PGR no olho do furacão

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 06/09/2019 às 00:04:00

 

Para cair nas graças de Jair Bolso
naro, os candidatos à Procurado
ria Geral da República realizaram uma verdadeira campanha política, incluindo conversas a portas fechadas no Palácio do Planalto. Extraordinária, a mobilização tinha motivo. Segundo declarações do próprio presidente, o indicado teria de ser um aliado.
Dito e feito. O subprocurador Augusto Aras, anunciado por Bolsonaro, não constava na lista tríplice elaborada pelos membros do Ministério Público, por meio de votação interna. No entanto, algo do que o candidato falou em conversa privada com o presidente foi suficiente para fazê-lo merecedor de um suspeito voto de confiança. Agora, uma vez empossado, Augusto Aras terá de lidar com o pé atrás da população e de seus próprios pares.
A independência em relação ao governo de turno é de importância fundamental para o funcionamento exemplar do Ministério Público. Caberá ao futuro procurador dar a última palavra em diversas matérias de interesse pessoal do presidente. Não é razoável, portanto, que a sua nomeação se dê após corpo a corpo tão intenso. Embora a atuação do procurador geral tenha sim natureza técnica e também política, melhor seria o candidato ter evitado a suposição de um conchavo. 
A Procuradoria Geral da República encontra-se hoje no vórtice de uma crise política ímpar, o olho do furacão. Nada mais natural, portanto, que a troca de guarda no seu comando seja acompanhada de tensões e expectativas as mais diversas. Após sucessão tão atrapalhada, para se impor acima de qualquer suspeita, Augusto Aras terá de andar na linha, pior do que um trem.

Para cair nas graças de Jair Bolso naro, os candidatos à Procurado ria Geral da República realizaram uma verdadeira campanha política, incluindo conversas a portas fechadas no Palácio do Planalto. Extraordinária, a mobilização tinha motivo. Segundo declarações do próprio presidente, o indicado teria de ser um aliado.
Dito e feito. O subprocurador Augusto Aras, anunciado por Bolsonaro, não constava na lista tríplice elaborada pelos membros do Ministério Público, por meio de votação interna. No entanto, algo do que o candidato falou em conversa privada com o presidente foi suficiente para fazê-lo merecedor de um suspeito voto de confiança. Agora, uma vez empossado, Augusto Aras terá de lidar com o pé atrás da população e de seus próprios pares.
A independência em relação ao governo de turno é de importância fundamental para o funcionamento exemplar do Ministério Público. Caberá ao futuro procurador dar a última palavra em diversas matérias de interesse pessoal do presidente. Não é razoável, portanto, que a sua nomeação se dê após corpo a corpo tão intenso. Embora a atuação do procurador geral tenha sim natureza técnica e também política, melhor seria o candidato ter evitado a suposição de um conchavo. 
A Procuradoria Geral da República encontra-se hoje no vórtice de uma crise política ímpar, o olho do furacão. Nada mais natural, portanto, que a troca de guarda no seu comando seja acompanhada de tensões e expectativas as mais diversas. Após sucessão tão atrapalhada, para se impor acima de qualquer suspeita, Augusto Aras terá de andar na linha, pior do que um trem.