Milhares participam de novo protesto contra cortes na Educação

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MILHARES DE PESSOAS PARTICIPARAM DA MANIFESTAÇÃO CONTRA O CORTE DE VERBAS PARA A EDUCAÇÃO. ATO COMEÇOU NO CENTRO E TERMINOU NO DIA
MILHARES DE PESSOAS PARTICIPARAM DA MANIFESTAÇÃO CONTRA O CORTE DE VERBAS PARA A EDUCAÇÃO. ATO COMEÇOU NO CENTRO E TERMINOU NO DIA

Manifestação nas ruas de Aracaju contra os cortes na Educação
Manifestação nas ruas de Aracaju contra os cortes na Educação

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Publicada em 30/05/2019 às 22:55:00

 

Milton Alves Júnior
Corte bilionário na edu-
cação pública, reforma 
da previdência e medida provisória que flexibiliza o porte de armas, voltaram a atrair milhares de estudantes, professores, associações de moradores e centrais sindicais às ruas e avenidas de Aracaju. Compondo a mobilização nacional, a caminhada dos '30M', realizada na tarde de ontem na região central da capital sergipana, serviu ainda para pressionar os deputados federais e senadores a votarem contra as medidas definidas pelo Governo Federal sem a realização de audiências públicas. 
Com palavras de ordem do tipo: "Quero estudar, ser inteligente, de burro já basta o presidente", os manifestantes se reuniram na Praça General Valadão e seguiram em marcha de forma pacífica e acompanhados por viaturas da Polícia Militar e da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT). Agentes da Guarda Municipal de Aracaju (GMA) também monitoraram o protesto. Diante da ampla representatividade dos atos contrários À gestão federal, na edição de ontem o Diário Oficial da União publicou uma nota assinada pelo Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), orientando o poder executivo federal - sobretudo o presidente Jair Messias Bolsonaro e o ministro da educação Abraham Weintraub, a revisar os cortes.
O conselho recomendou ainda que Bolsonaro não interfira na autonomia universitária e na livre investigação científica. Essa medida visa minimizar a turbulência popular enfrentada nas ruas e no próprio Congresso Nacional, bem como garantir o repasse de verbas sem perdas para todas as instituições públicas de ensino. Conforme dados apresentados pelo Ministério da Casa Civil, 680 milhões de reais deixarão de ser investidos na rede básica que atinge creches e escolas de ensino infantil e fundamental. Já as universidades e institutos federais de todo o país deixaram de receber, juntas, cerca de 2,2 bilhões de reais. A MP também interferirá na oferta de novas bolsas disponíveis pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) para mestrados e doutorados.
MPF - Tudo começou durante uma reunião com reitores e parlamentares do Rio Grande do Norte para discutir quais seriam as soluções a serem adotadas para demandas operacionais como segurança, limpeza e manutenção das instituições federais. Em resposta às indagações dos educadores, o ministro Abraham Weintraub relatou que no Japão os alunos seriam responsáveis pela limpeza das instituições. Seguindo essa comparação, o ministro propôs que chamasse os membros dos Centros Acadêmicos e do Diretório Central dos Estudantes para realização destes serviços. Ao tomar conhecimento dessas alegações os procuradores indicam que a sugestão do ministro possui argumentação em "tom jocoso e de humilhação" e seria uma prática ilegal.
"Entra ministro, sai ministro e a gente continua se deparando com esse tipo de declaração lamentável e, como bem pontuou o Ministério Público Federal, trata-se de uma ação ilegal. Nós alunos passamos em um concurso estudantil para estudar, e não lavar banheiro. Além do mais essa medida resultaria no desemprego de muito pai de família", declarou o acadêmico Leandro Bezerra, que completou dizendo: "o primeiro ministro do MEC (Ricardo Veléz Rodrigues) disse que vamos ao exterior para furtar; o atual diz que devemos lavar privadas e dar uma de vigia e porteiro. Não consigo entender como ainda tem gente que defende esses gestores. Fanatismo maluco, creio eu."
As declarações comprovadas de Weintraub resultaram em uma multa/indenização orçada pelo MPF em 5 milhões de reais. O documento indica que o pronunciamento do ministro 'demonstra clara vontade discriminatória'. O texto jurídico aplicando a penalidade financeira está assinado pelos Procuradores da República Emanuel Ferreira, Renata Muniz, Raphael Bevilaqua, Jorge Luiz Ribeiro, Felipe Moura, Caroline Maciel e Fernando Rocha, de Mossoró e de Pau dos Ferros. Essa polêmica foi lembrada nas mais de 220 cidades onde foram registradas manifestações durante todo o dia de ontem. Em meio à crise, com índices de popularidade cada vez mais baixos, os manifestantes já oficializaram a primeira greve geral a ser enfrentada por Jair Bolsonaro.
De acordo com a professora de ensino fundamental, Rosa Valéria, no próximo dia 14 de junho o Brasil vai assistir a um dos mais representativos atos coordenados pela classe trabalhadora dos últimos 20 anos. "Será geral, unificada e instantânea em todo o país. Vamos parar o Brasil para que o senhor presidente e os demais assessores, percebam que o país não deve nunca ser governado em participação popular. Essa reforma é uma afronta aos nossos direitos. O corte na educação implica em retrocesso e não podemos nos calar. Os tributos continuam altos enquanto desde o início do ano o Brasil apenas assiste as regalias que são oferecidas pelo próprio Bolsonaro ao povo dos Estados Unidos", disse.
Em sátira ligada ao lema do período eleitoral, a estudante Simone Junqueira ironicamente declarou: "Brasil acima de tudo, Estados Unidos acima do Brasil, e Deus que perdoe aqueles que já começaram a se arrepender da opção de voto em outubro do ano passado". Finalizado no Distrito Industrial de Aracaju (DIA), o ato de ontem contou com aproximadamente 15 mil pessoas e foi coordenado pela União Nacional dos Estudantes (UNE), e por sindicatos associados à Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Milton Alves Júnior

Corte bilionário na edu- cação pública, reforma  da previdência e medida provisória que flexibiliza o porte de armas, voltaram a atrair milhares de estudantes, professores, associações de moradores e centrais sindicais às ruas e avenidas de Aracaju. Compondo a mobilização nacional, a caminhada dos '30M', realizada na tarde de ontem na região central da capital sergipana, serviu ainda para pressionar os deputados federais e senadores a votarem contra as medidas definidas pelo Governo Federal sem a realização de audiências públicas. 
Com palavras de ordem do tipo: "Quero estudar, ser inteligente, de burro já basta o presidente", os manifestantes se reuniram na Praça General Valadão e seguiram em marcha de forma pacífica e acompanhados por viaturas da Polícia Militar e da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT). Agentes da Guarda Municipal de Aracaju (GMA) também monitoraram o protesto. Diante da ampla representatividade dos atos contrários À gestão federal, na edição de ontem o Diário Oficial da União publicou uma nota assinada pelo Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), orientando o poder executivo federal - sobretudo o presidente Jair Messias Bolsonaro e o ministro da educação Abraham Weintraub, a revisar os cortes.
O conselho recomendou ainda que Bolsonaro não interfira na autonomia universitária e na livre investigação científica. Essa medida visa minimizar a turbulência popular enfrentada nas ruas e no próprio Congresso Nacional, bem como garantir o repasse de verbas sem perdas para todas as instituições públicas de ensino. Conforme dados apresentados pelo Ministério da Casa Civil, 680 milhões de reais deixarão de ser investidos na rede básica que atinge creches e escolas de ensino infantil e fundamental. Já as universidades e institutos federais de todo o país deixaram de receber, juntas, cerca de 2,2 bilhões de reais. A MP também interferirá na oferta de novas bolsas disponíveis pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) para mestrados e doutorados.

MPF -
Tudo começou durante uma reunião com reitores e parlamentares do Rio Grande do Norte para discutir quais seriam as soluções a serem adotadas para demandas operacionais como segurança, limpeza e manutenção das instituições federais. Em resposta às indagações dos educadores, o ministro Abraham Weintraub relatou que no Japão os alunos seriam responsáveis pela limpeza das instituições. Seguindo essa comparação, o ministro propôs que chamasse os membros dos Centros Acadêmicos e do Diretório Central dos Estudantes para realização destes serviços. Ao tomar conhecimento dessas alegações os procuradores indicam que a sugestão do ministro possui argumentação em "tom jocoso e de humilhação" e seria uma prática ilegal.
"Entra ministro, sai ministro e a gente continua se deparando com esse tipo de declaração lamentável e, como bem pontuou o Ministério Público Federal, trata-se de uma ação ilegal. Nós alunos passamos em um concurso estudantil para estudar, e não lavar banheiro. Além do mais essa medida resultaria no desemprego de muito pai de família", declarou o acadêmico Leandro Bezerra, que completou dizendo: "o primeiro ministro do MEC (Ricardo Veléz Rodrigues) disse que vamos ao exterior para furtar; o atual diz que devemos lavar privadas e dar uma de vigia e porteiro. Não consigo entender como ainda tem gente que defende esses gestores. Fanatismo maluco, creio eu."
As declarações comprovadas de Weintraub resultaram em uma multa/indenização orçada pelo MPF em 5 milhões de reais. O documento indica que o pronunciamento do ministro 'demonstra clara vontade discriminatória'. O texto jurídico aplicando a penalidade financeira está assinado pelos Procuradores da República Emanuel Ferreira, Renata Muniz, Raphael Bevilaqua, Jorge Luiz Ribeiro, Felipe Moura, Caroline Maciel e Fernando Rocha, de Mossoró e de Pau dos Ferros. Essa polêmica foi lembrada nas mais de 220 cidades onde foram registradas manifestações durante todo o dia de ontem. Em meio à crise, com índices de popularidade cada vez mais baixos, os manifestantes já oficializaram a primeira greve geral a ser enfrentada por Jair Bolsonaro.
De acordo com a professora de ensino fundamental, Rosa Valéria, no próximo dia 14 de junho o Brasil vai assistir a um dos mais representativos atos coordenados pela classe trabalhadora dos últimos 20 anos. "Será geral, unificada e instantânea em todo o país. Vamos parar o Brasil para que o senhor presidente e os demais assessores, percebam que o país não deve nunca ser governado em participação popular. Essa reforma é uma afronta aos nossos direitos. O corte na educação implica em retrocesso e não podemos nos calar. Os tributos continuam altos enquanto desde o início do ano o Brasil apenas assiste as regalias que são oferecidas pelo próprio Bolsonaro ao povo dos Estados Unidos", disse.
Em sátira ligada ao lema do período eleitoral, a estudante Simone Junqueira ironicamente declarou: "Brasil acima de tudo, Estados Unidos acima do Brasil, e Deus que perdoe aqueles que já começaram a se arrepender da opção de voto em outubro do ano passado". Finalizado no Distrito Industrial de Aracaju (DIA), o ato de ontem contou com aproximadamente 15 mil pessoas e foi coordenado pela União Nacional dos Estudantes (UNE), e por sindicatos associados à Central Única dos Trabalhadores (CUT).