Até as últimas consequências

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto
Uma espécie de Oscar Wilde imbecil
Uma espécie de Oscar Wilde imbecil

Clique nas imagens para ampliar

Publicada em 18/04/2019 às 11:42:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Pouca gente é capaz 
de defender a liber
dade de expressão, até as últimas consequências. E, só por isso, o espectro do autoritarismo ganha corpo no tempo presente. A condenação do humorista Danilo Gentili e o surto ditatorial do ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal, por exemplo, correspondem às duas faces de uma mesma moeda. Sem o direito sagrado de resvalar em grosseria, cometer insultos e comunicar o ódio guardado no fundo do coração nos termos mais repugnantes, nenhum cidadão pode se dizer realmente livre.
Não se trata aqui de defender este ou aquele, ao sabor das circunstâncias e conveniências. Mas de observar princípios. Quem se cobre das melhores intenções do mundo para impor limites perfeitamente razoáveis à opinião geral e de cada um, coloca a própria cabeça a prêmio, como um boi a caminho do abate, submete-se alegremente ao arbítrio da ordem e do status quo.
Cá entre nós, o trabalho de Gentili não faria nenhuma falta a ninguém com algum lampejo de vida inteligente no escuro da piolheira. Eis a minha opinião. Mas 'O complexo de Portnoy', de Philip Roth, considerado ofensivo por anos a fio, reúne páginas valiosas, indispensáveis. Obras originais excomungadas, reabilitadas depois de sofrer opróbio ao desafiar a moral vigente, existem às pencas. Os padrões de tolerância às ideias, palavras e comportamentos flutuam no tempo. 
Gentili não passa de um mensageiro, uma advertência basbaque sobre a fragilidade das conquistas civilizatórias, uma espécie de Oscar Wilde imbecil. Não fosse o infantilismo reativo de certos progressistas, ele jamais teria sido deslocado para o centro de um debate fundamental, muito maior do que as gagues sem graça que lhe garantem conforto e pão.
O mais seguro seria deixar os idiotas falando sozinhos, feito uma criança mimada em reunião de adultos, doidos para chamar a atenção. Nunca se dispara contra um mensageiro, sob pena de o tiro sair pela culatra. Pior ainda se o atentado for transmitido em rede nacional de televisão.

Pouca gente é capaz  de defender a liber dade de expressão, até as últimas consequências. E, só por isso, o espectro do autoritarismo ganha corpo no tempo presente. A condenação do humorista Danilo Gentili e o surto ditatorial do ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal, por exemplo, correspondem às duas faces de uma mesma moeda. Sem o direito sagrado de resvalar em grosseria, cometer insultos e comunicar o ódio guardado no fundo do coração nos termos mais repugnantes, nenhum cidadão pode se dizer realmente livre.
Não se trata aqui de defender este ou aquele, ao sabor das circunstâncias e conveniências. Mas de observar princípios. Quem se cobre das melhores intenções do mundo para impor limites perfeitamente razoáveis à opinião geral e de cada um, coloca a própria cabeça a prêmio, como um boi a caminho do abate, submete-se alegremente ao arbítrio da ordem e do status quo.
Cá entre nós, o trabalho de Gentili não faria nenhuma falta a ninguém com algum lampejo de vida inteligente no escuro da piolheira. Eis a minha opinião. Mas 'O complexo de Portnoy', de Philip Roth, considerado ofensivo por anos a fio, reúne páginas valiosas, indispensáveis. Obras originais excomungadas, reabilitadas depois de sofrer opróbio ao desafiar a moral vigente, existem às pencas. Os padrões de tolerância às ideias, palavras e comportamentos flutuam no tempo. 
Gentili não passa de um mensageiro, uma advertência basbaque sobre a fragilidade das conquistas civilizatórias, uma espécie de Oscar Wilde imbecil. Não fosse o infantilismo reativo de certos progressistas, ele jamais teria sido deslocado para o centro de um debate fundamental, muito maior do que as gagues sem graça que lhe garantem conforto e pão.
O mais seguro seria deixar os idiotas falando sozinhos, feito uma criança mimada em reunião de adultos, doidos para chamar a atenção. Nunca se dispara contra um mensageiro, sob pena de o tiro sair pela culatra. Pior ainda se o atentado for transmitido em rede nacional de televisão.