REPUTAÇÃO DO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO: O DESAFIO NAS EXPORTAÇÕES

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Publicada em 26/04/2019 às 22:52:00

 

* Pedro Abel Vieira e Manoel Moacir Costa Macêdo 
O mercado internacional, principal comprador da produção agropecuária brasileira, é exigente na qualidade dos produtos que compra. O preço pago pelas mercadorias, embute valores visíveis e invisíveis no valor agregado. Exigências que abrangem o ambiente de dentro e de fora da propriedade.
A disponibilidade de área agricultável, preservação de biomas, disponibilidade de água, energia e clima apropriados à produção vegetal e animal, distingue o Brasil em oportunidades de negócios, suprimento e abastecimento de países com crescimento populacional e renda, a exemplo da China e Índia. Avaliações da produção agropecuária, demonstram que, sem a demanda externa, a produção nacional recuará e, num primeiro ajuste, os preços serão reduzidos a valores inferiores aos custos de produção. Um desastre para o agronegócio brasileiro, expressivo gerador de renda, emprego, e equilíbrio fiscal. 
A reputação positiva dos produtos agrícolas brasileiros no mercado internacional, exige neutralizar as percepções negativas nesses mercados. Duas delas, são disseminadas mundo afora: as restrições ambientais, com forte apelo contra o desmatamento, principalmente na Amazônia; e as percepções vinculadas às questões sociais do modo de produção, isto é, o processo produtivo da agricultura brasileira utiliza o trabalho escravo no seu labor. Verdades ou não, essas percepções afetam a demanda das exportações agrícolas, o principal setor na geração de divisas. 
A percepção negativa no exterior, sobre o meio ambiente, vem sendo enfrentada com êxito. O Código Florestal Brasileiro garante que o setor agropecuário preserve, no mínimo, 20% dos biomas naturais. Além disso, existem sistemas produtivos agrícolas integrados, uso de microrganismos em substituição aos produtos químicos, plantio direto, e ILP (integração-lavoura-pecuária-floresta), entre outras tecnologias que harmonizam a produção com o meio ambiente. Nos últimos dez anos, a pecuária brasileira reduziu a emissão de Gases do Efeito Estufa (GEE) por tonelada de carne produzida a uma taxa de 4,5% ao ano. No mesmo período, a produção de carne cresceu de 2,83 milhões de toneladas em 1990 para 7,49 em 2015, ou seja, aumentou cerca de 2,7 vezes, enquanto a emissão de GEE pela agropecuária e decorrente da fermentação entérica dos bovinos aumentou em 47,9% e 38,8%, respectivamente.
A percepção negativa mais complexa, refere-se a suposta existência de trabalho escravo no modo de produção da agropecuária, a chamada "situação análoga ao trabalho escravidão ou escravidão moderna". Os casos de exploração de trabalhadores rurais pobres e desassistidos aumentam essa percepção junto aos formadores de opinião e movimentos sociais nos países desenvolvidos. Não tem como negar a ocorrência de dificuldades nas relações de trabalho no meio rural, em face das dimensões do país e carências efetivas de fiscalização por parte dos órgãos estatais. Por outro lado, é inegável que o Brasil dispõe de uma efetiva legislação trabalhista e instituições sólidas e independentes para gerar um ambiente trabalhista seguro e livre de injustiças, quando comparado aos seus principais concorrentes.
O desafio está posto. Urge construir uma reputação positiva e vitoriosa da agricultura brasileira, nos planos interno e externo, a partir de ações e resultados nos níveis ambientais e sociais. As negociações internacionais embasadas em estudos e fatos constituem-se num poderoso instrumento para a construção dessa imagem positiva, afora a imperiosa manutenção da qualidade dos produtos em acordo com as demandas dos consumidores. Lamentavelmente, alguns esforços de acordos multilaterais a exemplo da Rodada do Uruguai, fracassaram.  Por fim, torna-se indispensável, a eficiente e acreditada fiscalização no modo de produzir dentro e fora das propriedades do agronegócio brasileiro.
* Pedro Abel Vieira e Manoel Moacir Costa Macêdo sãoEngenheiros Agrônomos

A reputação positiva dos produtos agrícolas brasileiros no mercado internacional, exige neutralizar as percepções negativas nesses mercados. Duas delas, são disseminadas mundo afora: as restrições ambientais, com forte apelo contra o desmatamento, principalmente na Amazônia; e as percepções vinculadas às questões sociais do modo de produção, isto é, o processo produtivo da agricultura brasileira utiliza o trabalho escravo no seu labor

* Pedro Abel Vieira e Manoel Moacir Costa Macêdo 

O mercado internacional, principal comprador da produção agropecuária brasileira, é exigente na qualidade dos produtos que compra. O preço pago pelas mercadorias, embute valores visíveis e invisíveis no valor agregado. Exigências que abrangem o ambiente de dentro e de fora da propriedade.
A disponibilidade de área agricultável, preservação de biomas, disponibilidade de água, energia e clima apropriados à produção vegetal e animal, distingue o Brasil em oportunidades de negócios, suprimento e abastecimento de países com crescimento populacional e renda, a exemplo da China e Índia. Avaliações da produção agropecuária, demonstram que, sem a demanda externa, a produção nacional recuará e, num primeiro ajuste, os preços serão reduzidos a valores inferiores aos custos de produção. Um desastre para o agronegócio brasileiro, expressivo gerador de renda, emprego, e equilíbrio fiscal. 
A reputação positiva dos produtos agrícolas brasileiros no mercado internacional, exige neutralizar as percepções negativas nesses mercados. Duas delas, são disseminadas mundo afora: as restrições ambientais, com forte apelo contra o desmatamento, principalmente na Amazônia; e as percepções vinculadas às questões sociais do modo de produção, isto é, o processo produtivo da agricultura brasileira utiliza o trabalho escravo no seu labor. Verdades ou não, essas percepções afetam a demanda das exportações agrícolas, o principal setor na geração de divisas. 
A percepção negativa no exterior, sobre o meio ambiente, vem sendo enfrentada com êxito. O Código Florestal Brasileiro garante que o setor agropecuário preserve, no mínimo, 20% dos biomas naturais. Além disso, existem sistemas produtivos agrícolas integrados, uso de microrganismos em substituição aos produtos químicos, plantio direto, e ILP (integração-lavoura-pecuária-floresta), entre outras tecnologias que harmonizam a produção com o meio ambiente. Nos últimos dez anos, a pecuária brasileira reduziu a emissão de Gases do Efeito Estufa (GEE) por tonelada de carne produzida a uma taxa de 4,5% ao ano. No mesmo período, a produção de carne cresceu de 2,83 milhões de toneladas em 1990 para 7,49 em 2015, ou seja, aumentou cerca de 2,7 vezes, enquanto a emissão de GEE pela agropecuária e decorrente da fermentação entérica dos bovinos aumentou em 47,9% e 38,8%, respectivamente.
A percepção negativa mais complexa, refere-se a suposta existência de trabalho escravo no modo de produção da agropecuária, a chamada "situação análoga ao trabalho escravidão ou escravidão moderna". Os casos de exploração de trabalhadores rurais pobres e desassistidos aumentam essa percepção junto aos formadores de opinião e movimentos sociais nos países desenvolvidos. Não tem como negar a ocorrência de dificuldades nas relações de trabalho no meio rural, em face das dimensões do país e carências efetivas de fiscalização por parte dos órgãos estatais. Por outro lado, é inegável que o Brasil dispõe de uma efetiva legislação trabalhista e instituições sólidas e independentes para gerar um ambiente trabalhista seguro e livre de injustiças, quando comparado aos seus principais concorrentes.
O desafio está posto. Urge construir uma reputação positiva e vitoriosa da agricultura brasileira, nos planos interno e externo, a partir de ações e resultados nos níveis ambientais e sociais. As negociações internacionais embasadas em estudos e fatos constituem-se num poderoso instrumento para a construção dessa imagem positiva, afora a imperiosa manutenção da qualidade dos produtos em acordo com as demandas dos consumidores. Lamentavelmente, alguns esforços de acordos multilaterais a exemplo da Rodada do Uruguai, fracassaram.  Por fim, torna-se indispensável, a eficiente e acreditada fiscalização no modo de produzir dentro e fora das propriedades do agronegócio brasileiro.

* Pedro Abel Vieira e Manoel Moacir Costa Macêdo sãoEngenheiros Agrônomos