Velocidade da deterioração da imagem de Bolsonaro é impressionante

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Publicada em 03/09/2019 às 07:46:00

 

* Marcos Coimbra 
O dado é da mais recente pesquisa da Vox Populi. Talvez não dure dois anos a lamentável experiência à qual fomos levados em 2018
A mais recente pesquisa Vox Populi é péssima para Jair Bolsonaro. Em todas as dimensões pesquisadas, os números são muito ruins para ele e seu governo.
O levantamento foi realizado entre os dias 23 e 26 de agosto e, na amostra nacional, foram ouvidos 2 mil eleitores, número suficiente para identificar como a opinião pública vê a situação do País e o ocupante do Palácio do Planalto, seu comportamento e algumas políticas.
Pior do que uma notícia ruim, só duas notícias ruins. A pesquisa Vox foi a segunda na mesma semana a apresentar resultados poucos animadores para o ex-capitão. O instituto MDA, contratado pela Confederação Nacional dos Transportes, também mostrou que a imagem de Bolsonaro está em adiantado processo de decomposição.
Segundo os dados do Vox, o governo Bolsonaro tem a avaliação positiva de 23% dos entrevistados, entre os quais estão 5% que enxergam motivos para classificá-lo como "ótimo". Na outra ponta, há cinco vezes mais gente que o considera "péssimo", perfazendo 27% do total, além de 13% que dizem ser eles apenas "ruim". Por enquanto, ainda há um terço, 35%, que define o governo como "regular".
Um desavisado poderia supor que a avaliação negativa, superior àquela de qualquer presidente brasileiro em época parecida, é fruto das dificuldades que o País enfrenta. Não é, porém, o caso, pois a pesquisa indica que a imagem pessoal do ex-capitão é igualmente ruim.
Dizem "gostar muito" de Bolsonaro 11% dos entrevistados, metade dos 22% que afirmam detestá-lo. Outros 19% alegam que "gostam um pouco, mas não muito", e 23% que desgostam, sem detestá-lo. Restam 24% que se declaram indiferentes. Para quem alimenta a imagem de "mito" do ocupante do Palácio do Planalto, é bom lembrar que seus seguidores fiéis não vão além de um em cada dez eleitores. Não chega a ser um dado impressionante. Muito longe disso.
Impressiona mesmo é a velocidade na qual piora a avaliação. Há menos de dois meses, na safra anterior de pesquisas, feitas pelo Datafolha e o Ibope, Bolsonaro ainda mantinha uma avaliação positiva em torno de 30%, o que foi comemorado até por ele próprio. Sabe-se lá o motivo, ele e alguns comentaristas imaginaram que esses 30% eram seu piso e que, a partir dessa base, ele poderia não apenas disputar a reeleição, como seria favorito a vencê-la, pois nenhum adversário partiria de tal ponto.
Balela. Passaram-se algumas semanas e o tal terço virou poeira. Tratava-se, na verdade, de apenas um estágio na descida da ladeira. Depois dos 30, vieram os 20, e logo estaremos nos 10.
O prognóstico para o ex-capitão é negativo. O horizonte de erosão acelerada da popularidade era previsível e é confirmado dia após dia. Nada tem de conjuntural, ainda que as inacreditáveis atitudes tomadas em relação à devastação causada pelos incêndios na Amazônia precisem ser contabilizadas nos resultados obtidos.
Bolsonaro vai mal por ser detestado por mais de um em cada cinco eleitores e por não conseguir oferecer aos demais motivos para aprová-lo. Ainda concentrado no grupo de cinco: para cada três, ele faz um governo incompetente e sem realizações.
Ao se considerar a soma de "ótimo" e "bom", somente 15% dos entrevistados aprovam as políticas do governo para a geração de empregos, 15% para o meio ambiente, 11% para a valorização do salário mínimo, 21% para a educação, 14% para a saúde, 14% para a projeção da imagem do Brasil no exterior. Os melhores números surgem das áreas nas quais o marketing de Bolsonaro insiste, a segurança pública e o "combate à corrupção". As ações do governo em nenhuma delas ultrapassam, no entanto, um terço de aprovação: 33% na luta anticorrupção e 26% na segurança (ambos os temas ligados ao cambaleante Sérgio Moro).
O relógio anda depressa e logo chegará a hora em que os brasileiros que ainda não tomaram posição (a maioria daqueles que escolheram o "regular") serão impelidos a tanto. Muito provavelmente, até o fim deste ano o desgaste será maior. De 23% agora, a aprovação ficará próxima a 10% e a desaprovação alcançará 50%.
Sempre restará a Bolsonaro uma tropa na sociedade disposta a brigar (até no soco) com a maioria do País e a desafiar a opinião pública internacional. Há gente bizarra para tudo, capaz de acreditar em qualquer coisa.
Se os inimigos da democracia, fardados, togados e enfatiotados, permitirem, teremos eleições no ano que vem. Pelo andar da carruagem, Bolsonaro provavelmente irá enfrentá-las como em uma espécie de plebiscito. É grande a chance de que saia delas ainda menor. Talvez não dure dois anos a lamentável experiência à qual fomos levados em 2018.
* Marcos Coimbra, sociólogo, é diretor do Instituto Vox Populi

* Marcos Coimbra 

O dado é da mais recente pesquisa da Vox Populi. Talvez não dure dois anos a lamentável experiência à qual fomos levados em 2018A mais recente pesquisa Vox Populi é péssima para Jair Bolsonaro. Em todas as dimensões pesquisadas, os números são muito ruins para ele e seu governo.
O levantamento foi realizado entre os dias 23 e 26 de agosto e, na amostra nacional, foram ouvidos 2 mil eleitores, número suficiente para identificar como a opinião pública vê a situação do País e o ocupante do Palácio do Planalto, seu comportamento e algumas políticas.
Pior do que uma notícia ruim, só duas notícias ruins. A pesquisa Vox foi a segunda na mesma semana a apresentar resultados poucos animadores para o ex-capitão. O instituto MDA, contratado pela Confederação Nacional dos Transportes, também mostrou que a imagem de Bolsonaro está em adiantado processo de decomposição.
Segundo os dados do Vox, o governo Bolsonaro tem a avaliação positiva de 23% dos entrevistados, entre os quais estão 5% que enxergam motivos para classificá-lo como "ótimo". Na outra ponta, há cinco vezes mais gente que o considera "péssimo", perfazendo 27% do total, além de 13% que dizem ser eles apenas "ruim". Por enquanto, ainda há um terço, 35%, que define o governo como "regular".
Um desavisado poderia supor que a avaliação negativa, superior àquela de qualquer presidente brasileiro em época parecida, é fruto das dificuldades que o País enfrenta. Não é, porém, o caso, pois a pesquisa indica que a imagem pessoal do ex-capitão é igualmente ruim.
Dizem "gostar muito" de Bolsonaro 11% dos entrevistados, metade dos 22% que afirmam detestá-lo. Outros 19% alegam que "gostam um pouco, mas não muito", e 23% que desgostam, sem detestá-lo. Restam 24% que se declaram indiferentes. Para quem alimenta a imagem de "mito" do ocupante do Palácio do Planalto, é bom lembrar que seus seguidores fiéis não vão além de um em cada dez eleitores. Não chega a ser um dado impressionante. Muito longe disso.
Impressiona mesmo é a velocidade na qual piora a avaliação. Há menos de dois meses, na safra anterior de pesquisas, feitas pelo Datafolha e o Ibope, Bolsonaro ainda mantinha uma avaliação positiva em torno de 30%, o que foi comemorado até por ele próprio. Sabe-se lá o motivo, ele e alguns comentaristas imaginaram que esses 30% eram seu piso e que, a partir dessa base, ele poderia não apenas disputar a reeleição, como seria favorito a vencê-la, pois nenhum adversário partiria de tal ponto.
Balela. Passaram-se algumas semanas e o tal terço virou poeira. Tratava-se, na verdade, de apenas um estágio na descida da ladeira. Depois dos 30, vieram os 20, e logo estaremos nos 10.
O prognóstico para o ex-capitão é negativo. O horizonte de erosão acelerada da popularidade era previsível e é confirmado dia após dia. Nada tem de conjuntural, ainda que as inacreditáveis atitudes tomadas em relação à devastação causada pelos incêndios na Amazônia precisem ser contabilizadas nos resultados obtidos.
Bolsonaro vai mal por ser detestado por mais de um em cada cinco eleitores e por não conseguir oferecer aos demais motivos para aprová-lo. Ainda concentrado no grupo de cinco: para cada três, ele faz um governo incompetente e sem realizações.
Ao se considerar a soma de "ótimo" e "bom", somente 15% dos entrevistados aprovam as políticas do governo para a geração de empregos, 15% para o meio ambiente, 11% para a valorização do salário mínimo, 21% para a educação, 14% para a saúde, 14% para a projeção da imagem do Brasil no exterior. Os melhores números surgem das áreas nas quais o marketing de Bolsonaro insiste, a segurança pública e o "combate à corrupção". As ações do governo em nenhuma delas ultrapassam, no entanto, um terço de aprovação: 33% na luta anticorrupção e 26% na segurança (ambos os temas ligados ao cambaleante Sérgio Moro).
O relógio anda depressa e logo chegará a hora em que os brasileiros que ainda não tomaram posição (a maioria daqueles que escolheram o "regular") serão impelidos a tanto. Muito provavelmente, até o fim deste ano o desgaste será maior. De 23% agora, a aprovação ficará próxima a 10% e a desaprovação alcançará 50%.
Sempre restará a Bolsonaro uma tropa na sociedade disposta a brigar (até no soco) com a maioria do País e a desafiar a opinião pública internacional. Há gente bizarra para tudo, capaz de acreditar em qualquer coisa.
Se os inimigos da democracia, fardados, togados e enfatiotados, permitirem, teremos eleições no ano que vem. Pelo andar da carruagem, Bolsonaro provavelmente irá enfrentá-las como em uma espécie de plebiscito. É grande a chance de que saia delas ainda menor. Talvez não dure dois anos a lamentável experiência à qual fomos levados em 2018.

* Marcos Coimbra, sociólogo, é diretor do Instituto Vox Populi