NEM SÓ DE BOZO VIVE O BRASIL

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Publicada em 24/09/2019 às 23:55:00

 

* Lelê Teles
Enquanto o ecocida que nos preside - por enquanto - fazia sua entrada triunfal na grande lata de lixo da história, com sua retórica retrógada e farsesca em Nova Iorque, acontecia um debate no plenário 15 da Câmara dos Deputados, em Brasília, com a presença de um representante do governo venezuelano.
Digo isso porque o Itamaraty pediu, junto à ONU, o credenciamento de duas figuras estrangeiras na comitiva do Bozo, duas criaturas ligadas ao caricato Juan Guaidó, o canalha golpista de dentes clareados.
Veja que curioso.
 "Não é a primeira vez que se leva droga na comitiva deste presidente", sussurrou um gaiato.
O Deputado Federal João Daniel (PT/SE), coordenador do Núcleo Agrário do PT, mediava a mesa em Brasília e disse que Guaidó representa os interesses dos ianques, de narcotraficantes e de paramilitares.
Na ONU, Bozo disse que o Brasil trabalha "com os estados Unidos para a democracia ser restabelecida na Venezuela e para outros países não enfrentarem esse nefasto regime".
Ora, ora, ora.
Aqui em Brasília, Fernando Conceição, integrante do MST e que compunha a mesa de debates, lembrava que nos últimos anos foram realizadas 23 eleições e referendos no país vizinho, tendo o chavismo saído vitorioso em 20 destes pleitos.
Freddy Efrain Meregote Flores, que representa o governo venezuelano no Brasil - não temos embaixada venezuelana desde o golpe - não se mostrou surpreso com a presença dos guaidós na comitiva brasileira.
Afinal, Guaidó e Bozo são dois fantoches nas mãos de Trump.
Freddy lembrou, também, que a "OEA, que é um órgão multilateral e legítimo, reconhece o governo venezuelano e referenda a legitimidade de suas eleições, salientando que os problemas enfrentados em seu país devem ser resolvidos pelos seus cidadãos e não por uma nação estrangeira com interesses nefastos.
Enquanto em Nova Iorque o Bozo atacava nações estrangeiras, índios brasileiros e o diabo a quatro, sentando a bordoada na Venezuela, aqui em Brasília se discutia novas formas de narrativa para que os brasileiros saiam dessa ignorância quanto a tudo o que ocorre no país vizinho.
"O problema é a fome", perguntou Freddy Flores, "há fome na África, os porto-riquenhos sofrem por causa de uma catástrofe devastadora, os países da América Central enfrentam crises profundas... é com a fome que estão preocupados? ", pergunta ironicamente.
A fome existe, não se há de negar, mas para Freddy a raiz dos problemas econômicos venezuelanos está no estrangulamento causado pelo bloqueio desumano e brutal por parte do governo Trump.
 "O bloqueio tem a força de uma bomba atômica", disse Fernando, "porque mata muita gente!"
Apesar de ter a quarta maior reserva de ouro planeta e as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela está de mãos atadas.
Os bancos estrangeiros confiscam suas reservas monetárias e os ianques apavoram qualquer parceiro comercial que queira fazer negócios com o país governado por Maduro.
É um problema para nós, já que a Venezuela foi um dos principais parceiros econômicos do Brasil, sempre exportamos mais a eles do que importamos.
E isso importa? Claro que importa, cara.
E por que esse ódio seletivo contra a Venezuela?
Segundo Flores é porque eles não se subordinaram ao império. Ele lembrou que antes de Chávez, o petróleo venezuelano custava míseros sete dólares para os Estados Unidos.
Depois, quando Chávez colocou as riquezas naturais nas mãos do povo do seu país, o petróleo passou a oitenta, noventa, chegando a 120 dólares o barril; estancando a sangria.
E a grana foi revertida em melhoria nas condições de vida do povo. As missões, lembrou ele, trouxeram o povo para as universidades, as academias chegaram aos quilombolas, aos indígenas, à gente pobre.
Perguntam: há uma avalanche de refugiados venezuelanos nos países vizinhos? Alto lá, responde Flores, "não são refugiados, são personas desplazadas por la situación económica."
É uma questão semântica apenas?, claro que não, cara. Trata-se da desconstrução de uma narrativa.
Os venezuelanos buscam países vizinhos porque querem melhores condições de vida, o diabo é que eles não têm encontrado isso em lugar algum.
No Peru, o governo de Maduro manda voos para trazer de volta seus compatriotas. A Colômbia, desgraçadamente, proibiu os sobrevoos dessas aeronaves venezuelanas que tentam repatriar sua gente.
Logo a Colômbia, país com o qual a Venezuela foi bastante solidária. Mais de 6 milhões de colombianos vivem na Venezuela, estes sim refugiados de perseguições políticas e fugindo da violência que brutalizava aquele país.
Como se vê, é tudo uma questão de narrativa.
O deputado João Daniel propôs que se formasse uma frente de parlamentares amigos da Venezuela e que mais debates fossem realizados, demonstrando que não só de Bozo vive o Brasil.
Palavra da salvação.
* Lelê Teles é jornalista, roteirista e publicitário

* Lelê Teles

Enquanto o ecocida que nos preside - por enquanto - fazia sua entrada triunfal na grande lata de lixo da história, com sua retórica retrógada e farsesca em Nova Iorque, acontecia um debate no plenário 15 da Câmara dos Deputados, em Brasília, com a presença de um representante do governo venezuelano.
Digo isso porque o Itamaraty pediu, junto à ONU, o credenciamento de duas figuras estrangeiras na comitiva do Bozo, duas criaturas ligadas ao caricato Juan Guaidó, o canalha golpista de dentes clareados.
Veja que curioso.
 "Não é a primeira vez que se leva droga na comitiva deste presidente", sussurrou um gaiato.
O Deputado Federal João Daniel (PT/SE), coordenador do Núcleo Agrário do PT, mediava a mesa em Brasília e disse que Guaidó representa os interesses dos ianques, de narcotraficantes e de paramilitares.
Na ONU, Bozo disse que o Brasil trabalha "com os estados Unidos para a democracia ser restabelecida na Venezuela e para outros países não enfrentarem esse nefasto regime".
Ora, ora, ora.
Aqui em Brasília, Fernando Conceição, integrante do MST e que compunha a mesa de debates, lembrava que nos últimos anos foram realizadas 23 eleições e referendos no país vizinho, tendo o chavismo saído vitorioso em 20 destes pleitos.
Freddy Efrain Meregote Flores, que representa o governo venezuelano no Brasil - não temos embaixada venezuelana desde o golpe - não se mostrou surpreso com a presença dos guaidós na comitiva brasileira.
Afinal, Guaidó e Bozo são dois fantoches nas mãos de Trump.
Freddy lembrou, também, que a "OEA, que é um órgão multilateral e legítimo, reconhece o governo venezuelano e referenda a legitimidade de suas eleições, salientando que os problemas enfrentados em seu país devem ser resolvidos pelos seus cidadãos e não por uma nação estrangeira com interesses nefastos.
Enquanto em Nova Iorque o Bozo atacava nações estrangeiras, índios brasileiros e o diabo a quatro, sentando a bordoada na Venezuela, aqui em Brasília se discutia novas formas de narrativa para que os brasileiros saiam dessa ignorância quanto a tudo o que ocorre no país vizinho.
"O problema é a fome", perguntou Freddy Flores, "há fome na África, os porto-riquenhos sofrem por causa de uma catástrofe devastadora, os países da América Central enfrentam crises profundas... é com a fome que estão preocupados? ", pergunta ironicamente.
A fome existe, não se há de negar, mas para Freddy a raiz dos problemas econômicos venezuelanos está no estrangulamento causado pelo bloqueio desumano e brutal por parte do governo Trump.
 "O bloqueio tem a força de uma bomba atômica", disse Fernando, "porque mata muita gente!"
Apesar de ter a quarta maior reserva de ouro planeta e as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela está de mãos atadas.
Os bancos estrangeiros confiscam suas reservas monetárias e os ianques apavoram qualquer parceiro comercial que queira fazer negócios com o país governado por Maduro.
É um problema para nós, já que a Venezuela foi um dos principais parceiros econômicos do Brasil, sempre exportamos mais a eles do que importamos.
E isso importa? Claro que importa, cara.
E por que esse ódio seletivo contra a Venezuela?
Segundo Flores é porque eles não se subordinaram ao império. Ele lembrou que antes de Chávez, o petróleo venezuelano custava míseros sete dólares para os Estados Unidos.
Depois, quando Chávez colocou as riquezas naturais nas mãos do povo do seu país, o petróleo passou a oitenta, noventa, chegando a 120 dólares o barril; estancando a sangria.
E a grana foi revertida em melhoria nas condições de vida do povo. As missões, lembrou ele, trouxeram o povo para as universidades, as academias chegaram aos quilombolas, aos indígenas, à gente pobre.
Perguntam: há uma avalanche de refugiados venezuelanos nos países vizinhos? Alto lá, responde Flores, "não são refugiados, são personas desplazadas por la situación económica."
É uma questão semântica apenas?, claro que não, cara. Trata-se da desconstrução de uma narrativa.
Os venezuelanos buscam países vizinhos porque querem melhores condições de vida, o diabo é que eles não têm encontrado isso em lugar algum.
No Peru, o governo de Maduro manda voos para trazer de volta seus compatriotas. A Colômbia, desgraçadamente, proibiu os sobrevoos dessas aeronaves venezuelanas que tentam repatriar sua gente.
Logo a Colômbia, país com o qual a Venezuela foi bastante solidária. Mais de 6 milhões de colombianos vivem na Venezuela, estes sim refugiados de perseguições políticas e fugindo da violência que brutalizava aquele país.
Como se vê, é tudo uma questão de narrativa.
O deputado João Daniel propôs que se formasse uma frente de parlamentares amigos da Venezuela e que mais debates fossem realizados, demonstrando que não só de Bozo vive o Brasil.
Palavra da salvação.

* Lelê Teles é jornalista, roteirista e publicitário