Sergipe não merece Amorosa

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Filha ilustre de uma terra ingrata
Filha ilustre de uma terra ingrata

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Publicada em 24/09/2019 às 06:45:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Escrevo à beira da 
amargura, tomado 
pelo temor de soar mal agradecido. Mas este que já me pareceu o melhor ofício do mundo também tem um lado avesso, que agora me pesa como um fardo sobre as costas. 
Lembro de Araripe Coutinho, tão elegante e tão pobre, até a morte. Penso em Amorosa, a quem ele chamava Estrela, proibida pelos mistérios do céu de continuar cantando para tão poucos numa terra ingrata. Para minha própria surpresa, compreendo finalmente o preço que um e outra pagaram para honrar um dom magnífico em meio a ouvidos moucos, assumiram o risco de falar às paredes.
A semana passada, Amorosa declarou aos quatro ventos: obediente à voz do Alto, um sopro que lhe cresce por dentro, ela vai se abster de cantar em eventos abertos ao público sergipano. Eu, cá comigo, herege todo, penso que agindo assim a cantora procede muito bem. Para ser recompensado, uma perversão muito reveladora, o talento serigy tem antes de receber o aval do povo de fora.
Joel Silveira não teria se tornado o maior repórter do Brasil batendo ponto na redação de um jornal em Aracaju. Poderia escrever com o mesmo brilho, um gênio mal remunerado. Ainda assim, acabaria enterrado em vala comum, junto aos indigentes da profissão, apenas mais um no túmulo pestilento de nossa memória pouca.
Quantos se lembram da banda Lacertae? A Reação teria o mesmo prestígio, sem a bênção de Falcão (O Rappa)? The Baggios seria apreciada do mesmo modo, sem a indicação ao Grammy, os festivais espalhados pelos quatro canto do País, o palco do Lollapalooza? Sem auto estima suficiente, ninguém bate palmas por vontade própria, falta força.
Lá atrás, quando as portas de uma carreira de projeção nacional se abriram, Amorosa deu um passo para trás, decidida a fincar raízes em Sergipe. Só ela sabe de suas razões. Eu, que nunca vi a cor de chance parecida, tremo de medo. Se cada um escreve o próprio destino, não resta a ninguém o consolo de culpar a sorte.

Escrevo à beira da  amargura, tomado  pelo temor de soar mal agradecido. Mas este que já me pareceu o melhor ofício do mundo também tem um lado avesso, que agora me pesa como um fardo sobre as costas. 
Lembro de Araripe Coutinho, tão elegante e tão pobre, até a morte. Penso em Amorosa, a quem ele chamava Estrela, proibida pelos mistérios do céu de continuar cantando para tão poucos numa terra ingrata. Para minha própria surpresa, compreendo finalmente o preço que um e outra pagaram para honrar um dom magnífico em meio a ouvidos moucos, assumiram o risco de falar às paredes.
A semana passada, Amorosa declarou aos quatro ventos: obediente à voz do Alto, um sopro que lhe cresce por dentro, ela vai se abster de cantar em eventos abertos ao público sergipano. Eu, cá comigo, herege todo, penso que agindo assim a cantora procede muito bem. Para ser recompensado, uma perversão muito reveladora, o talento serigy tem antes de receber o aval do povo de fora.
Joel Silveira não teria se tornado o maior repórter do Brasil batendo ponto na redação de um jornal em Aracaju. Poderia escrever com o mesmo brilho, um gênio mal remunerado. Ainda assim, acabaria enterrado em vala comum, junto aos indigentes da profissão, apenas mais um no túmulo pestilento de nossa memória pouca.
Quantos se lembram da banda Lacertae? A Reação teria o mesmo prestígio, sem a bênção de Falcão (O Rappa)? The Baggios seria apreciada do mesmo modo, sem a indicação ao Grammy, os festivais espalhados pelos quatro canto do País, o palco do Lollapalooza? Sem auto estima suficiente, ninguém bate palmas por vontade própria, falta força.
Lá atrás, quando as portas de uma carreira de projeção nacional se abriram, Amorosa deu um passo para trás, decidida a fincar raízes em Sergipe. Só ela sabe de suas razões. Eu, que nunca vi a cor de chance parecida, tremo de medo. Se cada um escreve o próprio destino, não resta a ninguém o consolo de culpar a sorte.