Mistura e manda

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Dois gigantes
Dois gigantes

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Publicada em 19/09/2019 às 21:34:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Para mim, entre os re
gistros mais precio
sos da música instrumental de acento brazuca, destaca-se com inconfundível personalidade o disco Afro Bossa Nova (2009), de Paulo Moura e Armandinho. Embora não seja favorecido pelo verniz histórico de clássicos como 'Maria Fumaça' (1977), da banda Black Rio, nem da expressão pungente de um Raphael Rabello, há neste filho bastardo das praias cariocas algo de belo e afoito, muito comovente. 
A bossa de Paulo Moura e Armandinho soa como um crioulo ousado, um mestiço. Alheias à sofisticação própria do repertório assinado pelo maestro Tom Jobim, longe do perfume doce de uísques e charutos, as canções nas mãos destes músicos se prestam a palmas e batuques, como a lembrar que antes de tudo a música é festa.
Músico, cada um tem o seu preferido. Eu já mencionei Raphael Rabello, do mesmo modo como poderia citar o amigo Ricardo Vieira e o gaúcho Yamandú. Isso de capturar a natureza da criação e tanger a sua essência para a grama verde de novos pastos, contudo, sempre expõe o sujeito a riscos. Sem a porção exata de engenho e arte, o esforço redunda em presepada, afetação ou ruído puro.
Nós, os sergipanos, tivemos oportunidade de ver a mágica acontecer, de corpo presente. Foi na praia de Atalaia, há uns bons dez anos. Quem teve a sorte grande de conferir a performance de Armandinho e Paulo Moura 'in loco' morre e não esquece.
Quem fala demais termina por cometer bobagens. Este texto, por exemplo, acaba de receber o título de um disco de Paulo Moura, 'Mistura e manda' (1984), rolando agora na vitrola aqui de casa, enquanto escrevo, estupendo. Mas a intenção inicial era a de render vivas e aleluias ao talento de seu parceiro no Afro Bossa Nova, com apresentação marcada no projeto Quinta Instrumental da Funcaju. Lembrar tal fato, no entanto, talvez seja a maior homenagem. Quem já dividiu o palco com o mais mineiro dos músicos mineiros (perdão, Milton!) não precisa do aplauso de seu ninguém.

Para mim, entre os re gistros mais precio sos da música instrumental de acento brazuca, destaca-se com inconfundível personalidade o disco Afro Bossa Nova (2009), de Paulo Moura e Armandinho. Embora não seja favorecido pelo verniz histórico de clássicos como 'Maria Fumaça' (1977), da banda Black Rio, nem da expressão pungente de um Raphael Rabello, há neste filho bastardo das praias cariocas algo de belo e afoito, muito comovente. 
A bossa de Paulo Moura e Armandinho soa como um crioulo ousado, um mestiço. Alheias à sofisticação própria do repertório assinado pelo maestro Tom Jobim, longe do perfume doce de uísques e charutos, as canções nas mãos destes músicos se prestam a palmas e batuques, como a lembrar que antes de tudo a música é festa.
Músico, cada um tem o seu preferido. Eu já mencionei Raphael Rabello, do mesmo modo como poderia citar o amigo Ricardo Vieira e o gaúcho Yamandú. Isso de capturar a natureza da criação e tanger a sua essência para a grama verde de novos pastos, contudo, sempre expõe o sujeito a riscos. Sem a porção exata de engenho e arte, o esforço redunda em presepada, afetação ou ruído puro.
Nós, os sergipanos, tivemos oportunidade de ver a mágica acontecer, de corpo presente. Foi na praia de Atalaia, há uns bons dez anos. Quem teve a sorte grande de conferir a performance de Armandinho e Paulo Moura 'in loco' morre e não esquece.
Quem fala demais termina por cometer bobagens. Este texto, por exemplo, acaba de receber o título de um disco de Paulo Moura, 'Mistura e manda' (1984), rolando agora na vitrola aqui de casa, enquanto escrevo, estupendo. Mas a intenção inicial era a de render vivas e aleluias ao talento de seu parceiro no Afro Bossa Nova, com apresentação marcada no projeto Quinta Instrumental da Funcaju. Lembrar tal fato, no entanto, talvez seja a maior homenagem. Quem já dividiu o palco com o mais mineiro dos músicos mineiros (perdão, Milton!) não precisa do aplauso de seu ninguém.