A DIREITA É BURRA?

Opinião

 

* Lelê Teles
É, mas tem método.  
E o método, ensinou-nos Weber na Ética Protestante, é a grande sacada da civilização ocidental.
O ethos do macho branco, portando.
Embora a direita tenha asnificado o debate político, com muares e bardotos espalhados pela blogosfera, seus relinchos têm dado bons resultados.
E não tem faltado alfafa pra essa gente, os cochos dos midiotas estão sempre cheios.
Penso isso sentado na areia da praia, tomando minha dose homeopática de canabidiol, enquanto uma sombra assombrosa vai engolindo a lua.
A direita dominou esse país continental por mais de cinco séculos, assassinando índios, escravizando, espancando viado na rua, jogando travesti na sarjeta da prostituição, dando tiro na nuca de preto e enchendo as cadeias de pobres.
Foram apeados do poder por pouco mais de uma década. 
Nesse breve período, o Brasil virou aquela propaganda censurada do Banco do Brasil, um desfile de minorias sorridentes, brincantes e empoderadas.
Em Brasília, um homossexual baiano cuspia no sistema de peito aberto. 
Nas urnas, nas ruas e na rima, as mulheres contestavam o domínio do macho branco.
Uma lésbica negra abria alas para a favela no parlamento carioca, negros universitavam, campi eram abertos até no sertão...
A "ordem", estabelecida por cinco séculos, virou balbúrdia. 
Mas não se desmonta uma estrutura secular tão facilmente.
Entraram em cena os jagunços dessa fazendão: um dono de puteiro chique, um velho patriota e sonegador que tem como símbolo de seus negócios uma estátua estadunidense, uns fazendeiros gaúchos semi alfabetizados e milhões de robôs midiotizados.
Juntou-se a esse bando, o culólogo da Virgínia, chefes de milícias, a elite monoglota, moralistas imorais, terraplanistas, uns juízes desajuizados, alguns militares de pijamas, uns capitães do mato, poodles de apartamentos e uns pastores manjados com seus imensos rebanhos.
A midiazona fez o meio de campo, dando voz aos odiosos. até um tonto mirim virou colunista da folha.
A ideia era dizer que o Brasil era um país lindo, rico e próspero, cheio de brancos com dentes clareados, como nas novelas; o Brasil, passaram a dizer, era uma imensa octoberfest até o petê tomar o poder.
De lá pra cá os bebês passaram a sugar mamadeiras de pirocas, o filho do presidente comprou uma Ferrari de ouro e uma escarradeira gigante e a mulher do presidente comprou dois pedalinhos e um barco de lata.
Aí foi demais, o país quebrou.
Resultado.
O deputado baiano foi forçado ao auto exílio na França, a parlamentar carioca foi metralhada, a presidenta foi arrancada do palácio pelos cabelos e Lula, a ideia, foi conduzido ao cárcere debaixo de vara.
Desmontaram tudo, desmantelaram tudo, pintaram tudo de cinza.
Em nome da família, da ordem e da decência, colocaram no parlamento um ator pornô que transava com travestis, uma jornalista acusada de plágio por dezenas de colegas, um energúmeno no Itamarati, um louco na educação, um fritador de hambúrguer numa embaixada... 
Fizeram daquilo um zoológico.
E nós ficamos perdidos como cegos em tiroteio.
E perdido estamos.
Sem mídia, sem mística, sem método.
Tanto é que tínhamos como líder, representando putas, pretos e pobres, Haddad, um macho branco com cara de mauricinho.
Poxa, acabou o eclipse. cabô a inspiração.
Palavra da salvação.
* Lelê Teles, jornalista, publicitário e roteirista

* Lelê Teles

É, mas tem método.  
E o método, ensinou-nos Weber na Ética Protestante, é a grande sacada da civilização ocidental.
O ethos do macho branco, portando.
Embora a direita tenha asnificado o debate político, com muares e bardotos espalhados pela blogosfera, seus relinchos têm dado bons resultados.
E não tem faltado alfafa pra essa gente, os cochos dos midiotas estão sempre cheios.
Penso isso sentado na areia da praia, tomando minha dose homeopática de canabidiol, enquanto uma sombra assombrosa vai engolindo a lua.
A direita dominou esse país continental por mais de cinco séculos, assassinando índios, escravizando, espancando viado na rua, jogando travesti na sarjeta da prostituição, dando tiro na nuca de preto e enchendo as cadeias de pobres.
Foram apeados do poder por pouco mais de uma década. 
Nesse breve período, o Brasil virou aquela propaganda censurada do Banco do Brasil, um desfile de minorias sorridentes, brincantes e empoderadas.
Em Brasília, um homossexual baiano cuspia no sistema de peito aberto. 
Nas urnas, nas ruas e na rima, as mulheres contestavam o domínio do macho branco.
Uma lésbica negra abria alas para a favela no parlamento carioca, negros universitavam, campi eram abertos até no sertão...
A "ordem", estabelecida por cinco séculos, virou balbúrdia. 
Mas não se desmonta uma estrutura secular tão facilmente.
Entraram em cena os jagunços dessa fazendão: um dono de puteiro chique, um velho patriota e sonegador que tem como símbolo de seus negócios uma estátua estadunidense, uns fazendeiros gaúchos semi alfabetizados e milhões de robôs midiotizados.
Juntou-se a esse bando, o culólogo da Virgínia, chefes de milícias, a elite monoglota, moralistas imorais, terraplanistas, uns juízes desajuizados, alguns militares de pijamas, uns capitães do mato, poodles de apartamentos e uns pastores manjados com seus imensos rebanhos.
A midiazona fez o meio de campo, dando voz aos odiosos. até um tonto mirim virou colunista da folha.
A ideia era dizer que o Brasil era um país lindo, rico e próspero, cheio de brancos com dentes clareados, como nas novelas; o Brasil, passaram a dizer, era uma imensa octoberfest até o petê tomar o poder.
De lá pra cá os bebês passaram a sugar mamadeiras de pirocas, o filho do presidente comprou uma Ferrari de ouro e uma escarradeira gigante e a mulher do presidente comprou dois pedalinhos e um barco de lata.
Aí foi demais, o país quebrou.
Resultado.
O deputado baiano foi forçado ao auto exílio na França, a parlamentar carioca foi metralhada, a presidenta foi arrancada do palácio pelos cabelos e Lula, a ideia, foi conduzido ao cárcere debaixo de vara.
Desmontaram tudo, desmantelaram tudo, pintaram tudo de cinza.
Em nome da família, da ordem e da decência, colocaram no parlamento um ator pornô que transava com travestis, uma jornalista acusada de plágio por dezenas de colegas, um energúmeno no Itamarati, um louco na educação, um fritador de hambúrguer numa embaixada... 
Fizeram daquilo um zoológico.
E nós ficamos perdidos como cegos em tiroteio.
E perdido estamos.
Sem mídia, sem mística, sem método.
Tanto é que tínhamos como líder, representando putas, pretos e pobres, Haddad, um macho branco com cara de mauricinho.
Poxa, acabou o eclipse. cabô a inspiração.
Palavra da salvação.

* Lelê Teles, jornalista, publicitário e roteirista

 


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