Abaixo de Bach

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Nem os Beatles.
Nem os Beatles.

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Publicada em 01/06/2019 às 14:52:00

 

O leitor não precisa saber tudo. Não digo, por exemplo, dos meus pés descalços, poupados de enfrentar caminhos para organizar estas palavras. Por muito menos, já fui tomado por um sujeito elitista. Segundo a língua ligeira do povo, em boca fechada não entra mosca. 
Não digo, não falo. Bem melhor é o consenso silencioso, o rumor sem face do burburinho, a embriaguez da comunhão coletiva. Se a multidão chora, o mais prudente é oferecer um lenço, à guiza de bandeira branca. Somente um tolo presta-se à controvérsia ante a comoção de milhares. 
Em tal armadilha não caio mais. Não falo, por exemplo, das trapalhadas contábeis de Wesley Safadão, sócio de Gabriel Diniz, a estrela de brilho efêmero, apagada para sempre. Não menciono a acusação da Receita Federal, órgão segundo o qual a banda Aviões do Forró sonegou a ninharia de R$ 50 milhões, na cara dura. Nem uma palavra sequer sobre a relação inescrupulosa mantida entre as bandas de forró de plástico e o poder público nas profundezas do nordeste, Sergipe incluído. Não digo nada. 
Nelson Rodrigues acertou em cheio ao afirmar que toda unanimidade é burra. Escapou-lhe, no entanto, o conforto de fazer parte da maioria. Eu mesmo, pudesse retroceder no tempo, não faria outra coisa além de acenar às correntes majoritárias de opinião, acompanhar o cortejo, seguir o fluxo. 
Tarde demais para mim. Não grito "Mito!" pela mesma razão de não aderir ao "Lula livre!". Eu sou do contra. Fui a shows do Los Hermanos, mas jamais tive barba.  Abaixo de Bach, Beethoven e Brahms, não idolatro nem os Beatles.

O leitor não precisa saber tudo. Não digo, por exemplo, dos meus pés descalços, poupados de enfrentar caminhos para organizar estas palavras. Por muito menos, já fui tomado por um sujeito elitista. Segundo a língua ligeira do povo, em boca fechada não entra mosca. 
Não digo, não falo. Bem melhor é o consenso silencioso, o rumor sem face do burburinho, a embriaguez da comunhão coletiva. Se a multidão chora, o mais prudente é oferecer um lenço, à guiza de bandeira branca. Somente um tolo presta-se à controvérsia ante a comoção de milhares. 
Em tal armadilha não caio mais. Não falo, por exemplo, das trapalhadas contábeis de Wesley Safadão, sócio de Gabriel Diniz, a estrela de brilho efêmero, apagada para sempre. Não menciono a acusação da Receita Federal, órgão segundo o qual a banda Aviões do Forró sonegou a ninharia de R$ 50 milhões, na cara dura. Nem uma palavra sequer sobre a relação inescrupulosa mantida entre as bandas de forró de plástico e o poder público nas profundezas do nordeste, Sergipe incluído. Não digo nada. 
Nelson Rodrigues acertou em cheio ao afirmar que toda unanimidade é burra. Escapou-lhe, no entanto, o conforto de fazer parte da maioria. Eu mesmo, pudesse retroceder no tempo, não faria outra coisa além de acenar às correntes majoritárias de opinião, acompanhar o cortejo, seguir o fluxo. 
Tarde demais para mim. Não grito "Mito!" pela mesma razão de não aderir ao "Lula livre!". Eu sou do contra. Fui a shows do Los Hermanos, mas jamais tive barba.  Abaixo de Bach, Beethoven e Brahms, não idolatro nem os Beatles.