Prefeitos choram de barriga cheia

Opinião


Marcos Cardoso

Político mudar de discurso não é novidade nesses tempos em que a palavra empenhada perdeu o valor e caiu no vazio, mas é inacreditável a capacidade que candidato a prefeito tem de esquecer o discurso da campanha depois de alcançar o objetivo tão sonhado e se eleger. Com relação às finanças municipais, por exemplo, o discurso muda logo.
Quem nunca ouviu um candidato dizer que vai fazer e acontecer e, uma vez eleito, tratar logo de informar que a prefeitura não tem dinheiro? Veja-se o caso de Canindé de São Francisco. O município irrigado com gordos repasses que brotaram da Hidrelétrica de Xingó passou a ser tratado por um ex-prefeito como se tivesse falido depois que o ICMS e os Royalties caíram, fruto de mudança da política energética do país no governo Dilma Rousseff.

Político mudar de discurso não é novidade nesses tempos em que a palavra empenhada perdeu o valor e caiu no vazio, mas é inacreditável a capacidade que candidato a prefeito tem de esquecer o discurso da campanha depois de alcançar o objetivo tão sonhado e se eleger. Com relação às finanças municipais, por exemplo, o discurso muda logo.
Quem nunca ouviu um candidato dizer que vai fazer e acontecer e, uma vez eleito, tratar logo de informar que a prefeitura não tem dinheiro? Veja-se o caso de Canindé de São Francisco. O município irrigado com gordos repasses que brotaram da Hidrelétrica de Xingó passou a ser tratado por um ex-prefeito como se tivesse falido depois que o ICMS e os Royalties caíram, fruto de mudança da política energética do país no governo Dilma Rousseff.

Mas os números contradizem a propalada pindaíba. Canindé ainda é um dos municípios que mais recebem verbas federais e estaduais. Proporcionalmente, ainda é o quinto melhor aquinhoado nesse quesito. Em 2015, o município recebeu mais de R$ 51 milhões em ICMS e mais de R$ 7 milhões em Royalties transferidos pela União, além de R$ 2,5 milhões em Royalties repassados pelo Estado.

Em 2018, Canindé recebeu bem menos, quase R$ 27 milhões de ICMS e mais de R$ 4 milhões em Royalties (os Royalties repassados pelo Estado reduziram drasticamente). Ainda assim, o município sertanejo recebeu no ano passado mais de R$ 77 milhões em transferências da União e estaduais, colocando-o ainda em situação privilegiada.

Privilégio agora desfrutado por Estância, o terceiro município sergipano que mais se beneficia das transferências constitucionais e repasses estaduais, superando os R$ 144 milhões no ano passado, graças ao seu forte parque industrial e ao petróleo. Estância já supera Lagarto e Itabaiana em recebimento desses recursos.

E privilégio ainda gozado pelos municípios da Cotinguiba - Rosário, Carmópolis, Japaratuba e Laranjeiras, os que proporcionalmente mais recebem recursos não próprios, graças ao petróleo e, no caso de Laranjeiras, graças às indústrias cimenteira, canavieira e de extração mineral. Com a hibernação da Fafen, porém, é provável que Laranjeiras sofra uma considerável queda financeira. 

Também chama atenção a posição de Itaporanga D'Ajuda, hoje o oitavo município sergipano que mais recebe recursos de transferências, R$ 81 milhões no ano passado, e o sexto per capita. Graças ao petróleo e ao parque industrial, Itaporanga é bem irrigado de Royalties e ICMS.

Por fim, deve-se destacar a Barra dos Coqueiros, que já figura entre os municípios melhores aquinhoados com recursos repassados pela União e pelo Estado, e que deve engordar as finanças com a exploração de novos e promissores poços de petróleo em alto mar e à entrada em funcionamento da Usina Termoelétrica da Celse - Centrais Elétricas de Sergipe, com previsão de iniciar a operação comercial em janeiro de 2020.

Não é à toa que ainda faltando mais de um ano para as próximas eleições municipais a Barra dos Coqueiros já figure como um dos municípios onde pululam os pretensos candidatos a prefeito.


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