Ex-prefeitos de Carira são presos por fraudes e desvios

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A Operação Xeque-mate no Sertão mobilizou diversos órgãos do Estado
A Operação Xeque-mate no Sertão mobilizou diversos órgãos do Estado

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Publicada em 11/06/2019 às 23:11:00

 

Gabriel Damásio
Sete pessoas foram presas 
nesta ontem de manhã, 
em mais uma operação deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público Estadual. A chamada 'Operação Xeque-Mate no Sertão' investigou um esquema de fraudes que resultou em vários desvios de recursos públicos na Prefeitura de Carira (Sertão). Quase 100 policiais foram mobilizados para cumprir um total de 10 mandados de prisão e outros 12 de busca e apreensão. Ao todo, cinco pessoas foram presas em Carira, uma em Tobias Barreto (Centro-Sul) e uma em Salvador (BA). 
Entre os acusados, estão dois ex-prefeitos da cidade: João Bosco Machado e seu filho, Diogo Menezes Machado, além do vereador José Alves de Menezes, o 'Zé das Cutias', que também teve uma arma de fogo apreendida em sua casa e foi autuado em flagrante. Além deles, também foram presos os servidores públicos Antônio Carlos dos Santos, o 'Carlinhos Contador'; e José Messias dos Santos; e os empresários Robson Lopes de Menezes e Marcelo Oliveira Menezes. Outras três pessoas estão foragidas, mas devem se apresentar hoje à polícia. Uma delas é o irmão gêmeo de Diogo, Diego Menezes Machado, que já respondeu a processo pelo assassinato de um marchante, ocorrido na cidade em julho de 2015. A apresentação deles foi acertada com os advogados de defesa. 
As investigações se referem a uma série de fraudes em licitações ocorridas na prefeitura local, durante as gestões de João Bosco e de Diogo. Segundo as investigações, os ex-gestores se aliaram a um grupo de empresários para fraudar licitações e beneficiar as empresas do esquema, através de contratos superfaturados com o Município, em serviços nas áreas de construção civil e prestação de serviços, entre outros. "Era um grupo político que se valia do seu poder para desviar dinheiro público da prefeitura. Só no inquérito policial já apuramos um desvio aproximado de mais de R$ 7 milhões. Nos inquéritos civis, feitos pelo Ministério Público, é apontado por aí um desvio de mais de R$ 20 milhões", destacou a delegada-geral de Polícia Civil, Katarina Feitoza.
A principal das empresas investigadas é a Angular Engenharia, que era a responsável por praticamente todas as obras públicas municipais de Carira e foi fechada depois que Diogo deixou o mandato, em 2016. As investigações constataram que a firma teve uma sucessão de sócios que agiam como 'laranjas' para movimentar dinheiro e fazê-lo retornar ao ex-prefeito João Bosco e aos filhos Diogo e Diego. Quatro deles foram identificados: 'Carlinhos Contador', Messias, Robson e 'Zé das Cutias'. O caso que mais chamou a atenção foi o de Messias, que ganha cerca de um salário mínimo como servidor municipal, mas teve movimentações de mais de R$ 10 milhões em sua conta bancária. 
A delegada Lara Schuster, do Departamento de Crimes contra a Ordem Tributária e Administração Pública (Deotap), afirma que o retorno do dinheiro dos contratos da prefeitura de Carira aos ex-prefeitos foi constatado pelo Laboratório de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD). "A gente viu o caminho feito pelo dinheiro: ele sai dos cofres da Prefeitura de Carira, vai para a empresa Angular e volta para as contas tanto do ex-prefeito Bosco Machado quanto dos filhos Diogo e Diego. Havia a sucessão de sócios, mas, durante todo o período, quem exercia a administração da empresa era João Bosco, com a escolha dos funcionários e com as ordens que eram dadas. Vários empregados que foram ouvidos disseram que os então diretores mandavam procurar Bosco para resolver qualquer problema", explicou. 
A polícia e os promotores estimam que as fraudes se prolongaram por cerca de 20 anos, mas a real extensão dos prejuízos causados pelo esquema ainda está sendo apurada. O promotor Bruno Melo, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), não descarta outros desdobramentos da 'Xeque-Mate', a exemplo da descoberta de outros possíveis envolvidos com o esquema, além de outras empresas de fachada que teriam sido abertas pelos acusados após o fechamento da Angular. "Em operações como essa, geralmente existem desdobramentos. Se durante a investigação for identificado o envolvimento de mais suspeitos, iremos pedir novas prisões. Inclusive o Judiciário do município de Carira decretou o sequestro e a disponibilidade de todos os bens dos acusados e o bloqueio de R$ 20 milhões da conta", disse ele. 
Defesa - Os presos foram encaminhados para a sede do Deotap, no centro de Aracaju, e em seguida para a Cadeia Pública de Estância (Sul) do Estado. O advogado de defesa dos ex-prefeitos, Evânio Moura, prometeu entrar nos com um habeas-corpus no Tribunal de Justiça. Ele negou que seus clientes tenham cometido qualquer crime, alegou que a investigação é de três anos atrás e criticou as prisões, considerando que elas são desnecessárias. 
"Não há fraude à licitação, pois para isso é preciso haver dolo ou desvio de dinheiro e não há prova disso. Há prova somente de movimentação e movimentar dinheiro não é crime. João Bosco é uma pessoa conhecida e atua como pecuarista. O filho dele deixou de ser prefeito em janeiro de 2016 e perdeu pro adversário político. Eles não têm qualquer ingerência no município. Por que prendê-los em junho de 2019, dois anos e meio depois de Diogo deixar a prefeitura? Não há contemporaneidade nessas prisões. Infelizmente, há um show degradante de prisões desnecessárias no Brasil", ataca Evânio, ao deixar a sede do Deotap. 

Gabriel Damásio

Sete pessoas foram presas  nesta ontem de manhã,  em mais uma operação deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público Estadual. A chamada 'Operação Xeque-Mate no Sertão' investigou um esquema de fraudes que resultou em vários desvios de recursos públicos na Prefeitura de Carira (Sertão). Quase 100 policiais foram mobilizados para cumprir um total de 10 mandados de prisão e outros 12 de busca e apreensão. Ao todo, cinco pessoas foram presas em Carira, uma em Tobias Barreto (Centro-Sul) e uma em Salvador (BA). 
Entre os acusados, estão dois ex-prefeitos da cidade: João Bosco Machado e seu filho, Diogo Menezes Machado, além do vereador José Alves de Menezes, o 'Zé das Cutias', que também teve uma arma de fogo apreendida em sua casa e foi autuado em flagrante. Além deles, também foram presos os servidores públicos Antônio Carlos dos Santos, o 'Carlinhos Contador'; e José Messias dos Santos; e os empresários Robson Lopes de Menezes e Marcelo Oliveira Menezes. Outras três pessoas estão foragidas, mas devem se apresentar hoje à polícia. Uma delas é o irmão gêmeo de Diogo, Diego Menezes Machado, que já respondeu a processo pelo assassinato de um marchante, ocorrido na cidade em julho de 2015. A apresentação deles foi acertada com os advogados de defesa. 
As investigações se referem a uma série de fraudes em licitações ocorridas na prefeitura local, durante as gestões de João Bosco e de Diogo. Segundo as investigações, os ex-gestores se aliaram a um grupo de empresários para fraudar licitações e beneficiar as empresas do esquema, através de contratos superfaturados com o Município, em serviços nas áreas de construção civil e prestação de serviços, entre outros. "Era um grupo político que se valia do seu poder para desviar dinheiro público da prefeitura. Só no inquérito policial já apuramos um desvio aproximado de mais de R$ 7 milhões. Nos inquéritos civis, feitos pelo Ministério Público, é apontado por aí um desvio de mais de R$ 20 milhões", destacou a delegada-geral de Polícia Civil, Katarina Feitoza.
A principal das empresas investigadas é a Angular Engenharia, que era a responsável por praticamente todas as obras públicas municipais de Carira e foi fechada depois que Diogo deixou o mandato, em 2016. As investigações constataram que a firma teve uma sucessão de sócios que agiam como 'laranjas' para movimentar dinheiro e fazê-lo retornar ao ex-prefeito João Bosco e aos filhos Diogo e Diego. Quatro deles foram identificados: 'Carlinhos Contador', Messias, Robson e 'Zé das Cutias'. O caso que mais chamou a atenção foi o de Messias, que ganha cerca de um salário mínimo como servidor municipal, mas teve movimentações de mais de R$ 10 milhões em sua conta bancária. 
A delegada Lara Schuster, do Departamento de Crimes contra a Ordem Tributária e Administração Pública (Deotap), afirma que o retorno do dinheiro dos contratos da prefeitura de Carira aos ex-prefeitos foi constatado pelo Laboratório de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD). "A gente viu o caminho feito pelo dinheiro: ele sai dos cofres da Prefeitura de Carira, vai para a empresa Angular e volta para as contas tanto do ex-prefeito Bosco Machado quanto dos filhos Diogo e Diego. Havia a sucessão de sócios, mas, durante todo o período, quem exercia a administração da empresa era João Bosco, com a escolha dos funcionários e com as ordens que eram dadas. Vários empregados que foram ouvidos disseram que os então diretores mandavam procurar Bosco para resolver qualquer problema", explicou. 
A polícia e os promotores estimam que as fraudes se prolongaram por cerca de 20 anos, mas a real extensão dos prejuízos causados pelo esquema ainda está sendo apurada. O promotor Bruno Melo, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), não descarta outros desdobramentos da 'Xeque-Mate', a exemplo da descoberta de outros possíveis envolvidos com o esquema, além de outras empresas de fachada que teriam sido abertas pelos acusados após o fechamento da Angular. "Em operações como essa, geralmente existem desdobramentos. Se durante a investigação for identificado o envolvimento de mais suspeitos, iremos pedir novas prisões. Inclusive o Judiciário do município de Carira decretou o sequestro e a disponibilidade de todos os bens dos acusados e o bloqueio de R$ 20 milhões da conta", disse ele. 

Defesa - Os presos foram encaminhados para a sede do Deotap, no centro de Aracaju, e em seguida para a Cadeia Pública de Estância (Sul) do Estado. O advogado de defesa dos ex-prefeitos, Evânio Moura, prometeu entrar nos com um habeas-corpus no Tribunal de Justiça. Ele negou que seus clientes tenham cometido qualquer crime, alegou que a investigação é de três anos atrás e criticou as prisões, considerando que elas são desnecessárias. 
"Não há fraude à licitação, pois para isso é preciso haver dolo ou desvio de dinheiro e não há prova disso. Há prova somente de movimentação e movimentar dinheiro não é crime. João Bosco é uma pessoa conhecida e atua como pecuarista. O filho dele deixou de ser prefeito em janeiro de 2016 e perdeu pro adversário político. Eles não têm qualquer ingerência no município. Por que prendê-los em junho de 2019, dois anos e meio depois de Diogo deixar a prefeitura? Não há contemporaneidade nessas prisões. Infelizmente, há um show degradante de prisões desnecessárias no Brasil", ataca Evânio, ao deixar a sede do Deotap.