Um gigante chamado Saulo Ferreira

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O maior instrumentista da terra.
O maior instrumentista da terra.

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Publicada em 17/07/2019 às 23:28:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Dependesse de mim, 
a música de Saulo 
Ferreira encantaria multidões, cada nova apresentação do guitarrista seria anunciada em manchetes de primeira página. No entanto, o espaço que ele ocupa ainda é outro, francamente modesto. Um gigante, o guitarrista caminha praticamente anônimo, indiferente à própria estatura, mais um no meio do populacho.
Não se fala aqui de um músico qualquer. Saulinho é o maior dos instrumentistas desta terra. Pense em um guitarrista estudioso, inspirado, competente. O diminutivo pelo qual os amigos evocam o seu nome só é cabível por força de um carinho imenso. Mas sucesso popular que é bom, daqueles de lotar estádios e encher os bolsos de dinheiro, nada.
Tempos estranhos, quando a integridade do artista o coloca à parte, feito um príncipe metido em molambos, entre súditos ingratos. Público para a música de Saulo Ferreira não falta, de uma fidelidade a toda prova. Mas, em termos numéricos, a altura etérea da sua guitarra ainda comove poucos, reverbera somente em um nicho elitista de pretenso bom gosto. Mesmo quando embebido na melhor tradição brazuca, irradiando o pulso e a mineirice do Clube da Esquina, por exemplo, o acento jazzy do seu repertório mais conhecido é culto de acesso restrito a iniciados.
Uma pena. Ano passado, quando Saulo Ferreira foi agraciado com a Ordem do Mérito Cultural, em Brasília, a imprensa local cumpriu a obrigação de comunicar a novidade por todos os meios - papel, bites, ondas de rádio. No entanto, em termos práticos, a vida do músico não mudou nem uma vírgula. Ele se apresenta nos mesmos espaços de sempre, para a satisfação e êxtase dos mesmos privilegiados.
Há algo de errado nessa história. Está certo que Saulo Ferreira não é dado a fazer concessões, só tem ouvidos para as exigências da criação. É sabido que a música instrumental não tem espaço nas FM's comerciais, carece de palco. Mas as limitações do incipiente mercado local de música não podem represar tanta energia para sempre. O gênio terá de sobressair, em algum momento. E o lançamento de 'YAM' pode ser a gota d'água.

Dependesse de mim,  a música de Saulo  Ferreira encantaria multidões, cada nova apresentação do guitarrista seria anunciada em manchetes de primeira página. No entanto, o espaço que ele ocupa ainda é outro, francamente modesto. Um gigante, o guitarrista caminha praticamente anônimo, indiferente à própria estatura, mais um no meio do populacho.
Não se fala aqui de um músico qualquer. Saulinho é o maior dos instrumentistas desta terra. Pense em um guitarrista estudioso, inspirado, competente. O diminutivo pelo qual os amigos evocam o seu nome só é cabível por força de um carinho imenso. Mas sucesso popular que é bom, daqueles de lotar estádios e encher os bolsos de dinheiro, nada.
Tempos estranhos, quando a integridade do artista o coloca à parte, feito um príncipe metido em molambos, entre súditos ingratos. Público para a música de Saulo Ferreira não falta, de uma fidelidade a toda prova. Mas, em termos numéricos, a altura etérea da sua guitarra ainda comove poucos, reverbera somente em um nicho elitista de pretenso bom gosto. Mesmo quando embebido na melhor tradição brazuca, irradiando o pulso e a mineirice do Clube da Esquina, por exemplo, o acento jazzy do seu repertório mais conhecido é culto de acesso restrito a iniciados.
Uma pena. Ano passado, quando Saulo Ferreira foi agraciado com a Ordem do Mérito Cultural, em Brasília, a imprensa local cumpriu a obrigação de comunicar a novidade por todos os meios - papel, bites, ondas de rádio. No entanto, em termos práticos, a vida do músico não mudou nem uma vírgula. Ele se apresenta nos mesmos espaços de sempre, para a satisfação e êxtase dos mesmos privilegiados.
Há algo de errado nessa história. Está certo que Saulo Ferreira não é dado a fazer concessões, só tem ouvidos para as exigências da criação. É sabido que a música instrumental não tem espaço nas FM's comerciais, carece de palco. Mas as limitações do incipiente mercado local de música não podem represar tanta energia para sempre. O gênio terá de sobressair, em algum momento. E o lançamento de 'YAM' pode ser a gota d'água.