudar e equipar os países para que eles possam lidar com as possíveis desvantagens de uma maior integração econômica. Fazem parte do sistema UNCTAD 194 países, sendo o Brasil um deles, inclusive a UNCTAD já teve como Secretário Geral um brasileiro, Rubens Ricupero, com mandatos nos períodos de 1995 a 1999 e de 1999 a 2004.
O trabalho da UNCTAD é realizado nos âmbitos nacional, regional e global, para que os países possam: compreender opções para enfrentar os desafios de desenvolvimento em nível macroeconômico; alcançem uma integração benéfica no sistema de comércio internacional; diversifiquem suas economias para torná-las menos dependentes de commodities; possam atrair investimentos e torná-lo mais favorável ao desenvolvimento; promovam o empreendedorismo e a inovação, além de diversas outros desafios econômicos.
A UNCTAD no desempenho de suas funções tem buscado o aceleramento do  progresso mundial para um crescimento econômico sustentável que possa incluir todos os países e isto está conectado com as ambições dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, para isso, a organização trabalha diversas temas comerciais, entre eles a dívida externa e interna dos países e é este tema que irei discorrer nas ações da UNCTAD.
A UNCTAD começou a trabalhar em questões de dívida dos países durante a década de 1970. E até o fim do Século XX o que se percebeu foi uma constante e crescente evolução da dívida dos países em desenvolvimento. Isso fez a UNCTAD buscar estudos que auxiliassem na análise e assistência técnica de orientação aos países sobre questões emergentes da dívida internacional.
Uma pesquisa mais recente da UNCTAD revela que o aumento do endividamento pode ser um fenômeno global, mas os níveis de dívida dos países em desenvolvimento estão ampliando sua vulnerabilidade econômica.
O fato é que tem havido níveis crescentes de dívida dos países em desenvolvimento, cuja demanda acompanha as forças internacionais que pouco têm a ver com o gerenciamento da sustentabilidade da dívida por stes países.
A UNCTAD aponta que as vulnerabilidades que os países em desenvolvimento enfrentam agora são influenciadas por tendências globais sobre as quais eles têm pouco controle e que influenciam seus resultados domésticos. Seria necessário uma estratégia de crescimento mais equilibrada nos países em desenvolvimento para melhor capacitá-los a gerenciar os encargos da dívida existentes e futuras. Mas essa estratégia requer uma série de instrumentos de política para uma integração interna e externa mais cuidadosa, a exemplo de  políticas que possam impulsionar a demanda efetiva, aumentar a renda do trabalho e reformar e regular os mercados financeiros.
Existe um estudo na UNCTAD que avalia que uma parte essencial do gerenciamento da dívida existente e futura dos países em desenvolvimento poderia ser adequadamente gerenciada se ocorresse um acesso com prazo mais adequado à consolidadação das demandas externas e da consolidação das exportações dos países devedores. Isso apoiaria o crescimento doméstico emergente e o investimento para que os países tivessem melhor capacidade de pagamento da dívida externa
O gerenciamento da dívida eterna dos países não pode sobrepor suas necessidades de crescimento e desenvolvimento, por isso é importante o estabelecimento de um nexo robusto de lucro e investimento doméstico, que promova uma interação dinâmica entre as expectativas de lucro do setor privado, o investimento real, os lucros realizados e os lucros retidos crescentes. Isso requer uma estratégia de desenvolvimento que envolva investimento público bem planejado em infraestrutura essencial para criar vínculos produtivos com projetos de investimento privado nos países.
Os países em desenvolvimento necessitam criar mais incentivos ao seus sistemas de comércio internacional, mas para isso e necessário também que os países desenvolvidos e que são em geral superavitários em suas balanças comerciais estejam inclinados para abrir seus mercados aos países deficitários nas balanças comerciais e isto pode ser realizado pela via do aproveitamento dos sistemas regionais de pagamento e os sistemas de compensação de pagamentos, gerando assim, um fortalecimento da estabilidade regional e macroeconômica, criando também amortecedores de liquidez contra choques exógenos e incentivando a promoção do comércio regional.
Esta questão da dívida externa dos países é ponto importante de atenção, pois dez anos após a crise financeira global, a UNCTAD estima que a proporção da dívida global em relação ao produto interno bruto (PIB) foi um terço maior no início de 2018 do que no início da crise em 2007/2008 e aproximadamente quatro vezes o PIB global.
Existe um corolário de que foi o sistema financeiro global que criou a crise que permanece em vigor e continua a exercer influência sobre a sustentabilidade da dívida nos países em desenvolvimento. Então este papel da UNCTAD em auxiliar os países é fundamental para que haja efetivamente uma cooperação monetária e financeira  que revigore o desenvolvimento mundial.

Saumíneo Nascimento

A UNCTAD - Conferência das Na ções Unidas para o Comércio e  Desenvolvimento é um órgão intergovernamental permanente estabelecido pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 1964. A sua sede está localizada em Genebra, na Suíça. Além disso, a UNCTAD faz parte do Secretariado da Organização das Nações Unidas (ONU) e reporta-se à Assembléia Geral da ONU.
A UNCTAD apoia os países em desenvolvimento no acesso aos benefícios de uma economia globalizada de maneira mais justa e eficaz. Também busca ajudar e equipar os países para que eles possam lidar com as possíveis desvantagens de uma maior integração econômica. Fazem parte do sistema UNCTAD 194 países, sendo o Brasil um deles, inclusive a UNCTAD já teve como Secretário Geral um brasileiro, Rubens Ricupero, com mandatos nos períodos de 1995 a 1999 e de 1999 a 2004.
O trabalho da UNCTAD é realizado nos âmbitos nacional, regional e global, para que os países possam: compreender opções para enfrentar os desafios de desenvolvimento em nível macroeconômico; alcançem uma integração benéfica no sistema de comércio internacional; diversifiquem suas economias para torná-las menos dependentes de commodities; possam atrair investimentos e torná-lo mais favorável ao desenvolvimento; promovam o empreendedorismo e a inovação, além de diversas outros desafios econômicos.
A UNCTAD no desempenho de suas funções tem buscado o aceleramento do  progresso mundial para um crescimento econômico sustentável que possa incluir todos os países e isto está conectado com as ambições dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, para isso, a organização trabalha diversas temas comerciais, entre eles a dívida externa e interna dos países e é este tema que irei discorrer nas ações da UNCTAD.
A UNCTAD começou a trabalhar em questões de dívida dos países durante a década de 1970. E até o fim do Século XX o que se percebeu foi uma constante e crescente evolução da dívida dos países em desenvolvimento. Isso fez a UNCTAD buscar estudos que auxiliassem na análise e assistência técnica de orientação aos países sobre questões emergentes da dívida internacional.
Uma pesquisa mais recente da UNCTAD revela que o aumento do endividamento pode ser um fenômeno global, mas os níveis de dívida dos países em desenvolvimento estão ampliando sua vulnerabilidade econômica.
O fato é que tem havido níveis crescentes de dívida dos países em desenvolvimento, cuja demanda acompanha as forças internacionais que pouco têm a ver com o gerenciamento da sustentabilidade da dívida por stes países.
A UNCTAD aponta que as vulnerabilidades que os países em desenvolvimento enfrentam agora são influenciadas por tendências globais sobre as quais eles têm pouco controle e que influenciam seus resultados domésticos. Seria necessário uma estratégia de crescimento mais equilibrada nos países em desenvolvimento para melhor capacitá-los a gerenciar os encargos da dívida existentes e futuras. Mas essa estratégia requer uma série de instrumentos de política para uma integração interna e externa mais cuidadosa, a exemplo de  políticas que possam impulsionar a demanda efetiva, aumentar a renda do trabalho e reformar e regular os mercados financeiros.
Existe um estudo na UNCTAD que avalia que uma parte essencial do gerenciamento da dívida existente e futura dos países em desenvolvimento poderia ser adequadamente gerenciada se ocorresse um acesso com prazo mais adequado à consolidadação das demandas externas e da consolidação das exportações dos países devedores. Isso apoiaria o crescimento doméstico emergente e o investimento para que os países tivessem melhor capacidade de pagamento da dívida externa
O gerenciamento da dívida eterna dos países não pode sobrepor suas necessidades de crescimento e desenvolvimento, por isso é importante o estabelecimento de um nexo robusto de lucro e investimento doméstico, que promova uma interação dinâmica entre as expectativas de lucro do setor privado, o investimento real, os lucros realizados e os lucros retidos crescentes. Isso requer uma estratégia de desenvolvimento que envolva investimento público bem planejado em infraestrutura essencial para criar vínculos produtivos com projetos de investimento privado nos países.
Os países em desenvolvimento necessitam criar mais incentivos ao seus sistemas de comércio internacional, mas para isso e necessário também que os países desenvolvidos e que são em geral superavitários em suas balanças comerciais estejam inclinados para abrir seus mercados aos países deficitários nas balanças comerciais e isto pode ser realizado pela via do aproveitamento dos sistemas regionais de pagamento e os sistemas de compensação de pagamentos, gerando assim, um fortalecimento da estabilidade regional e macroeconômica, criando também amortecedores de liquidez contra choques exógenos e incentivando a promoção do comércio regional.
Esta questão da dívida externa dos países é ponto importante de atenção, pois dez anos após a crise financeira global, a UNCTAD estima que a proporção da dívida global em relação ao produto interno bruto (PIB) foi um terço maior no início de 2018 do que no início da crise em 2007/2008 e aproximadamente quatro vezes o PIB global.
Existe um corolário de que foi o sistema financeiro global que criou a crise que permanece em vigor e continua a exercer influência sobre a sustentabilidade da dívida nos países em desenvolvimento. Então este papel da UNCTAD em auxiliar os países é fundamental para que haja efetivamente uma cooperação monetária e financeira  que revigore o desenvolvimento mundial.