Os malucos

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Publicada em 07/05/2019 às 23:29:00

 

* Inocêncio Nóbrega
Em entrevista permitida ao ex-presidente Lula, a dois jornais, um dos quais estrangeiro, classificou ele a gestão presidencial de Bolsonaro de "malucos". Na réplica, justificou este que melhor assim que adepto da cachaça.  Trata-se de um apodo que criou em função da opinião popular. Afinal, cada governo tem o apelido que merece, na maioria sem dúvida jocosos, ligando-se ao comportamento político, econômico, ético e social, já consagrados pela história.
Tive curiosidade de pesquisar alguns na internet, os quais se juntam aos de meu conhecimento. Comecemos por D João VI, o Mandalete; Floriano Pexoto, Marechal de Ferro; Prudente de Morais, Biriba; Epitácio Pessoa, o Estradeiro; G. Vargas, dr. Gegê e Pai dos Pobres; Dutra, Caneco Amaçado; o Triunvirato de 1969, os Patetas; Juscelino, dr. Nonô, dentre outros. Governantes estaduais, dos municípios e até ministros, também sofrem o impiedoso tratamento. Quem não sabe que "O Corvo", era o   Carlos Lacerda, e "Conge", é o Sérgio Moro? Nada demais, faz parte do anedotário popular. Bolsonaro buscou os dois: para si, o "Coiso", e para seu governo, os "Malucos", que se dá em razão da ineficiência própria e de seus escalões de conduzirem, com seriedade, a Nação.
Há diferença enorme entre a branquinha, como é carinhosamente conhecida, e a maluquice: pessoa alienada, aluada, que gira em torno de um mundo vazio. A cachaça só ofende a si mesmo, se a ingerirmos sem moderação.  Vem da cana de açúcar, no nordeste brasileiro plantada, irrigada e adubada pelas calejadas mãos, lágrimas e sangue do escravo africano; produto que dá serviço e sustento a milhares de família e impostos para o País. 
Transformado em aperitivo é apreciado do homem descalço ao de paletó, das gravatas às batinas e de togas. A recente e discutível licitação do STF a coloca entre os melhores vinhos importados, a serviço das mais gostosas e sofisticadas iguarias. Velha companheira ao levantar-se, sombreando a gastronomia de todas as regiões, nas paneladas, buchadas, sarapatéis, churrascos. 
Do moderno trabuco à "marvada" de hoje, há uma distância cultural consumida pela civilização. Tiro ou gole, eis a questão; um atrasa, outro desenvolve. Vê-se nas homenagens pelos rótulos, a cidades, santos, raças. É o fiel espelho do Brasil. O escritor pernambucano, Souto Maior, dicionarizou centenas deles, cujos títulos, em grande parte utilizam o eufemismo para lembrar determinados hábitos e linguagem da sociedade. Abrideira, nome que se dá à primeira "lapada" do dia. Para os inveterados da bebida, serve para afogar as mágoas, porém elas sabem nadar... Ainda assim, Lula, embora inspirado ou não pela poderosa, impulsionou o Brasil, elevando-o ao patamar de gigante.
* Inocêncio Nóbrega, Jornalista
inocnf@gmail.com

* Inocêncio Nóbrega

Em entrevista permitida ao ex-presidente Lula, a dois jornais, um dos quais estrangeiro, classificou ele a gestão presidencial de Bolsonaro de "malucos". Na réplica, justificou este que melhor assim que adepto da cachaça.  Trata-se de um apodo que criou em função da opinião popular. Afinal, cada governo tem o apelido que merece, na maioria sem dúvida jocosos, ligando-se ao comportamento político, econômico, ético e social, já consagrados pela história.
Tive curiosidade de pesquisar alguns na internet, os quais se juntam aos de meu conhecimento. Comecemos por D João VI, o Mandalete; Floriano Pexoto, Marechal de Ferro; Prudente de Morais, Biriba; Epitácio Pessoa, o Estradeiro; G. Vargas, dr. Gegê e Pai dos Pobres; Dutra, Caneco Amaçado; o Triunvirato de 1969, os Patetas; Juscelino, dr. Nonô, dentre outros. Governantes estaduais, dos municípios e até ministros, também sofrem o impiedoso tratamento. Quem não sabe que "O Corvo", era o   Carlos Lacerda, e "Conge", é o Sérgio Moro? Nada demais, faz parte do anedotário popular. Bolsonaro buscou os dois: para si, o "Coiso", e para seu governo, os "Malucos", que se dá em razão da ineficiência própria e de seus escalões de conduzirem, com seriedade, a Nação.
Há diferença enorme entre a branquinha, como é carinhosamente conhecida, e a maluquice: pessoa alienada, aluada, que gira em torno de um mundo vazio. A cachaça só ofende a si mesmo, se a ingerirmos sem moderação.  Vem da cana de açúcar, no nordeste brasileiro plantada, irrigada e adubada pelas calejadas mãos, lágrimas e sangue do escravo africano; produto que dá serviço e sustento a milhares de família e impostos para o País. 
Transformado em aperitivo é apreciado do homem descalço ao de paletó, das gravatas às batinas e de togas. A recente e discutível licitação do STF a coloca entre os melhores vinhos importados, a serviço das mais gostosas e sofisticadas iguarias. Velha companheira ao levantar-se, sombreando a gastronomia de todas as regiões, nas paneladas, buchadas, sarapatéis, churrascos. 
Do moderno trabuco à "marvada" de hoje, há uma distância cultural consumida pela civilização. Tiro ou gole, eis a questão; um atrasa, outro desenvolve. Vê-se nas homenagens pelos rótulos, a cidades, santos, raças. É o fiel espelho do Brasil. O escritor pernambucano, Souto Maior, dicionarizou centenas deles, cujos títulos, em grande parte utilizam o eufemismo para lembrar determinados hábitos e linguagem da sociedade. Abrideira, nome que se dá à primeira "lapada" do dia. Para os inveterados da bebida, serve para afogar as mágoas, porém elas sabem nadar... Ainda assim, Lula, embora inspirado ou não pela poderosa, impulsionou o Brasil, elevando-o ao patamar de gigante.

* Inocêncio Nóbrega, Jornalistainocnf@gmail.com