Euler Lopes, atento e forte

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Criador e criatura
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Publicada em 02/10/2019 às 22:53:00

 

Jornal do Dia - Eu observo com certo espanto, o interesse aqui presumido em uma oficina de escrita criativa, em um País sem muitos leitores. Quem procura os seus cursos? O exercício literário tem mesmo futuro em Sergipe?
Euler Lopes - É surpreendente que o interesse na escrita criativa está em todo o país. Acompanho e aprendo com outros escritores que já possuem essa iniciativa e acho interessante. Sempre senti falta de um espaço onde pudesse compartilhar meus escritos e criar possibilidades de novas formas de escrita. Eu não acredito que o Brasil seja um país sem leitores, e ainda tenho esperança na formação de leitores. Acho que essas iniciativas de sair do gabinete e encontrar pessoas interessadas em ler e escrever desmistifica muita coisa. Nos cursos tem pessoas que já escrevem e que só querem espaço para encontrar olhares, leitores. Penso que Sergipe tem demonstrado estar atento a esse movimento. E agora temos o Sesc incentivando cada vez mais.
JD - Você tem dois livros lançados. Conseguiu furar a bolha dos leitores de sempre, os parentes e amigos? Em Sergipe, a literatura é profissão rentável?
Euler - Acho que sim. É óbvio que não consigo ainda ser um escritor lido. Acho que o meu livro de dramaturgia tem um público específico e o 'Bolor' é uma produção independente de ainda baixa circulação. Ambos tem atingido pessoas em diversos lugares dentro e fora de Sergipe. O mais importante desse processo pra mim está sendo saber pra onde está indo cada livro e quais pessoas posso estar atingindo. É algo interessante acompanhar esse processo, de certa forma até emancipatório. É óbvio que os livros não geram lucro, mas, eles já pagam o seu gasto e faço caixinha pros próximos.
JD - Quem, entre os escritores sergipanos merecem a sua atenção?
Euler - Para mim, Taylane Cruz é a que tem um projeto muito bem claro e estruturado do que quer na literatura. 'A pele das coisas' é uma obra prima. Temos a Débora Arruda, com seus projetos de poesia oral. No cordel, Eduardo Teles que tem publicações lindíssimas.  E tem uma galera que amo também como Jessica Caribé, Rafael Amorim,  Matheus Brito, Elisa Lemos, Renata de Castro, Stela. Em Lagarto tem um poeta maravilhoso, o César Oliveira de Oliveira. Tem muito mais gente, mas só me recordo destes agora.
JD - Quem são as suas maiores influências literárias assumidas? E os temas caros ao escritor Euler Lopes?
Euler - Minha tríade é Caio Fernando Abreu, Hilda Hilst e Ana Cristina César. Mas, tem uma galera como Marcelino Freire, João Ubaldo Ribeiro, Dalton Trevisan, Lygia Fagundes Teles, Matilde Campilho, Daniel Viana etc. Ultimamente estou apaixonado pela Juliana Leite, o 'Entre as mãos' ainda está na minha cabeça.  Eu acho que as relações entre as pessoas me marcou muito. Agora estou numa pegada mais de pensar o coletivo e entender o que estamos fazendo com essa humanidade.
JD - Acompanhou a polêmica sobre lugar de fala, levantada por Mia Couto? Qual a sua opinião? 
Euler - Não acompanhei, não. Sabendo agora. Tenho a impressão que muita gente não entende o que é lugar de fala, nem eu sou especialista nisso, então não posso opinar. Prefiro ouvir, nesses casos. Tento, enquanto escritor, não me passar, não esquecer meus privilégios de homem branco cis, mas é óbvio que vou falhar.
JD - Com a polarização política, as diversas formas de exercício artístico, o teatro e a literatura incluídos, passaram a ser questionadas sobre a sua filiação ideológica. Isso não tem o potencial de homogeneizar os discursos?
Euler - Eu não acredito. Acho que é um convite para a gente se reinventar. Meu grupo de teatro tem feito isso. As oficinas e as mil atividades que estão surgindo tem a ver com isso. É reinventar poeticamente e seguir em frente, mais atento e mais forte.

Sergipe é uma terra repleta de Academias de Letras, livros publicados aos montes e quase nenhum autor de valor. Poetas de rimas fáceis se acotovelam nos bares. Gente muito bem vestida faz pose na fila de autógrafos dos lançamentos. Tudo fachada, matéria para o interesse frívolo das colunas sociais. Na quadra atual, a assinatura de Euler Lopes encerra a única esperança razoável de uma sentença realmente dolente.

A farta produção em dramaturgia, reunida no volume '10 afetos', recomenda atenção. A diversidade dos temas abordados e a consistência dos argumentos apresentados em cena colocaram a Cia A Tua Lona na linha de frente do teatro sergipano. 'Bolor', uma publicação independente, dá vazão a textos curtos, com narrador em primeira pessoa, embalados a lirismo confessional. Em um e outro, o valor intrínseco do discurso consciente.

A moral de Euler é tamanha, a ponto de o Sesc o convidar para ministrar um curso de escrita criativa. De 12 a 14 de outubro, o danado convida os interessados a lançar um olhar sobre a cidade. A iniciativa tinha tudo para redundar em literatice. Mas não é de agora que Euler Lopes se esgoela em achados de poesia.

Jornal do Dia - Eu observo com certo espanto, o interesse aqui presumido em uma oficina de escrita criativa, em um País sem muitos leitores. Quem procura os seus cursos? O exercício literário tem mesmo futuro em Sergipe?

Euler Lopes - É surpreendente que o interesse na escrita criativa está em todo o país. Acompanho e aprendo com outros escritores que já possuem essa iniciativa e acho interessante. Sempre senti falta de um espaço onde pudesse compartilhar meus escritos e criar possibilidades de novas formas de escrita. Eu não acredito que o Brasil seja um país sem leitores, e ainda tenho esperança na formação de leitores. Acho que essas iniciativas de sair do gabinete e encontrar pessoas interessadas em ler e escrever desmistifica muita coisa. Nos cursos tem pessoas que já escrevem e que só querem espaço para encontrar olhares, leitores. Penso que Sergipe tem demonstrado estar atento a esse movimento. E agora temos o Sesc incentivando cada vez mais.

JD - Você tem dois livros lançados. Conseguiu furar a bolha dos leitores de sempre, os parentes e amigos? Em Sergipe, a literatura é profissão rentável?

Euler - Acho que sim. É óbvio que não consigo ainda ser um escritor lido. Acho que o meu livro de dramaturgia tem um público específico e o 'Bolor' é uma produção independente de ainda baixa circulação. Ambos tem atingido pessoas em diversos lugares dentro e fora de Sergipe. O mais importante desse processo pra mim está sendo saber pra onde está indo cada livro e quais pessoas posso estar atingindo. É algo interessante acompanhar esse processo, de certa forma até emancipatório. É óbvio que os livros não geram lucro, mas, eles já pagam o seu gasto e faço caixinha pros próximos.

JD - Quem, entre os escritores sergipanos merecem a sua atenção?

Euler - Para mim, Taylane Cruz é a que tem um projeto muito bem claro e estruturado do que quer na literatura. 'A pele das coisas' é uma obra prima. Temos a Débora Arruda, com seus projetos de poesia oral. No cordel, Eduardo Teles que tem publicações lindíssimas.  E tem uma galera que amo também como Jessica Caribé, Rafael Amorim,  Matheus Brito, Elisa Lemos, Renata de Castro, Stela. Em Lagarto tem um poeta maravilhoso, o César Oliveira de Oliveira. Tem muito mais gente, mas só me recordo destes agora.

JD - Quem são as suas maiores influências literárias assumidas? E os temas caros ao escritor Euler Lopes?

Euler - Minha tríade é Caio Fernando Abreu, Hilda Hilst e Ana Cristina César. Mas, tem uma galera como Marcelino Freire, João Ubaldo Ribeiro, Dalton Trevisan, Lygia Fagundes Teles, Matilde Campilho, Daniel Viana etc. Ultimamente estou apaixonado pela Juliana Leite, o 'Entre as mãos' ainda está na minha cabeça.  Eu acho que as relações entre as pessoas me marcou muito. Agora estou numa pegada mais de pensar o coletivo e entender o que estamos fazendo com essa humanidade.

JD - Acompanhou a polêmica sobre lugar de fala, levantada por Mia Couto? Qual a sua opinião? 

Euler - Não acompanhei, não. Sabendo agora. Tenho a impressão que muita gente não entende o que é lugar de fala, nem eu sou especialista nisso, então não posso opinar. Prefiro ouvir, nesses casos. Tento, enquanto escritor, não me passar, não esquecer meus privilégios de homem branco cis, mas é óbvio que vou falhar.

JD - Com a polarização política, as diversas formas de exercício artístico, o teatro e a literatura incluídos, passaram a ser questionadas sobre a sua filiação ideológica. Isso não tem o potencial de homogeneizar os discursos?

Euler - Eu não acredito. Acho que é um convite para a gente se reinventar. Meu grupo de teatro tem feito isso. As oficinas e as mil atividades que estão surgindo tem a ver com isso. É reinventar poeticamente e seguir em frente, mais atento e mais forte.