De volta à aldeia

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A música transforma
A música transforma

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Publicada em 05/07/2019 às 00:51:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Pascoal Maynard é um 
conspirador do bem. 
Para ele, importa documentar os feitos e a história das pessoas, colocar o nome de quem faz e acontece na roda. Estávamos nessa, falando de uns e outros, saboreando uma cachaça fabricada em Capela, quando ele levantou para "buscar uma coisa". De volta à mesa, carregava o songbook do Cataluzes embaixo do braço.
A publicação do Sesc não transcreve todo o repertório do conjunto sergipano em linguagem musical, como o título sugere. Mas abarca os três discos gravados pelo Cataluzes. No texto de apresentação, Pascoal resgata a trajetória iniciada lá atrás, nos tumultuados anos 70. Foi quando Cláudio Miguel e os irmãos Antonio e José do Amaral tomaram parte em diversos festivais e no curso dos acontecimentos, engajados, cada um a seu próprio modo, nos movimentos estudantil e sindical. Somente com as canções reunidas em 'Viagem cigana' (1983), o registro mais precioso de toda a discografia Serigy, no entanto, eles fariam alguma diferença profunda na paisagem nativa. A música transforma.
A Atalaia não seria a mesma sem 'Cheiro da terra'. Sem os versos do Cataluzes, ninguém se daria conta ao mirar as ondas do mar. Em todas as praias do mundo, sempre haverá alguém de olhos perdidos na imensidão. Aqui, entretanto, o assombro natural da contemplação foi mudado em melodia. 
Letras, cifras e partituras do Cataluzes estão agora a disposição de qualquer músico familiarizado com a notação musical. A iniciativa do departamento regional do Sesc merece, portanto, todos os aplausos. Hoje, os discos do conjunto podem ser ouvidos em qualquer ponto do planeta, em alta definição, acessíveis como estão nas plataformas de streaming. Mas, na superfície do papel, suas canções ganham o mesmo relevo das pinturas rupestres, indiferente às transformações da tecnologia e os séculos pela frente.
Eu fui ao encontro de Pascoal em companhia de Gabi Etinger. Os dois estão empenhados em transformar os artigos do jornalista Waldemar Bastos Cunha em livro. Conversa vai, conversa vem, os projetos já realizados foram sucedidos por um monte de planos. Pascoal tem a paixão de contar, não cansa de revolver a memória da aldeia, está o tempo inteiro atento ao que ocorre aqui e agora. Talvez lhe faltem forças e recursos para realizar tudo o que pretende. História não falta. 

Pascoal Maynard é um  conspirador do bem.  Para ele, importa documentar os feitos e a história das pessoas, colocar o nome de quem faz e acontece na roda. Estávamos nessa, falando de uns e outros, saboreando uma cachaça fabricada em Capela, quando ele levantou para "buscar uma coisa". De volta à mesa, carregava o songbook do Cataluzes embaixo do braço.
A publicação do Sesc não transcreve todo o repertório do conjunto sergipano em linguagem musical, como o título sugere. Mas abarca os três discos gravados pelo Cataluzes. No texto de apresentação, Pascoal resgata a trajetória iniciada lá atrás, nos tumultuados anos 70. Foi quando Cláudio Miguel e os irmãos Antonio e José do Amaral tomaram parte em diversos festivais e no curso dos acontecimentos, engajados, cada um a seu próprio modo, nos movimentos estudantil e sindical. Somente com as canções reunidas em 'Viagem cigana' (1983), o registro mais precioso de toda a discografia Serigy, no entanto, eles fariam alguma diferença profunda na paisagem nativa. A música transforma.
A Atalaia não seria a mesma sem 'Cheiro da terra'. Sem os versos do Cataluzes, ninguém se daria conta ao mirar as ondas do mar. Em todas as praias do mundo, sempre haverá alguém de olhos perdidos na imensidão. Aqui, entretanto, o assombro natural da contemplação foi mudado em melodia. 
Letras, cifras e partituras do Cataluzes estão agora a disposição de qualquer músico familiarizado com a notação musical. A iniciativa do departamento regional do Sesc merece, portanto, todos os aplausos. Hoje, os discos do conjunto podem ser ouvidos em qualquer ponto do planeta, em alta definição, acessíveis como estão nas plataformas de streaming. Mas, na superfície do papel, suas canções ganham o mesmo relevo das pinturas rupestres, indiferente às transformações da tecnologia e os séculos pela frente.
Eu fui ao encontro de Pascoal em companhia de Gabi Etinger. Os dois estão empenhados em transformar os artigos do jornalista Waldemar Bastos Cunha em livro. Conversa vai, conversa vem, os projetos já realizados foram sucedidos por um monte de planos. Pascoal tem a paixão de contar, não cansa de revolver a memória da aldeia, está o tempo inteiro atento ao que ocorre aqui e agora. Talvez lhe faltem forças e recursos para realizar tudo o que pretende. História não falta.