O ARQUITETO DE RUÍNAS

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Publicada em 04/10/2019 às 09:46:00

 

* Lelê Teles
O ecocida que nos preside entrará para a grande lata de lixo da história como o único governante do Planeta Terra cujo grande feito foi nada ter feito.
E isso não é um defeito, pois ele não foi eleito para fazer, mas para desfazer. Bozo é um desconstrutor.
Qual um meteoro desgovernado, um aríete sem freio, uma marreta marrenta, o sujeito chegou metendo o pé na porta e botando tudo abaixo.
Tem a voracidade de mil cupins.
 E para ajudá-lo nessa destruição, recrutou um corpo ministerial composto - olha que imagem - por um exército de gafanhotos aptos a devorarem tudo o que encontrarem pela frente.
Não é à toa que o grande símbolo da esplanada dos ministérios é o ex-juiz de primeira instância, o árbitro arbitrário que, para destruir a reputação de um ex-presidente, destruiu as maiores empresas do país, devastando milhões de empregos.
É como se o chefe o colocasse diante dos outros subordinados e dissesse: "superem esse homem."
No Itamarati, o gafanha não perdeu tempo, arregaçou as mangas e mostrou ao que veio: "a terra é plana", disse ele, "o nazismo é de esquerda..."
O mundo ficou horrorizado. O chefe aplaudiu.
Damares, gafanhosa, perseguiu duas metas: destruir o conceito de sororidade e a memória dos anos de chumbo.
Depois de conversar pessoalmente com o nosso senhor Jesus Cristo - privilégio não concedido nem ao grande Edir Macedo, é bom que se diga - decretou uma cor para meninos e outra para meninas e decidiu acabar com a Casa da Mulher Brasileira, criada pela mulher sapiens Dilma Rousseff, com a finalidade de acolher mulheres vítimas de violência.
Ato, em si, violento, vingativo e vigarista.
De saída, a danada ainda ofendeu as marajoaras exploradas sexualmente por tarados inescrupulosos, culpando as vítimas.  
E usando de um silogismo mequetrefe, a ministra decidiu paralisar as obras do Memorial da Anistia Política, transformando uma construção em ruína.
O chefe aplaudiu de pé.
Depois disso, ela cortou o cabelo, entrou para o Tinder e nunca mais foi vista. Já desfez o que tinha que desfazer.
Na educação, todos se lembram, foi empossado um sujeito das estranjas que, assim que assumiu, chamou os brasileiros de sacoleiros escroques e canibais.
Mas o sujeito não foi muito longe e o substituíram por um predador raiz que já chegou cortando verbas, cortando bolsas de pesquisa, cortando água e luz de universidades e, com mil diabos, decidiu destruir o próprio conceito de educação.
Agora ele é o ministro do ensino.
No meio ambiente temos um praga tóxica que comanda a pasta com uma motosserra em uma mão e um lança-chamas em outra.
Paulo Guedes, grávido há nove meses, até agora não pariu uma ideia.
É uma fraude, uma afronta, um mágico da cartola furada.
Foi decisivo na destruição do sonho da aposentadoria de milhões de compatriotas e ameaça privatizar tudo, dilapidando o patrimônio do povo.
Desculpa-me a digressão. Era do Capita que eu queria falar, dei uma volta enorme no quarteirão, perdoa-me.
O Arquiteto de Ruínas, retomemos, foi eleito dizendo que iria proteger a família brasileira. E hoje o que se vê são cacos de parentes por todos os lados.
Churrascos, confraternizações, almoços de domingo e ceias natalinas viraram um inferno, ninguém se entende mais.
Os bolsominions, quais umas pragas, esfacelaram as relações sociais e criaram - dando um nó em Suckerberg - as redes antissociais.
Incubadoras de midiotas.
Esticaram tanto a corda, com o excesso de toxidade, que os não-minions se sentiram obrigados a criar um aplicativo de paquera para unir sujeitos e sujeitas que não se sujeitam.
A mulher sujeito, sugiro como pichação, é a antítese do homem abjeto.
Como se vê, Bozo destruiu até a azaração.
Antes, muitas vezes, só se sabia com quem se tinha dormido depois de acordar, de ressaca.
Agora é necessário mostrar as credenciais logo de entrada, respondendo a um questionário: "em quem você votou para presidente e para deputado? qual foi o último livro que leu, o que está lendo agora? nasce-se mulher, ou torna-se mulher? o que foi a Guerra dos Farrapos?
Entre maltrapilhos e esfarrapados a coisa também não anda lá muito boa. O chefe da nação acaba de declarar que não haverá empregos para quem tem mau hálito. E você sabe, quem tem barriga vazia não hálita bem.
E para coroar essa grande obra em desconstrução, o nosso intrépido presidente arruinou a imagem do país em menos de 30 minutos de lenga-lenga na ONU.
Num futuro próximo, escafandristas e arqueólogos se debruçarão sobre nossos escombros, espantados. Lembrarão de Pompéia, de Puma Punku, dos Dinossauros...
E, limpando fragmentos em meio aos escombros, descobrirão uma placa com um vaticínio feito por Dilma Rousseff. "Depois do golpe", disse ela, "não ficará pedra sobre pedra".
Palavra da salvação.
* Lelê Teles é jornalista, publicitário e roteirista

* Lelê Teles

O ecocida que nos preside entrará para a grande lata de lixo da história como o único governante do Planeta Terra cujo grande feito foi nada ter feito.
E isso não é um defeito, pois ele não foi eleito para fazer, mas para desfazer. Bozo é um desconstrutor.
Qual um meteoro desgovernado, um aríete sem freio, uma marreta marrenta, o sujeito chegou metendo o pé na porta e botando tudo abaixo.
Tem a voracidade de mil cupins.
 E para ajudá-lo nessa destruição, recrutou um corpo ministerial composto - olha que imagem - por um exército de gafanhotos aptos a devorarem tudo o que encontrarem pela frente.
Não é à toa que o grande símbolo da esplanada dos ministérios é o ex-juiz de primeira instância, o árbitro arbitrário que, para destruir a reputação de um ex-presidente, destruiu as maiores empresas do país, devastando milhões de empregos.
É como se o chefe o colocasse diante dos outros subordinados e dissesse: "superem esse homem."
No Itamarati, o gafanha não perdeu tempo, arregaçou as mangas e mostrou ao que veio: "a terra é plana", disse ele, "o nazismo é de esquerda..."
O mundo ficou horrorizado. O chefe aplaudiu.
Damares, gafanhosa, perseguiu duas metas: destruir o conceito de sororidade e a memória dos anos de chumbo.
Depois de conversar pessoalmente com o nosso senhor Jesus Cristo - privilégio não concedido nem ao grande Edir Macedo, é bom que se diga - decretou uma cor para meninos e outra para meninas e decidiu acabar com a Casa da Mulher Brasileira, criada pela mulher sapiens Dilma Rousseff, com a finalidade de acolher mulheres vítimas de violência.
Ato, em si, violento, vingativo e vigarista.
De saída, a danada ainda ofendeu as marajoaras exploradas sexualmente por tarados inescrupulosos, culpando as vítimas.  
E usando de um silogismo mequetrefe, a ministra decidiu paralisar as obras do Memorial da Anistia Política, transformando uma construção em ruína.
O chefe aplaudiu de pé.
Depois disso, ela cortou o cabelo, entrou para o Tinder e nunca mais foi vista. Já desfez o que tinha que desfazer.
Na educação, todos se lembram, foi empossado um sujeito das estranjas que, assim que assumiu, chamou os brasileiros de sacoleiros escroques e canibais.
Mas o sujeito não foi muito longe e o substituíram por um predador raiz que já chegou cortando verbas, cortando bolsas de pesquisa, cortando água e luz de universidades e, com mil diabos, decidiu destruir o próprio conceito de educação.
Agora ele é o ministro do ensino.
No meio ambiente temos um praga tóxica que comanda a pasta com uma motosserra em uma mão e um lança-chamas em outra.
Paulo Guedes, grávido há nove meses, até agora não pariu uma ideia.
É uma fraude, uma afronta, um mágico da cartola furada.
Foi decisivo na destruição do sonho da aposentadoria de milhões de compatriotas e ameaça privatizar tudo, dilapidando o patrimônio do povo.
Desculpa-me a digressão. Era do Capita que eu queria falar, dei uma volta enorme no quarteirão, perdoa-me.
O Arquiteto de Ruínas, retomemos, foi eleito dizendo que iria proteger a família brasileira. E hoje o que se vê são cacos de parentes por todos os lados.
Churrascos, confraternizações, almoços de domingo e ceias natalinas viraram um inferno, ninguém se entende mais.
Os bolsominions, quais umas pragas, esfacelaram as relações sociais e criaram - dando um nó em Suckerberg - as redes antissociais.
Incubadoras de midiotas.
Esticaram tanto a corda, com o excesso de toxidade, que os não-minions se sentiram obrigados a criar um aplicativo de paquera para unir sujeitos e sujeitas que não se sujeitam.
A mulher sujeito, sugiro como pichação, é a antítese do homem abjeto.
Como se vê, Bozo destruiu até a azaração.
Antes, muitas vezes, só se sabia com quem se tinha dormido depois de acordar, de ressaca.
Agora é necessário mostrar as credenciais logo de entrada, respondendo a um questionário: "em quem você votou para presidente e para deputado? qual foi o último livro que leu, o que está lendo agora? nasce-se mulher, ou torna-se mulher? o que foi a Guerra dos Farrapos?
Entre maltrapilhos e esfarrapados a coisa também não anda lá muito boa. O chefe da nação acaba de declarar que não haverá empregos para quem tem mau hálito. E você sabe, quem tem barriga vazia não hálita bem.
E para coroar essa grande obra em desconstrução, o nosso intrépido presidente arruinou a imagem do país em menos de 30 minutos de lenga-lenga na ONU.
Num futuro próximo, escafandristas e arqueólogos se debruçarão sobre nossos escombros, espantados. Lembrarão de Pompéia, de Puma Punku, dos Dinossauros...
E, limpando fragmentos em meio aos escombros, descobrirão uma placa com um vaticínio feito por Dilma Rousseff. "Depois do golpe", disse ela, "não ficará pedra sobre pedra".
Palavra da salvação.

* Lelê Teles é jornalista, publicitário e roteirista