Sistema S é alvo

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Publicada em 26/08/2019 às 23:36:00

 

Onde sobra dinheiro e a vigilân-
cia é capenga, a corrupção 
abunda. A conclusão é óbvia. Já as motivações por trás de recente iniciativa da procuradora geral da República, Raquel Dodge, com o fim de passar um pente fino nos recursos destinados ao Sistema S, soam nebulosas, carecem de maior atenção.
Explica-se: em plena campanha para permanecer à frente do Ministério Público, Raquel Dodge jamais contou com a simpatia do presidente de turno, a quem cabe nomear um profissional de carreira para o cargo. A decisão de provocar uma investigação contra um alvo declarado de Bolsonaro, justo na iminência de uma troca de guarda, se assemelha a politicagem.
No trato com a coisa pública, todo cuidado é pouco. Isso vale para os políticos em exercício do mandato e também para os contemplados com verbas provenientes do tesouro, fruto de investimento direto ou renúncia fiscal. No entanto, espera-se que a inciativa de Raquel Dodge não sirva de pretexto para a criminalização do serviço prestado por essas entidades, em geral excelente. O risco existe. Basta lembrar o legado da operação Lava Jato na economia nacional e na política partidária.
A investigação proposta por Dodge, em si, não é problema. Mas é sabido que o Sistema S está na mira do governo Bolsonaro. Em que pese a necessidade de controle mais rígido, convém não colocar a carroça na frente dos bois. Sem os serviços de formação profissional, democratização do lazer e da cultura promovido por suas entidades, as políticas públicas voltadas para o trabalhador brasileiro sofrerão um revés que ainda precisa ser devidamente calculado. 
A bem da verdade, o Sistema S muitas vezes preenche o vazio de atuação do poder público e compensa a negligência dos serviços devidos pelo Estado.

Onde sobra dinheiro e a vigilân- cia é capenga, a corrupção  abunda. A conclusão é óbvia. Já as motivações por trás de recente iniciativa da procuradora geral da República, Raquel Dodge, com o fim de passar um pente fino nos recursos destinados ao Sistema S, soam nebulosas, carecem de maior atenção.
Explica-se: em plena campanha para permanecer à frente do Ministério Público, Raquel Dodge jamais contou com a simpatia do presidente de turno, a quem cabe nomear um profissional de carreira para o cargo. A decisão de provocar uma investigação contra um alvo declarado de Bolsonaro, justo na iminência de uma troca de guarda, se assemelha a politicagem.
No trato com a coisa pública, todo cuidado é pouco. Isso vale para os políticos em exercício do mandato e também para os contemplados com verbas provenientes do tesouro, fruto de investimento direto ou renúncia fiscal. No entanto, espera-se que a inciativa de Raquel Dodge não sirva de pretexto para a criminalização do serviço prestado por essas entidades, em geral excelente. O risco existe. Basta lembrar o legado da operação Lava Jato na economia nacional e na política partidária.
A investigação proposta por Dodge, em si, não é problema. Mas é sabido que o Sistema S está na mira do governo Bolsonaro. Em que pese a necessidade de controle mais rígido, convém não colocar a carroça na frente dos bois. Sem os serviços de formação profissional, democratização do lazer e da cultura promovido por suas entidades, as políticas públicas voltadas para o trabalhador brasileiro sofrerão um revés que ainda precisa ser devidamente calculado. 
A bem da verdade, o Sistema S muitas vezes preenche o vazio de atuação do poder público e compensa a negligência dos serviços devidos pelo Estado.