O disco mais cafona do ano

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Publicada em 01/10/2019 às 08:11:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
No palco, Mestrinho 
é o dono do peda-
ço. À frente da banda, acompanhando artistas de veia nordestina, o sanfoneiro encarna um verdadeiro gênio da raça - livre, leve e solto, feito um menino. Trata-se aqui de um fato público e notório. O músico é um gigante. O seu rendimento entre as quatro paredes do estúdio, no entanto, ainda deixa muito a desejar. O recém lançado 'Grito de amor' é o disco mais cafona do ano.
Mestrinho é um cantor correto e toca sanfona como ninguém. Mas as suas composições não passam de um equívoco. 'Ansiosos pra viver', indicada ao Grammy de Melhor Canção em Língua Portuguesa, por exemplo, realiza uma declaração repleta de boas intenções. A mensagem até que vem a calhar. Bem sucedido, o esforço seria oportuno. Mas a combinação de uma letra francamente piegas com as fórmulas prontas do pop mais surrado põe tudo a perder. Feita para tocar no rádio, a música dá sono.
Outro dia, Milton Nascimento declarou desapreço pela música realizada hoje em Terra Brasílis. Referia-se, naturalmente, aos soluços pasteurizados do mainstream. Por incrível que pareça, afirmação tão justa provocou escândalo. Uns e outros lembraram os papocos que estouram à margem. Os mais afoitos foram além e fizeram pouco caso de sua obra, uma das discografias mais preciosas do mundo. 
Pobre de mim... Se Milton Nascimento, com aquela voz toda, apanhou feito um Judas em sábado de Aleluia, por afirmar o óbvio, o que será de mim, um jornalista de meia tigela, atrevido a ponto de acusar a falta de imaginação de Mestrinho, um dos artistas mais bem sucedidos de Sergipe? Na melhor das hipóteses, receberei o troco na mesma moeda. Cá entre nós, não ganho para tanto.
De todo modo, digo e repito: Quem vê Mestrinho no palco participa de uma experiência única. Na hora do vamos ver, a sanfona ronca e todos em volta se animam. Quem ouve os seus discos, ao contrário, logo os esquece. Em 'Grito de amor', um álbum descartável, Mestrinho é só mais um. 

No palco, Mestrinho  é o dono do peda- ço. À frente da banda, acompanhando artistas de veia nordestina, o sanfoneiro encarna um verdadeiro gênio da raça - livre, leve e solto, feito um menino. Trata-se aqui de um fato público e notório. O músico é um gigante. O seu rendimento entre as quatro paredes do estúdio, no entanto, ainda deixa muito a desejar. O recém lançado 'Grito de amor' é o disco mais cafona do ano.
Mestrinho é um cantor correto e toca sanfona como ninguém. Mas as suas composições não passam de um equívoco. 'Ansiosos pra viver', indicada ao Grammy de Melhor Canção em Língua Portuguesa, por exemplo, realiza uma declaração repleta de boas intenções. A mensagem até que vem a calhar. Bem sucedido, o esforço seria oportuno. Mas a combinação de uma letra francamente piegas com as fórmulas prontas do pop mais surrado põe tudo a perder. Feita para tocar no rádio, a música dá sono.
Outro dia, Milton Nascimento declarou desapreço pela música realizada hoje em Terra Brasílis. Referia-se, naturalmente, aos soluços pasteurizados do mainstream. Por incrível que pareça, afirmação tão justa provocou escândalo. Uns e outros lembraram os papocos que estouram à margem. Os mais afoitos foram além e fizeram pouco caso de sua obra, uma das discografias mais preciosas do mundo. 

Pobre de mim... Se Milton Nascimento, com aquela voz toda, apanhou feito um Judas em sábado de Aleluia, por afirmar o óbvio, o que será de mim, um jornalista de meia tigela, atrevido a ponto de acusar a falta de imaginação de Mestrinho, um dos artistas mais bem sucedidos de Sergipe? Na melhor das hipóteses, receberei o troco na mesma moeda. Cá entre nós, não ganho para tanto.
De todo modo, digo e repito: Quem vê Mestrinho no palco participa de uma experiência única. Na hora do vamos ver, a sanfona ronca e todos em volta se animam. Quem ouve os seus discos, ao contrário, logo os esquece. Em 'Grito de amor', um álbum descartável, Mestrinho é só mais um.