HOLOCAUSTO BRASILEIRO (V)

Opinião

 

Manoel Moacir Costa Macêdo
A corrupção e as suas perversas consequências, definem mais um "holocausto à brasileira". Uma chaga que maltrata, corrói, explora, sacrifica e assassina os brasileiros principalmente, os mais pobres. Uma miséria que desqualifica o Brasil no ambiente das nações civilizadas. Da origem, como uma "colônia de exploração" repartida em sesmarias e capitanias hereditárias pelo Reino de Portugal, o Brasil carrega a marca suja da corrupção. 
Pero Vaz de Caminha, em carta ao Rei D. Manuel I solicita, que mandasse "vir buscar da ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro", para ocupar e administrar o novo território. Corrupção reproduzida no tempo. Apropriação do "público pelo privado", o nepotismo "cruzado e não-cruzado". No século XVII, o padre Antônio Vieira denunciou a corrupção através do Sermão do Bom Ladrão, onde expõe os desmandos praticados por colonos e administradores. A corrupção  desembarcou no Brasil com Pedro Álvares Cabral e aqui fincou as suas cruéis garras, e se estabeleceu definitivamente. Uma construção social sob a ética cristã, castigos inquisitórios dos deuses católicos e controles abortivos de rupturas. Filial do absolutismo da realeza portuguesa.
A corrupção prosperou no Brasil, como uma epidemia, indo além do nepotismo, para os conluios, quadrilhas e sofisticadas estratégias patrocinadas pelas influentes e dominantes estruturas sociais. Não é uma marca exclusiva e única do Brasil, mas é diferenciada pela sua impunidade. A corrupção subtrai vantagens do que é de todos, para alguns privilegiados. Ela tem feições visíveis, como o peculato, quer dizer, apropriar-se do patrimônio público, incluindo o desvio de recursos públicos para benefícios próprios, de amigos, companheiros, aliados, subalternos e familiares. Outra categoria recorrente da corrupção brasileira, é o suborno, recebimento de dinheiro, propina e privilégios publicos como recompensa por favorecimentos prestados por pessoas privadas, no âmbito dos estamentos supeirores. 
Recentemente, veio às claras, a dissimuada e consentida corrupção entre os poderes republicanos e as empresas endinheradas do Brasil. Quadrilhas foram desarticuladas, mas carentes de identificações dos subterrâneos criminosos. Suspeitas, recaem sobre decisões seletivas do poder judiciário. Uma infindável abragência criminosa. Nada escapa à epidêmica corrupção, protegida pela insensível classe média, corrompida pelo admitido "jeitinho brasileiro", subterfúgio para violar direitos e obter privilégios. Cerca de três pessoas são presas no Brasil por corrupção. Escândalos recorrentes em quinhentos anos de história, condenaram restritivamente e pela primeira vez, representantes dos estamentos superiores, em "confortáveis prisões domiciliares", distantes das masmorras carcerárias dos pobres e desvalidos.
Estima-se que o custo da corrupção no Brasil, equivale a algo em torno de 20% do Produto Interno Bruto (PIB), referência da riqueza de uma das dez nações mais ricas do planeta, mas desigual e  corrupta. Recursos púbicos apropriados por ardis demandas privadas, carentes nos serviços sofríveis da saúde, educação, segurança e infraestrutra públicas. O Brasil ocupa o 105° lugar, na classificação dos países mais corruptos do planeta. A Dinamarca é o menos corrupto, seguido pela Nova Zelândia, Finlândia, Singapura, Suécia e Suíça. Abismal separação entre nós e eles. Na América Latina, em alguns indicadores de desigualdade, superamos apenas o Haiti e a Nicarágua. A corrupção, é um golpe na esperança de brasileiros paridos numa nação cristã, dita "o coração do mundo e a pátria do evangelho". Extorsão patrimonial e repugnante impunidade dos algemados no topo da escala social. Um País, cujas instituições, estão em boa parte corrompidas, não tem futuro, somente passado.
Manoel Moacir Costa Macêdo
Engenheiro Agrônomo, Advogado, PhD pela University of Sussex, Brighton, Inglaterra

A corrupção prosperou no Brasil, como uma epidemia, indo além do nepotismo, para os conluios, quadrilhas e sofisticadas estratégias patrocinadas pelas influentes e dominantes estruturas sociais. Não é uma marca exclusiva e única do Brasil, mas é diferenciada pela sua impunidade

Manoel Moacir Costa Macêdo

A corrupção e as suas perversas consequências, definem mais um "holocausto à brasileira". Uma chaga que maltrata, corrói, explora, sacrifica e assassina os brasileiros principalmente, os mais pobres. Uma miséria que desqualifica o Brasil no ambiente das nações civilizadas. Da origem, como uma "colônia de exploração" repartida em sesmarias e capitanias hereditárias pelo Reino de Portugal, o Brasil carrega a marca suja da corrupção. 
Pero Vaz de Caminha, em carta ao Rei D. Manuel I solicita, que mandasse "vir buscar da ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro", para ocupar e administrar o novo território. Corrupção reproduzida no tempo. Apropriação do "público pelo privado", o nepotismo "cruzado e não-cruzado". No século XVII, o padre Antônio Vieira denunciou a corrupção através do Sermão do Bom Ladrão, onde expõe os desmandos praticados por colonos e administradores. A corrupção  desembarcou no Brasil com Pedro Álvares Cabral e aqui fincou as suas cruéis garras, e se estabeleceu definitivamente. Uma construção social sob a ética cristã, castigos inquisitórios dos deuses católicos e controles abortivos de rupturas. Filial do absolutismo da realeza portuguesa.
A corrupção prosperou no Brasil, como uma epidemia, indo além do nepotismo, para os conluios, quadrilhas e sofisticadas estratégias patrocinadas pelas influentes e dominantes estruturas sociais. Não é uma marca exclusiva e única do Brasil, mas é diferenciada pela sua impunidade. A corrupção subtrai vantagens do que é de todos, para alguns privilegiados. Ela tem feições visíveis, como o peculato, quer dizer, apropriar-se do patrimônio público, incluindo o desvio de recursos públicos para benefícios próprios, de amigos, companheiros, aliados, subalternos e familiares. Outra categoria recorrente da corrupção brasileira, é o suborno, recebimento de dinheiro, propina e privilégios publicos como recompensa por favorecimentos prestados por pessoas privadas, no âmbito dos estamentos supeirores. 
Recentemente, veio às claras, a dissimuada e consentida corrupção entre os poderes republicanos e as empresas endinheradas do Brasil. Quadrilhas foram desarticuladas, mas carentes de identificações dos subterrâneos criminosos. Suspeitas, recaem sobre decisões seletivas do poder judiciário. Uma infindável abragência criminosa. Nada escapa à epidêmica corrupção, protegida pela insensível classe média, corrompida pelo admitido "jeitinho brasileiro", subterfúgio para violar direitos e obter privilégios. Cerca de três pessoas são presas no Brasil por corrupção. Escândalos recorrentes em quinhentos anos de história, condenaram restritivamente e pela primeira vez, representantes dos estamentos superiores, em "confortáveis prisões domiciliares", distantes das masmorras carcerárias dos pobres e desvalidos.
Estima-se que o custo da corrupção no Brasil, equivale a algo em torno de 20% do Produto Interno Bruto (PIB), referência da riqueza de uma das dez nações mais ricas do planeta, mas desigual e  corrupta. Recursos púbicos apropriados por ardis demandas privadas, carentes nos serviços sofríveis da saúde, educação, segurança e infraestrutra públicas. O Brasil ocupa o 105° lugar, na classificação dos países mais corruptos do planeta. A Dinamarca é o menos corrupto, seguido pela Nova Zelândia, Finlândia, Singapura, Suécia e Suíça. Abismal separação entre nós e eles. Na América Latina, em alguns indicadores de desigualdade, superamos apenas o Haiti e a Nicarágua. A corrupção, é um golpe na esperança de brasileiros paridos numa nação cristã, dita "o coração do mundo e a pátria do evangelho". Extorsão patrimonial e repugnante impunidade dos algemados no topo da escala social. Um País, cujas instituições, estão em boa parte corrompidas, não tem futuro, somente passado.

Manoel Moacir Costa MacêdoEngenheiro Agrônomo, Advogado, PhD pela University of Sussex, Brighton, Inglaterra

 


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