Não nos enganemos com a "casa de mãe Joana"

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Publicada em 16/09/2019 às 12:30:00

 

* Luciano Siqueira
A demissão do secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, explicitadamente por haver desobedecido a uma ordem do presidente da República, mais uma dentre várias nos escalões superiores do governo pelo mesmo motivo, gera contrariedade em uns- no mercado, especial - e comentários jocosos da parte de outros.
Eu mesmo escrevi algo assim no Twitter, denominando o governo de "casa de mãe Joana" - expressão tipicamente nordestina que se aplica a algum grupo ou instituição em quem muita gente manda e ninguém acerta o prumo.
Mas no caso do atual governo é um exagero e uma impropriedade.
Que o presidente é despreparado, confuso e inconsequente é óbvio. Porém alguém manda e sabe o que pretende fazer, nominadamente a equipe econômica, que executa a agenda ultraliberal apoiada maioria parlamentar sensível a essa agenda.
Desse modo, não basta ridicularizar desacertos e descaminhos do presidente e de seus ajudantes mais próximos. É preciso acompanhar diligentemente o conjunto da obra e oferecer apreciação crítica abrangente e aprofundada.
E na ação política persistir o esforço de juntar forças capazes de convergirem em torno de uma plataforma comum.
Seja no parlamento, onde sempre é possível explorar com habilidade contradições e divergências no tempo governista; seja através da mobilização da sociedade.
Nesse sentido, subestimar a importância da coalizão (marcadamente ampla e plural) que lançou o manifesto "Direito Já - Fórum pela Democracia", em São Paulo, no último dia três, revela miopia política e sectarismo inconsequente.
Pois não se dificulta a implementação da agenda ultraliberal - antinacional e antipopular, incompatível com a democracia - e muito menos se a interdita, sem uma posição com o desenho revelado no ato acontecido no Tuca, em São Paulo.
O povo brasileiro vem pagando muito caro pelas consequências dessa concepção tática estreita e atrasada - para citar o período mais recente, do impeachment da presidenta Dilma à eleição de Bolsonaro.
* Luciano Siqueira, médico, vice-prefeito do Recife, membro do Comitê Central do PCdoB

* Luciano Siqueira

A demissão do secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, explicitadamente por haver desobedecido a uma ordem do presidente da República, mais uma dentre várias nos escalões superiores do governo pelo mesmo motivo, gera contrariedade em uns- no mercado, especial - e comentários jocosos da parte de outros.
Eu mesmo escrevi algo assim no Twitter, denominando o governo de "casa de mãe Joana" - expressão tipicamente nordestina que se aplica a algum grupo ou instituição em quem muita gente manda e ninguém acerta o prumo.
Mas no caso do atual governo é um exagero e uma impropriedade.
Que o presidente é despreparado, confuso e inconsequente é óbvio. Porém alguém manda e sabe o que pretende fazer, nominadamente a equipe econômica, que executa a agenda ultraliberal apoiada maioria parlamentar sensível a essa agenda.
Desse modo, não basta ridicularizar desacertos e descaminhos do presidente e de seus ajudantes mais próximos. É preciso acompanhar diligentemente o conjunto da obra e oferecer apreciação crítica abrangente e aprofundada.
E na ação política persistir o esforço de juntar forças capazes de convergirem em torno de uma plataforma comum.
Seja no parlamento, onde sempre é possível explorar com habilidade contradições e divergências no tempo governista; seja através da mobilização da sociedade.
Nesse sentido, subestimar a importância da coalizão (marcadamente ampla e plural) que lançou o manifesto "Direito Já - Fórum pela Democracia", em São Paulo, no último dia três, revela miopia política e sectarismo inconsequente.
Pois não se dificulta a implementação da agenda ultraliberal - antinacional e antipopular, incompatível com a democracia - e muito menos se a interdita, sem uma posição com o desenho revelado no ato acontecido no Tuca, em São Paulo.
O povo brasileiro vem pagando muito caro pelas consequências dessa concepção tática estreita e atrasada - para citar o período mais recente, do impeachment da presidenta Dilma à eleição de Bolsonaro.

* Luciano Siqueira, médico, vice-prefeito do Recife, membro do Comitê Central do PCdoB