Foi ditadura, sim!

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O momento não poderia ser mais oportuno
O momento não poderia ser mais oportuno

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Publicada em 28/08/2019 às 23:28:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Para a maior parte dos 
sergipanos, o nome 
de Jorge Carvalho é associado ao poder público. Convidado a assumir a secretaria de educação pelo governador Jackson Barreto, ele não se fez de rogado e permaneceu a postos, mangas arregaçadas, até o fim daquela gestão. A sua maior vocação, no entanto, talvez seja mesmo a de um pesquisador criterioso. Doutor em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Jorge Carvalho tem mania de fuçar o passado. Municiado de depoimentos colhidos de corpo presente e documentos de outros tempos, o estudioso vira e mexe nos convida a refletir sobre o destino coletivo dos nascidos bem aqui.
O percurso do autor é longo, já rendeu 15 livros publicados. O mais recente, 'Memórias da resistência', resgata a experiência  dos militantes sergipanos reunidos no MDB, com coragem suficiente para se opor aos governos da ditadura militar em Sergipe, no período de 1966 a 1984. Trata-se, como a descrição sugere, de uma declaração de compromisso não apenas com uma legenda partidária. Mas, sobretudo, com o exercício político em si.
O momento não poderia ser mais oportuno. Em primeiro lugar, a criminalização da política, legado perverso da operação Lava Jato, redundou em vale tudo, com consequências ainda imprevisíveis para o futuro do País. Depois, não menos importante, há o esforço notório realizado pelo presidente da República em pessoa, um capitão reformado mal quisto, com o fim de divulgar uma versão alternativa da história do Brasil. Dependesse dele, as páginas manchadas de sangue seriam arrancadas por força de mentira, feito matéria de opinião, varrendo as atrocidades perpetradas pela ditadura militar de 1964 para baixo  do tapete.
Segundo Jair Bolsonaro, o torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra é um herói nacional. Já o livro de Jorge Carvalho, por outro lado, evoca a trajetória de lideranças como Jaime Araújo, Seixas Dórea, Viana de Assis, Jackson Barreto, Rosalvo Alexandre, Wellington Paixão, Benedito de Figueiredo, João Augusto Gama, Bosco Mendonça, Carlos Alberto Menezes, Francisco Dantas e outros tantos para chamar o feito à ordem. Há quem recorra a documentos, confronte depoimentos e fatos divulgados em letra de imprensa. Infelizmente, também há quem se arme com Fake News.
Um livro puxa outro. Nas estrelinhas, a história contada agora por Jorge Carvalho rima com a pesquisa do jornalista Laurentino Gomes, um autor debruçado sobre o trauma violento da escravidão, dos primórdios aos dias atuais. Segundo este, a história é um enunciado prenhe de vida, escrito a todo momento. "Serve para construirmos a identidade do presente e a ideia de um futuro". Portanto, será sempre necessário lembrar com todas as letras: Foi ditadura, sim!
Jorge Carvalho lança Memórias da Resistência:
Quinta-feira, 29, a partir das 17 horas, no Museu da Gente Sergipana. 

Para a maior parte dos  sergipanos, o nome  de Jorge Carvalho é associado ao poder público. Convidado a assumir a secretaria de educação pelo governador Jackson Barreto, ele não se fez de rogado e permaneceu a postos, mangas arregaçadas, até o fim daquela gestão. A sua maior vocação, no entanto, talvez seja mesmo a de um pesquisador criterioso. Doutor em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Jorge Carvalho tem mania de fuçar o passado. Municiado de depoimentos colhidos de corpo presente e documentos de outros tempos, o estudioso vira e mexe nos convida a refletir sobre o destino coletivo dos nascidos bem aqui.
O percurso do autor é longo, já rendeu 15 livros publicados. O mais recente, 'Memórias da resistência', resgata a experiência  dos militantes sergipanos reunidos no MDB, com coragem suficiente para se opor aos governos da ditadura militar em Sergipe, no período de 1966 a 1984. Trata-se, como a descrição sugere, de uma declaração de compromisso não apenas com uma legenda partidária. Mas, sobretudo, com o exercício político em si.
O momento não poderia ser mais oportuno. Em primeiro lugar, a criminalização da política, legado perverso da operação Lava Jato, redundou em vale tudo, com consequências ainda imprevisíveis para o futuro do País. Depois, não menos importante, há o esforço notório realizado pelo presidente da República em pessoa, um capitão reformado mal quisto, com o fim de divulgar uma versão alternativa da história do Brasil. Dependesse dele, as páginas manchadas de sangue seriam arrancadas por força de mentira, feito matéria de opinião, varrendo as atrocidades perpetradas pela ditadura militar de 1964 para baixo  do tapete.
Segundo Jair Bolsonaro, o torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra é um herói nacional. Já o livro de Jorge Carvalho, por outro lado, evoca a trajetória de lideranças como Jaime Araújo, Seixas Dórea, Viana de Assis, Jackson Barreto, Rosalvo Alexandre, Wellington Paixão, Benedito de Figueiredo, João Augusto Gama, Bosco Mendonça, Carlos Alberto Menezes, Francisco Dantas e outros tantos para chamar o feito à ordem. Há quem recorra a documentos, confronte depoimentos e fatos divulgados em letra de imprensa. Infelizmente, também há quem se arme com Fake News.
Um livro puxa outro. Nas estrelinhas, a história contada agora por Jorge Carvalho rima com a pesquisa do jornalista Laurentino Gomes, um autor debruçado sobre o trauma violento da escravidão, dos primórdios aos dias atuais. Segundo este, a história é um enunciado prenhe de vida, escrito a todo momento. "Serve para construirmos a identidade do presente e a ideia de um futuro". Portanto, será sempre necessário lembrar com todas as letras: Foi ditadura, sim!
Jorge Carvalho lança Memórias da Resistência:
Quinta-feira, 29, a partir das 17 horas, no Museu da Gente Sergipana.