Doença causada por novo parasita é identificada em Sergipe

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O professor Roque Pacheco Almeida, pesquisador da UFS
O professor Roque Pacheco Almeida, pesquisador da UFS

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Publicada em 01/10/2019 às 23:21:00

 

Em 2011, o pesquisa
dor da UFS Roque Pa
checo Almeida atendeu um paciente, no Hospital Universitário de Aracaju (HU), que apresentava sintomas parecidos ao da leishmaniose. Após a ineficácia dos tratamentos, o homem de 64 anos veio a falecer no ano seguinte.
Roque Almeida, que é imunologista e chefe do Laboratório de Biologia Molecular do HU, isolou o parasita causador da doença e o enviou para análises do Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias (CRID), em São Paulo, do qual faz parte - os resultados da pesquisa foram publicados na revista especializada EID.
A conclusão da equipe é de que o parasita não pertence ao gênero Leishmania, composto por várias espécies causadoras de diferentes tipos de leishmaniose. A espécie está mais próxima da Crithidia fasciculata, um parasita presente em mosquitos, mas que não infecta vertebrados - como os humanos e demais mamíferos.
A nova espécie, entretanto, infectou 150 pessoas em Sergipe, atendidas por Roque, que isolou os parasitas desses pacientes para ampliação dos estudos.
"Atualmente, temos 150 isolados de parasitos provenientes de pacientes e pretendemos sequenciar o genoma para verificar a extensão desta doença emergente. Vale ressaltar que, de acordo com dados do Ministério da Saúde, o estado de Sergipe tem uma das mais altas taxas de mortalidade do Brasil por leishmaniose visceral, em torno de 15%, quando o esperado seria de 6%", alerta o pesquisador.
Após testes em camundongos, os cientistas confirmaram que o parasita tem realmente a capacidade de se instalar em vertebrados.
Sintomas e causas - Os sintomas da doença, que ainda não tem nome, são parecidos aos da leishmaniose visceral: febre, aumento do baço e do fígado e diminuição de todos os tipos de células sanguíneas. No paciente em que foi letal, porém, a doença manifestou também lesões de pele parecidas às de outro tipo de leishmaniose, a tegumentar.
Ainda não se sabe também como a doença é transmitida. O parasita da leishmaniose visceral é transmitido pelo mosquito palha. Já a Crithidia fasciculata, que se assemelha à espécie descoberta, está presente em outros tipos de mosquitos, como os que transmitem a malária e até o Culex, famoso pernilongo (ou muriçoca, para os nordestinos).
No entanto, faltam ainda muitos estudos, tanto para conhecer melhor a doença e criar tratamentos, como para confirmar o agente transmissor.
"Estamos tentando sequenciar o DNA de vários outros parasitos para identificar mais isolados do novo agente infecioso. Estamos também iniciando estudos de campo para identificar o mosquito transmissor e possíveis reservatórios do parasito", diz Roque Almeida.
O que se sabe é que o parasita descoberto tem potencial para se tornar um problema de saúde pública.
"Talvez estejamos diante de um grande problema decorrente da presença de um novo agente infecioso e não dispomos ainda de terapêutica adequada. Podemos ampliar nossas pesquisas, com colaboração de outros estados do Brasil, analisando genoma de parasitos", conclui o pesquisador.
Outros estudos - Roque Almeida já esteve envolvido em outras importantes descobertas, como na pesquisa que associou pela primeira vez a Síndrome de Guillain-Barré ao vírus Chikungunya. (Agência UFS)

Em 2011, o pesquisa dor da UFS Roque Pa checo Almeida atendeu um paciente, no Hospital Universitário de Aracaju (HU), que apresentava sintomas parecidos ao da leishmaniose. Após a ineficácia dos tratamentos, o homem de 64 anos veio a falecer no ano seguinte.
Roque Almeida, que é imunologista e chefe do Laboratório de Biologia Molecular do HU, isolou o parasita causador da doença e o enviou para análises do Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias (CRID), em São Paulo, do qual faz parte - os resultados da pesquisa foram publicados na revista especializada EID.
A conclusão da equipe é de que o parasita não pertence ao gênero Leishmania, composto por várias espécies causadoras de diferentes tipos de leishmaniose. A espécie está mais próxima da Crithidia fasciculata, um parasita presente em mosquitos, mas que não infecta vertebrados - como os humanos e demais mamíferos.
A nova espécie, entretanto, infectou 150 pessoas em Sergipe, atendidas por Roque, que isolou os parasitas desses pacientes para ampliação dos estudos.
"Atualmente, temos 150 isolados de parasitos provenientes de pacientes e pretendemos sequenciar o genoma para verificar a extensão desta doença emergente. Vale ressaltar que, de acordo com dados do Ministério da Saúde, o estado de Sergipe tem uma das mais altas taxas de mortalidade do Brasil por leishmaniose visceral, em torno de 15%, quando o esperado seria de 6%", alerta o pesquisador.
Após testes em camundongos, os cientistas confirmaram que o parasita tem realmente a capacidade de se instalar em vertebrados.

Sintomas e causas - Os sintomas da doença, que ainda não tem nome, são parecidos aos da leishmaniose visceral: febre, aumento do baço e do fígado e diminuição de todos os tipos de células sanguíneas. No paciente em que foi letal, porém, a doença manifestou também lesões de pele parecidas às de outro tipo de leishmaniose, a tegumentar.
Ainda não se sabe também como a doença é transmitida. O parasita da leishmaniose visceral é transmitido pelo mosquito palha. Já a Crithidia fasciculata, que se assemelha à espécie descoberta, está presente em outros tipos de mosquitos, como os que transmitem a malária e até o Culex, famoso pernilongo (ou muriçoca, para os nordestinos).
No entanto, faltam ainda muitos estudos, tanto para conhecer melhor a doença e criar tratamentos, como para confirmar o agente transmissor.
"Estamos tentando sequenciar o DNA de vários outros parasitos para identificar mais isolados do novo agente infecioso. Estamos também iniciando estudos de campo para identificar o mosquito transmissor e possíveis reservatórios do parasito", diz Roque Almeida.O que se sabe é que o parasita descoberto tem potencial para se tornar um problema de saúde pública.
"Talvez estejamos diante de um grande problema decorrente da presença de um novo agente infecioso e não dispomos ainda de terapêutica adequada. Podemos ampliar nossas pesquisas, com colaboração de outros estados do Brasil, analisando genoma de parasitos", conclui o pesquisador.

Outros estudos - Roque Almeida já esteve envolvido em outras importantes descobertas, como na pesquisa que associou pela primeira vez a Síndrome de Guillain-Barré ao vírus Chikungunya. (Agência UFS)