Procuradores sergipanos protestam contra Aras

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PROCURADORES FIZERAM ATO NA FRENTE DA SEDE DO ÓRGÃO
PROCURADORES FIZERAM ATO NA FRENTE DA SEDE DO ÓRGÃO

Os procuradores federais durante ato de protesto
Os procuradores federais durante ato de protesto

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Publicada em 10/09/2019 às 08:01:00

 

Milton Alves Júnior
Em protesto contra a indi-
cação de Augusto Aras 
como procurador-geral da República, procuradores federais com atuação no Estado de Sergipe realizaram na manhã de ontem um ato público para mostrar a indignação da categoria contra a opção feita pelo presidente Jair Messias Bolsonaro. Na concepção dos procuradores, por Aras não compor a lista tríplice, fica sob dúvida quais será a forma da atuação do procurador-geral, bem como quais foram os possíveis acertos feitos com o chefe do poder executivo federal para ser o escolhido. Depois de 20 anos essa é a primeira vez em que um presidente da república opta por nome fora da lista eleita por procuradores de todo o país.
Além de Sergipe, o ato de ontem foi realizado instantaneamente em outros 13 estados. Na concepção da procuradora federal Eunice Dantas, os procuradores brasileiros não centralizam as críticas para o colega de profissão, mas sim, ao presidente Bolsonaro que optou por escolher um nome não eleito pela maioria. Nascido no Estado da Bahia, Augusto Aras tem 60 anos e exerce o cargo federal no Ministério Público desde 1987. Entre os cabos eleitorais de Aras está o ex-deputado Alberto Fraga (DEM-DF), que integrou a bancada da bala, e o advogado de um dos filhos do presidente. Ele conta ainda com o apoio de ministros e parlamentares do PSL, partido político o qual Bolsonaro é filiado.
Na biografia do indiciado conta ainda que ele é doutor em direito constitucional pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2005); mestre em Direito Econômico pela Universidade Federal da Bahia (2000); graduado bacharel em Direito pela Universidade Católica do Salvador (1981). Atualmente é professor da Universidade de Brasília (UNB). "Ao contrário do debate aberto que nossa instituição estava costumada a presenciar de forma transparente e democrática, essa escolha foi feita à surdina, o Augusto Aras se reuniu em torno de oito vezes fora da agenda com o presidente (Bolsonaro) e ninguém sabe o que foi tratado e o que foi acertado. Lamentamos profundamente essa medida".
Renúncia - Assim como ocorre em vários estados brasileiros, procuradores com cargo de chefia em Sergipe anunciaram na semana passada que irão renunciar caso a lista tríplice seja minimizada e a indicação seja, de fato, encaminhado para sabatina no plenário do Senado Federal. Na manhã de ontem, durante entrevista coletiva concedida, o procurador da República em Sergipe, Ramiro Rockenbach, reafirmou o compromisso. De igual modo a ameaça de também não assumir a chefia foi protagonizada ainda pelo procurador Flávio Matias.
"A decisão está absolutamente mantida. Não tenho a mínima condição de colaborar com qualquer procurador-geral da República que aceite assumir essa tão importante função nessas condições, nas catacumbas do poder", reforçou Rockenbach. A mobilização intitulado "Em Defesa da Independência do Ministério Público Federal", contou ainda com a presença dos procuradores: Gabriela Barbosa, Lívia Tinoco, Rômulo Almeida e Heitor Soares, além do procurador aposentado Evaldo Campos. A expectativa de Aras é estar pronto para ser sabatinado por volta do dia 24 de setembro.
Não há prazo para o Senado iniciar a análise do nome de Aras. Se ele não for aprovado pelo plenário até a terça-feira da semana que vem, dia 17 - quando termina o mandato da atual procuradora-geral, Raquel Dodge - assume a PGR interinamente o vice-presidente do Conselho Superior do MPF, Alcides Martins. Os senadores eleitos em Sergipe não apresentaram oficialmente se devem votar à favor, ou contra o nome de Augusto Aras.

Milton Alves Júnior

Em protesto contra a indi- cação de Augusto Aras  como procurador-geral da República, procuradores federais com atuação no Estado de Sergipe realizaram na manhã de ontem um ato público para mostrar a indignação da categoria contra a opção feita pelo presidente Jair Messias Bolsonaro. Na concepção dos procuradores, por Aras não compor a lista tríplice, fica sob dúvida quais será a forma da atuação do procurador-geral, bem como quais foram os possíveis acertos feitos com o chefe do poder executivo federal para ser o escolhido. Depois de 20 anos essa é a primeira vez em que um presidente da república opta por nome fora da lista eleita por procuradores de todo o país.
Além de Sergipe, o ato de ontem foi realizado instantaneamente em outros 13 estados. Na concepção da procuradora federal Eunice Dantas, os procuradores brasileiros não centralizam as críticas para o colega de profissão, mas sim, ao presidente Bolsonaro que optou por escolher um nome não eleito pela maioria. Nascido no Estado da Bahia, Augusto Aras tem 60 anos e exerce o cargo federal no Ministério Público desde 1987. Entre os cabos eleitorais de Aras está o ex-deputado Alberto Fraga (DEM-DF), que integrou a bancada da bala, e o advogado de um dos filhos do presidente. Ele conta ainda com o apoio de ministros e parlamentares do PSL, partido político o qual Bolsonaro é filiado.
Na biografia do indiciado conta ainda que ele é doutor em direito constitucional pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2005); mestre em Direito Econômico pela Universidade Federal da Bahia (2000); graduado bacharel em Direito pela Universidade Católica do Salvador (1981). Atualmente é professor da Universidade de Brasília (UNB). "Ao contrário do debate aberto que nossa instituição estava costumada a presenciar de forma transparente e democrática, essa escolha foi feita à surdina, o Augusto Aras se reuniu em torno de oito vezes fora da agenda com o presidente (Bolsonaro) e ninguém sabe o que foi tratado e o que foi acertado. Lamentamos profundamente essa medida".

Renúncia - Assim como ocorre em vários estados brasileiros, procuradores com cargo de chefia em Sergipe anunciaram na semana passada que irão renunciar caso a lista tríplice seja minimizada e a indicação seja, de fato, encaminhado para sabatina no plenário do Senado Federal. Na manhã de ontem, durante entrevista coletiva concedida, o procurador da República em Sergipe, Ramiro Rockenbach, reafirmou o compromisso. De igual modo a ameaça de também não assumir a chefia foi protagonizada ainda pelo procurador Flávio Matias.
"A decisão está absolutamente mantida. Não tenho a mínima condição de colaborar com qualquer procurador-geral da República que aceite assumir essa tão importante função nessas condições, nas catacumbas do poder", reforçou Rockenbach. A mobilização intitulado "Em Defesa da Independência do Ministério Público Federal", contou ainda com a presença dos procuradores: Gabriela Barbosa, Lívia Tinoco, Rômulo Almeida e Heitor Soares, além do procurador aposentado Evaldo Campos. A expectativa de Aras é estar pronto para ser sabatinado por volta do dia 24 de setembro.
Não há prazo para o Senado iniciar a análise do nome de Aras. Se ele não for aprovado pelo plenário até a terça-feira da semana que vem, dia 17 - quando termina o mandato da atual procuradora-geral, Raquel Dodge - assume a PGR interinamente o vice-presidente do Conselho Superior do MPF, Alcides Martins. Os senadores eleitos em Sergipe não apresentaram oficialmente se devem votar à favor, ou contra o nome de Augusto Aras.