Economista alerta que saída da Petrobras vai afetar economia sergipana

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O economista Luiz Moura, do Dieese Sergipe
O economista Luiz Moura, do Dieese Sergipe

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Publicada em 22/09/2019 às 09:41:00

 

Jornal do Dia - Quais os impactos que a saída da Petrobras trarão para a economia sergipana? Sergipe já foi um estado com o maior PIB do Nordeste e hoje vem caindo muito. O que pode ser feito para reverter essa situação?
Luiz Moura - Se a vinda da Petrobras para Sergipe foi uma grande virtude porque dinamizou a economia, trouxe empregados qualificados, pessoas com níveis salariais elevados que mobilizou o comércio do Estado, em especial de Aracaju, mobilizou a construção civil por conta da construção de unidades habitacionais, enfim, a Petrobras chegou a representar cerca de 40% do PIB do Estado de Sergipe, a vinda dela foi uma coisa excelente para a economia sergipana, já a saída dela pelo contrário, significa desmobilização de uma imunidade de produção da Petrobras extremamente importante para a economia do Estado. 
Novamente nós perderemos os empregos qualificados, empregos com altos salários, tanto os empregos diretos como os indiretos, e isso vai ter um impacto na economia do estado. O outro dado é que viabiliza o enfraquecimento do Estado de Sergipe e do Nordeste. Veja que a Petrobras está sinalizando que vai acabar com todas as suas operações no Nordeste e parece até uma vingança do presidente Bolsonaro por não ter sido bem-sucedido eleitoralmente na região, o que seria uma mesquinharia, uma visão pequena do que é o Brasil se isso for verdade. Verdade ou não, a Petrobras está saindo do Nordeste e isso vai trazer um impacto negativo para a economia do Estado de Sergipe, para o Nordeste e principalmente para Sergipe porque foi descoberto agora um potencial gigante de exploração de petróleo e gás. Fala-se muito no gás, mas o principal é o petróleo. 
Participei recentemente de um seminário onde o ex-superintendente da Petrobras aqui de Sergipe insinuou que um poço terá reserva de cinco bilhões de barris de petróleo somente em um único poço. Colocando aí uma 'conta de padaria', petróleo a US$ 50 - é claro que oscila muito, mas vamos deixar nos US$ 50 - significa uma riqueza de US$ 250 bilhões em um único poço - claro que se confirmar que esse poço possui a reserva de cinco bilhões de barris. Veja, o PIB do Estado de Sergipe gira em torno de R$ 48 bilhões, colocando o Dólar a R$ 4, nós temos cerca de US$ 11 bilhões que é o PIB de Sergipe, e uma riqueza de US$ 250 bilhões. Então veja a proporção. O [Eugênio] Dezen - ex-superintendente da Petrobras - afirmou que essa descoberta rivaliza com a bacia de Campos do Rio de Janeiro. Se existe de fato essa riqueza, porque a Petrobras está saindo de Sergipe e do Nordeste? Você poderia até dizer: vamos esperar para ver se confirma ou não essa riqueza, e aí você teria que ter mais trabalhadores da Petrobras aqui, otimizar a operação da Petrobras aqui. Mas isso não está acontecendo. 
O que está sinalizando é que essa riqueza será vendida. Não vai ser a Petrobras que vai explorar essa riqueza, o que é uma coisa grave. Se você não internalizar essa riqueza na economia sergipana nós só teremos o benefício dos royalties. Hoje Sergipe arrecada de royalties R$ 100 milhões por ano; acredita-se que esse valor seria multiplicado por dez. Então por ano nós teríamos aí R$ 1 bilhão, ou um R$ 1,1 bilhão, de royalties na economia do estado. É importante? É! Mas se fosse internalizado, se nós trouxéssemos unidades produtoras que utilizasse o gás aqui do Estado de Sergipe, ou até mesmo uma refinaria, você estaria internalizando essa riqueza. Porque se esse poço descoberto for vendido, simplesmente uma estatal dessa aí da Noruega ou da China pode aportar um navio na plataforma de petróleo, enche ele e vai embora do Estado com nenhuma gota sendo internalizada na economia do sergipano. Isso é um risco concreto. 
Por isso os políticos dos nove estados - porque não adianta Sergipe sozinho - temos nove governadores, 27 senadores, não sei quantos deputados federais, estaduais, vereadores e prefeitos dos nove estados do Nordeste que dependem economicamente da estrutura da Petrobras. É claro que essas pessoas deveriam estar preocupadas e unidas no sentido de tirar essa ideia do Governo Federal. Veja que com a Eletrobrás está acontecendo uma coisa interessante. O governo quer privatizar a Eletrobrás, mas há uma reação da classe política e o Senado já avisou que hoje não se venderia a Eletrobrás. Por conta dessa unidade política pode estar barrando a venda da Eletrobrás e eu acredito que o mesmo deveria estar acontecendo com as unidades de produção e administração da Petrobras nos diversos estados do Nordeste.
JD - O governo aposta muito na termoelétrica que está sendo construída na Barra dos Coqueiros. Isso é correto?
Luiz Moura - A termoelétrica é importante para o Estado, mas nem de perto se aproxima da importância Petrobras. Porque a termoelétrica  vai vender energia para fora do Estado de Sergipe. Sergipe vai ser o estado superavitário em energia. Nós teremos a termoelétrica, Xingó e vamos ter também a energia solar no Sertão sergipano - há uma promessa para isso. Sergipe estará muito bem servido de potencial elétrico. Nós temos a termoelétrica, temos a energia solar no Sertão se de fato vir, e temos essa descoberta aqui no nosso litoral. 
Mas a termoelétrica por si só não supre o papel da Petrobras. Primeiro, porque são poucos empregos gerados depois que ela for construída. A maioria dos empregos é com especialização, o nível de automação dessas ações é elevado, houve o incentivo do Governo do Estado com a relação ao gás da termoelétrica, e me parece que vai pagar 4% de ICMS, não sei qual é também o tipo de incentivo fiscais que o Governo do Estado pode ter dado. É importante, vai ser uma excelente fonte de energia para o estado, e para os outros estados já que o sistema elétrico é interligado, mas eu diria que entre a termoelétrica dentro do ponto de vista da economia do estado de Sergipe, e aquela unidade que poderá ser construída no sertão sergipano com a energia solar, muito melhor a energia solar, porque vai para uma região extremamente pobre do estado, onde a agricultura é difícil, e você vai ter lá uma unidade de produção de energia onde o sol brilha o ano todo. É claro que essas duas unidades são extremamente importantes para o Estado de Sergipe, agora a Petrobras tem seu papel na economia do estado que essas duas não suprem, infelizmente.
 JD - A sociedade não está acompanhando com passividade esse desmonte da Petrobras no Nordeste?
Luiz Moura - Eu não entendo como o setor empresarial do Nordeste fica passivo com relação a essa desmobilização da Petrobras na economia do Nordeste, e de Sergipe também Acredito que os empresários teriam um papel importante aí na luta dos trabalhadores, dos políticos; o próprio consócio do Nordeste no sentido de mostrar ao governo Bolsonaro que a saída da Petrobras do Nordeste é extremamente danosa para a economia dos estados. Não pense que os empresários não serão atingidos, em especial da construção civil, do comércio, empresas que fornecem para a Petrobras, empresas terceirizadas, essas empresas sofreram com a desmobilização da Petrobras. Não vejo discussão em fóruns empresariais do Nordeste sobre essa questão; a Federação das Indústrias de Sergipe deveria mobilizar sua força política no sentido de articular aí com as outras federações uma reação contra a ideia de tirar a Petrobras do Nordeste e do Estado de Sergipe.

O economista Luiz Moura, diretor do Dieese em Sergipe, alerta que a saída da Petrobras do Estado vai provocar uma queda no PIB sergipano, acabar com empregos qualificados e com níveis salariais elevados. Segundo o economista, as reservas de petróleo e gás descobertas em águas profundas de Sergipe podem chegar a US$ 250 bilhões. "Se não for a Petrobras que explore esses novos campos, o Estado terá receitas apenas de roaylties", destacou.

Luiz Moura alerta que a termoelétrica que está sendo construída na Barra dos Coqueiros não supre o papel da Petrobras na economia sergipana, porque vai gerar poucos empregos em função do alto grau de automoção, e recolherá poucos impostos em função dos incentivos fiscais concedidos pelo governo estadual.

Jornal do Dia - Quais os impactos que a saída da Petrobras trarão para a economia sergipana? Sergipe já foi um estado com o maior PIB do Nordeste e hoje vem caindo muito. O que pode ser feito para reverter essa situação?

Luiz Moura - Se a vinda da Petrobras para Sergipe foi uma grande virtude porque dinamizou a economia, trouxe empregados qualificados, pessoas com níveis salariais elevados que mobilizou o comércio do Estado, em especial de Aracaju, mobilizou a construção civil por conta da construção de unidades habitacionais, enfim, a Petrobras chegou a representar cerca de 40% do PIB do Estado de Sergipe, a vinda dela foi uma coisa excelente para a economia sergipana, já a saída dela pelo contrário, significa desmobilização de uma imunidade de produção da Petrobras extremamente importante para a economia do Estado. 
Novamente nós perderemos os empregos qualificados, empregos com altos salários, tanto os empregos diretos como os indiretos, e isso vai ter um impacto na economia do estado. O outro dado é que viabiliza o enfraquecimento do Estado de Sergipe e do Nordeste. Veja que a Petrobras está sinalizando que vai acabar com todas as suas operações no Nordeste e parece até uma vingança do presidente Bolsonaro por não ter sido bem-sucedido eleitoralmente na região, o que seria uma mesquinharia, uma visão pequena do que é o Brasil se isso for verdade. Verdade ou não, a Petrobras está saindo do Nordeste e isso vai trazer um impacto negativo para a economia do Estado de Sergipe, para o Nordeste e principalmente para Sergipe porque foi descoberto agora um potencial gigante de exploração de petróleo e gás. Fala-se muito no gás, mas o principal é o petróleo. 
Participei recentemente de um seminário onde o ex-superintendente da Petrobras aqui de Sergipe insinuou que um poço terá reserva de cinco bilhões de barris de petróleo somente em um único poço. Colocando aí uma 'conta de padaria', petróleo a US$ 50 - é claro que oscila muito, mas vamos deixar nos US$ 50 - significa uma riqueza de US$ 250 bilhões em um único poço - claro que se confirmar que esse poço possui a reserva de cinco bilhões de barris. Veja, o PIB do Estado de Sergipe gira em torno de R$ 48 bilhões, colocando o Dólar a R$ 4, nós temos cerca de US$ 11 bilhões que é o PIB de Sergipe, e uma riqueza de US$ 250 bilhões. Então veja a proporção. O [Eugênio] Dezen - ex-superintendente da Petrobras - afirmou que essa descoberta rivaliza com a bacia de Campos do Rio de Janeiro. Se existe de fato essa riqueza, porque a Petrobras está saindo de Sergipe e do Nordeste? Você poderia até dizer: vamos esperar para ver se confirma ou não essa riqueza, e aí você teria que ter mais trabalhadores da Petrobras aqui, otimizar a operação da Petrobras aqui. Mas isso não está acontecendo. 
O que está sinalizando é que essa riqueza será vendida. Não vai ser a Petrobras que vai explorar essa riqueza, o que é uma coisa grave. Se você não internalizar essa riqueza na economia sergipana nós só teremos o benefício dos royalties. Hoje Sergipe arrecada de royalties R$ 100 milhões por ano; acredita-se que esse valor seria multiplicado por dez. Então por ano nós teríamos aí R$ 1 bilhão, ou um R$ 1,1 bilhão, de royalties na economia do estado. É importante? É! Mas se fosse internalizado, se nós trouxéssemos unidades produtoras que utilizasse o gás aqui do Estado de Sergipe, ou até mesmo uma refinaria, você estaria internalizando essa riqueza. Porque se esse poço descoberto for vendido, simplesmente uma estatal dessa aí da Noruega ou da China pode aportar um navio na plataforma de petróleo, enche ele e vai embora do Estado com nenhuma gota sendo internalizada na economia do sergipano. Isso é um risco concreto. 
Por isso os políticos dos nove estados - porque não adianta Sergipe sozinho - temos nove governadores, 27 senadores, não sei quantos deputados federais, estaduais, vereadores e prefeitos dos nove estados do Nordeste que dependem economicamente da estrutura da Petrobras. É claro que essas pessoas deveriam estar preocupadas e unidas no sentido de tirar essa ideia do Governo Federal. Veja que com a Eletrobrás está acontecendo uma coisa interessante. O governo quer privatizar a Eletrobrás, mas há uma reação da classe política e o Senado já avisou que hoje não se venderia a Eletrobrás. Por conta dessa unidade política pode estar barrando a venda da Eletrobrás e eu acredito que o mesmo deveria estar acontecendo com as unidades de produção e administração da Petrobras nos diversos estados do Nordeste.

JD - O governo aposta muito na termoelétrica que está sendo construída na Barra dos Coqueiros. Isso é correto?

Luiz Moura - A termoelétrica é importante para o Estado, mas nem de perto se aproxima da importância Petrobras. Porque a termoelétrica  vai vender energia para fora do Estado de Sergipe. Sergipe vai ser o estado superavitário em energia. Nós teremos a termoelétrica, Xingó e vamos ter também a energia solar no Sertão sergipano - há uma promessa para isso. Sergipe estará muito bem servido de potencial elétrico. Nós temos a termoelétrica, temos a energia solar no Sertão se de fato vir, e temos essa descoberta aqui no nosso litoral. 
Mas a termoelétrica por si só não supre o papel da Petrobras. Primeiro, porque são poucos empregos gerados depois que ela for construída. A maioria dos empregos é com especialização, o nível de automação dessas ações é elevado, houve o incentivo do Governo do Estado com a relação ao gás da termoelétrica, e me parece que vai pagar 4% de ICMS, não sei qual é também o tipo de incentivo fiscais que o Governo do Estado pode ter dado. É importante, vai ser uma excelente fonte de energia para o estado, e para os outros estados já que o sistema elétrico é interligado, mas eu diria que entre a termoelétrica dentro do ponto de vista da economia do estado de Sergipe, e aquela unidade que poderá ser construída no sertão sergipano com a energia solar, muito melhor a energia solar, porque vai para uma região extremamente pobre do estado, onde a agricultura é difícil, e você vai ter lá uma unidade de produção de energia onde o sol brilha o ano todo. É claro que essas duas unidades são extremamente importantes para o Estado de Sergipe, agora a Petrobras tem seu papel na economia do estado que essas duas não suprem, infelizmente.

 JD - A sociedade não está acompanhando com passividade esse desmonte da Petrobras no Nordeste?

Luiz Moura - Eu não entendo como o setor empresarial do Nordeste fica passivo com relação a essa desmobilização da Petrobras na economia do Nordeste, e de Sergipe também Acredito que os empresários teriam um papel importante aí na luta dos trabalhadores, dos políticos; o próprio consócio do Nordeste no sentido de mostrar ao governo Bolsonaro que a saída da Petrobras do Nordeste é extremamente danosa para a economia dos estados. Não pense que os empresários não serão atingidos, em especial da construção civil, do comércio, empresas que fornecem para a Petrobras, empresas terceirizadas, essas empresas sofreram com a desmobilização da Petrobras. Não vejo discussão em fóruns empresariais do Nordeste sobre essa questão; a Federação das Indústrias de Sergipe deveria mobilizar sua força política no sentido de articular aí com as outras federações uma reação contra a ideia de tirar a Petrobras do Nordeste e do Estado de Sergipe.